| O verbo alemão Vernehmen, que traduzimos aqui como “apreender”, dá origem ao substantivo die Vernunft, que mais tarde se tornaria compreensão ou razão. Conhecer e apreender transcrevem aqui, à sua maneira, a palavra grega νοεῖν. O a priori, portanto, não é o que é dado primeiro aos sentidos, mas o que é dado primeiro ao pensamento. Da mesma forma, ele está sob a jurisdição do próprio pensamento. Daí o que poderíamos chamar, se não a origem, pelo menos o caráter fundamentalmente noético dessa determinação do ser como a priori. Daí também a determinação necessária do ser como ente supremo, dando ao ente que é “menos” que ele, a autorização de ser, no entanto, à sua própria maneira. Por outro lado, o pensamento que se esforça para não mais determinar o ser como a priori e para escapar da dilaceração constitutiva de tudo o que é em dois tipos de ser: o ser que é mais ser e o ser que é menos ser, terá correlativamente que subtrair o ἀλήθεια do elemento no qual ele não cessou de se desenvolver desde Heráclito e Parmênides. É por isso que Heidegger se esforçará, na própria leitura desses dois autores, para escapar da preeminência do νοεῖν, a fim de encontrar no próprio coração deste, e, portanto, no fundamento de todo pensamento, a presença de um λόγος irredutível por sua parte a toda racionalidade. O que Heidegger chama de pensamento e a experiência do pensamento não são de natureza “noética”, nem o que ele chama de λόγος é de natureza “lógica”, nem consequentemente “ilógica”. | O verbo alemão Vernehmen, que traduzimos aqui como “apreender”, dá origem ao substantivo die Vernunft, que mais tarde se tornaria compreensão ou razão. Conhecer e apreender transcrevem aqui, à sua maneira, a palavra grega νοεῖν. O a priori, portanto, não é o que é dado primeiro aos sentidos, mas o que é dado primeiro ao pensamento. Da mesma forma, ele está sob a jurisdição do próprio pensamento. Daí o que poderíamos chamar, se não a origem, pelo menos o caráter fundamentalmente noético dessa determinação do ser como a priori. Daí também a determinação necessária do ser como ente supremo, dando ao ente que é “menos” que ele, a autorização de ser, no entanto, à sua própria maneira. Por outro lado, o pensamento que se esforça para não mais determinar o ser como a priori e para escapar da dilaceração constitutiva de tudo o que é em dois tipos de ser: o ser que é mais ser e o ser que é menos ser, terá correlativamente que subtrair o ἀλήθεια do elemento no qual ele não cessou de se desenvolver desde Heráclito e Parmênides. É por isso que Heidegger se esforçará, na própria leitura desses dois autores, para escapar da preeminência do νοεῖν, a fim de encontrar no próprio coração deste, e, portanto, no fundamento de todo pensamento, a presença de um λόγος irredutível por sua parte a toda racionalidade. O que Heidegger chama de pensamento e a experiência do pensamento não são de natureza “noética”, nem o que ele chama de λόγος é de natureza “lógica”, nem consequentemente “ilógica”. |