estudos:beneval-de-oliveira:ernildo-stein-uma-ontologia-da-finitude
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| + | ====== Beneval de Oliveira: Ernildo Stein - uma ontologia da finitude ====== | ||
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| + | ==== A Fenomenologia no Brasil ==== | ||
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| + | === Temática do Existencialismo Brasileiro === | ||
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| + | //A Fenomenologia no Brasil, Beneval de Oliveira, Pallas, 1983 | ||
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| + | O presente trabalho tem como objetivo enfocar a temática do existencialismo brasileiro. Neste sentido, procuramos pesquisar as origens dessa temática, a partir de uma reinterpretação da filosofia grega, dando ênfase, sobretudo, à ontologia de Martin Heidegger, justamente por ter esse filósofo despertado maior atenção que os demais filósofos existencialistas entre os nossos estudiosos da matéria. | ||
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| + | De outro lado, procuramos analisar a frio, o pensamento de nossos pesquisadores, | ||
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| + | Vamos agora estudar Stein na sua Ontologia da Finitude ((NA: Stein, Ernildo - Em busca de uma Ontologia da Finitude - Revista Brasileira de Filosofia. Vol. XIX - Fase. 76 - out. Nova 1969.)) cujo sentido de “transcendência e rescendência são magnificamente enfocados. | ||
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| + | Stein ministrou em Curso Livre de Metafísica, | ||
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| + | Como é sabido, por várias transformações passou a filosofia desde a superação do objetivismo à questão do pensamento transcendental, | ||
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| + | Conforme salientamos, | ||
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| + | Amadurecido o problema da finitude que se liga ao da temporalidade, | ||
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| + | A respeito, escreve Stein, “Numa filosofia do absoluto a linguagem humana é feita à imagem e semelhança de uma linguagem plena e absoluta. Enquanto que na filosofia da finitude a linguagem humana é desprovida de modelo, é construída experimentalmente, | ||
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| + | Entretanto, adverte, ainda, Ernildo Stein: “A afirmação de que não existe palavra absoluta para a filosofia da finitude não deve dar-nos a impressão de que vivemos simplesmente um novo relativismo. Assim como a própria filosofia da finitude, assim também a linguagem com que diz seu conteúdo, estão muito aquém da oposição absolutismo-relativismo. A ontologia da finitude e sua linguagem sem absolutos são bem outra coisa que relativismo. Somente ela pode evitar a absolutização do relativo e a relativização do absoluto. Desde o início temos alertado contra qualquer tipo de monismo, tanto contra o monismo da finitude como contra o monismo do infinito, quer contra o monismo do relativo quer contra o monismo do absoluto. Fique, portanto, claramente advertido que é essencialmente experimental o caráter da linguagem da ontologia da finitude. Não se trata de relativizar os conteúdos, mas de experimentar a linguagem que os expressa”. ((NA: 29. Ibid. p. 402.)) | ||
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| + | Depois de acentuar que na filosofia atual ocorre algo semelhante à inventividade linguística na literatura de vanguarda, que se caracteriza por uma certa flutuação em face da imponderabilidade do real, o pensador em questão entra direto na temática do problema de transcendência, | ||
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| + | Observa o autor que desde Platão o problema da transcendência é realmente introduzido na metafísica ocidental a partir do modelo dos dois mundos. Recebe uma conotação dualista e espacializante. Disto a ideia de transcendentalidade não se libertou em toda a trajetória de tradição. A ideia de transcendência foi realmente objetivada e coisificada. Perdeu, com isto, única dimensão que lhe é essencial: ela é um conceito operativo. Representa um processo do espírito humano e só pode ser pensada neste movimento. Ele sofreu as mesmas consequências do objetivismo que perpassam os temas principais da tradição metafísica” ((NA: 31. Ibid. p. 403.)) | ||
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| + | A esta condição se devia o fato de que se o ser era concebido de maneira estática, o mesmo ocorria com a transcendência, | ||
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| + | Mas se ocorre uma transformação da metafísica com o pensamento de modernidade, | ||
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| + | No caso da finitude dar-se-á o mesmo, constituindo-se na sua “pedra de toque”. Mas terá que ser pensado como o está sendo o pensamento típico da tradição transcendente. | ||
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| + | É inegável, salienta Stein, que a filosofia moderna realizou ingente esforço para transladar o problema da transcendência para o âmbito da subjetividade. Mas com isso ela foi levada a negligenciar a vinculação necessária da transcendência com o problema do ser. E mais ainda: ela determinou a transcendência a partir do eu absolutizado, | ||
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| + | Partindo do princípio de que a transcendência é transladada para a problemática de existência este fenômeno privilegia o transcendente acompanhando o problema do Ser, podendo-se assim vinculá-lo a uma ontologia da finitude. No caso da transcendência houve um corte entre a transcendência objetivista e a transcendência subjetiva trazida por Kant com seu idealismo transcendental. | ||
