estudos:beaufret:start
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| + | ====== Beaufret ====== | ||
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| + | Beaufret, Jean (1907-1982) | ||
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| + | Um velho amigo de Heidegger, seu surpreendente livreiro Fritz Werner, fervoroso amante da poesia e cujo conhecimento da língua francesa não deixava a desejar em termos de refinamento, | ||
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| + | Isso deveria ser suficiente para dar uma ideia de quem era Jean Beaufret. Mas ele ainda não aparece na França como quem ele era, ou seja, o mais belo exemplo que se pode encontrar de um temperamento filosófico em estado puro. Isso é o que esconde o rótulo que lhe é atribuído, o de “introdutor de Heidegger na França”. O próprio Jean Beaufret provavelmente não se incomodava muito com isso; não procurar se destacar fazia parte de sua natureza. Dito isso, rótulos são enganadores. Esse em particular. Pois ele desvia a atenção do essencial: perceber realmente o que significava ter na França um filósofo desse calibre. | ||
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| + | Isso não escapou a Heidegger. Antes mesmo de conhecer Beaufret, ele já havia percebido algo. Frédéric de Towarnicki lhe trouxe dois artigos, publicados na revista Confluences (editada em Lyon por René Tavernier). Na primeira carta que envia a Beaufret, em 23 de novembro de 1945, Heidegger insiste na “alta ideia que você tem da filosofia em sua essência”. É nessa carta que ele destaca a observação sutil de seu interlocutor: | ||
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| + | Para poder pensar com proveito, não basta apenas escrever e ler; isso requer, acima de tudo, a συνοὐσία [estar de acordo para estar juntos], que é possibilitada pela conversa oral e pelo trabalho em que, ao ensinar os outros, aprendemos nós mesmos. | ||
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| + | Para quem vislumbra o que é a filosofia, fica claro que tudo já está no lugar. Jean Beaufret não terá mais descanso até conseguir encontrar esse interlocutor. Mas a guerra mal terminou; a ocupação dificulta a passagem da fronteira. Graças ao seu amigo, o comandante Joseph Katz, Beaufret consegue organizar uma viagem até Todtnauberg. Estamos na quinta-feira, | ||
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| + | A chegada de Jean Beaufret ao mundo de Heidegger teve, sem dúvida, um certo efeito surpresa. É certo que ele não foi, mesmo entre os que vinham da França, o primeiro a manifestar grande interesse pelo filósofo. Mas a particularidade única desse francês foi ter dado a Heidegger a oportunidade, | ||
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| + | A surpresa de Heidegger, ao que me parece, veio da percepção aguda, mas no fundo tranquilizadora — para esse homem tão comprometido com a solidão —, de que Jean Beaufret tinha vindo encontrá-lo para, se possível, trabalhar com ele. Essa surpresa não deixou de se aprofundar ao longo dos anos. O espanto que sentiu ao constatar quem era seu interlocutor transformou-se, | ||
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| + | Jean Beaufret era um questionador incansável. Sua grande surpresa, quando se viu diante de Heidegger, foi ver não apenas alguém que resistia à sua perseverança, | ||
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| + | Durante todo esse tempo, os dois mudaram, tornando-se cada vez mais profundamente o que eram um e outro. Na última carta que lhe enviou, oito dias antes de morrer, Heidegger fala simplesmente ao seu amigo sobre “esse questionamento que conduzimos juntos”. Graças a Jean Beaufret, o questionamento de Heidegger pôde se tornar algo mais do que o esforço de um único ser humano. O que mais? Talvez seja reservado a outros além desses dois experimentá-lo e, assim, aprendê-lo. | ||
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| + | Jean Beaufret, nascido na quarta-feira, | ||
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| + | François Fédier. [LDMH] | ||
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| + | * BEAUFRET, Jean. Dialogue avec Heidegger. Tome I-II. Paris: Minuit, 1973 | ||
| + | * Tome III. Paris: Minuit, 1974 | ||
| + | * Tome IV. Paris: Minuit, 1985 | ||
| + | * Entretiens. Paris: PUF, 1992 | ||
| + | * Le poème de Parmenide. Paris: PUF, 1955 | ||
| + | * Al encuentro de Heidegger. Caracas: Monte Avila, 1993 | ||
| + | * Leçons de Philosophie. Paris: Seuil, 1998 | ||
| + | * De l’existentialisme à Heidegger. Paris: Vrin, 1986/2000 | ||
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