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| + | Diz Stein que o movimento de transcendência não é tanto uma fuga da condição da finitude do homem e uma tentativa de projetá-lo num outro fundamento. É antes a experimentação positiva da própria condição da finitude do homem e uma tentativa de projetá-la num outro fundamento. É antes a experimentação positiva da própria condição da finitude. O transcender é um esforço de penetrar nas raízes da própria. finitude; é um movimento para sentir a feliz resistência do ar que é condição de o homem poder conhecer-se em sua profundidade”. ((NA: 33. Ibid. p. 405.)) | ||
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| + | Não padece dúvida de que Kant abriu caminho para esta perspectiva, | ||
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| + | Prosseguindo em suas considerações sobre a busca de uma ontologia de finitude, Stein examina inicialmente a transcendência compreendida como transcendência para o interior que ele chama de rescendência, | ||
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| + | Fazendo uma análise mais eficaz da questão, Stein chama a atenção que, o movimento transcendência para cima representaria a posição dos tradicionais, | ||
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| + | O segundo termo, que é antípoda do primeiro, seria mais uma intranscendência, | ||
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| + | Stein lembra Sócrates com o famoso “conhece-te a ti mesmo”, Plotino que desabrocha a ’idéia de que lugar da transcendência está no próprio homem, seguindo-se a interiorização agostiniana e a tendência da filosofia reflexiva francesa a partir do Cogito, e daí a Kant e a Husserl. | ||
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| + | Assegura Stein que com a ideia de rescendência afloramos uma questão que exige uma certa atitude de violência contra nossos modos tradicionais de pensar. É que além de negarmos a especialização inerente ao conceito clássico de transcendência queremos localizar na transcendência, | ||
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| + | Pela rescendência, | ||
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| + | Mostra o autor que a filosofia da subjetividade transcendental desenvolveu-se na direção criticista neokantiana, | ||
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| + | Já na subjetividade concreta, na interpretação da existência, | ||
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| + | Salienta, ainda, Stein que a des-realização é a consagração da finitude, o absoluto autônomo em si e para si desaparece. A desabsolutização do homem significa, então, em primeiro lugar, a superação do sujeito absoluto que se quer fonte e raiz e ponto de partida fixo. Mas simultaneamente, | ||
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| + | -* 01) BINSWANGER, Ludwig - Discours, parcours, et Freud - Éditións Gallimard - Paris - 1970. Ensaios que entrelaçam uma série de discursos acerca da aplicação do Da-sein heideggeriano na Psicanálise. | ||
| + | -* 02) BINSWANGER, Ludwig - Introduction a L’Analyse Existencielle - Les Éditions de Minuit - Paris - 1971. Novos ensaios do autor da Daseinanalyse, | ||
| + | -* 03) BORNHEIM, Gerd A. - Dialética, Teoria, Praxis - Editora Globo - Editora da Universidade de São Paulo - Ensaio crítico da fundamentação ontológica da dialética. O autor faz uma crítica do problema da finitude em Heidegger, sobretudo, na questão da praxis. | ||
| + | -* 04) CARNEIRO Leão, Emanuel - Aprendendo a pensar - Vozes - Coletânea de artigos tendo como base o sentido existencial da vida. | ||
| + | -* 05) DUFRENNE, Mikel - Estética e Filosofia. Persepctiva - São Paulo. Estudo da estética fenomenológica com um capítulo destinado ao estudo do poeta grego Pindaro, através do livro de Jacqueline Duchemin Pindare poeta et prophète. | ||
| + | -* 06) DILTHEY, W. - Escritos Reunidos - E. Weniger, 1944 Leipzig - Embora sendo considerado um filósofo da vida, Dilthey pode figurar como um historiador da existência humana. Sua posição de filósofo histórico está bem definida neste trabalho. | ||
| + | -* 07) FERREIRA DA SILVA, Vicente - Obras Completas vol. 1. Edição da R.B.F. São Paulo, Coletânea de artigos de filosofia, dentre os quais se destacam os que estudam a filosofia existencial de M. Heidegger. | ||
| + | -* 08) GURWITCH, Georges - Las Tendências Atuales de La Filosofia Alemana - Aguilar Editores - Madrid. 1928. Estudos filosóficos em torno de Husserl, Sheler, Lask, Hartman e Heidegger, fazendo clara exposição dos temas da filosofia contemporânea. | ||
| + | -* 09) HEIDEGGER, Martin - L’Étre et le Temps - Gallimard - 1964 - Estudo da primeira obra de Martin Heidegger em que são expostos os principies básicos da sua filosofia do sentido do ser. | ||
| + | -* 10) HEIDEGGER, Martin - Chemins qui ne ménent nulle pari - alemão Holswege - Gallimard, Paris. Estudo de vários temas de filosofia existencial de Heidegger, incluindo “A origem da obra de arte” e a Palavra de Anaximandro. | ||
| + | -* 11) HEIDEGGER, Martin - Que é Metafísica. Duas Cidades. São Paulo, 1969. Textos de Heidegger desenvolvendo temas relacionados com a ontologia do prof. de Friburg. | ||
| + | -* 12) HEIDEGGER, Martin - Introdução à Metafísica. Tempo Brasileiro. Tradução de Emanuel Carneiro Leão. Livro básico para a compreensão do problema do esquecimento do Ser. Porque o ser e não apenas, o Nada? | ||
| + | -* 13) HEIDEGGER, Martin - Ensaios I. II e III Gallimard - Novos Artigos em torno da temática heideggeriana sobre finitude, temporalidade, | ||
| + | -* 14) LÉVINAS, Eminanuel - En Découvrant L’Existence avec Husserl et Heidegger - Vrin - Paris, 1974 - Conferências e Estudos em torno da fenomenologia de Husserl e Heidegger. | ||
| + | -* 15) RICOEUR, Paul - O Conflito das Interpretações Imago Editora, 1978 - Seu objetivo central consiste em enfrentar os grandes desafios do pensamento contemporâneo. Trata-se de assumir filosoficamente a tensão dos conflitos que nos envolvem no plano do pensamento. | ||
| + | -* 16) STEIN, Ernildo - Em busca de uma ontologia da Finitude. Este trabalho é parte de um Curso de Metafísica instituído pelo autor na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 1969. Pub. na Revista Brasileira de Filosofia.// | ||
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