estudos:barbaras:vida:rilke
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| + | ====== Rilke ====== | ||
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| + | //BARBARAS, Renaud. Introducción a una fenomenología de la vida: intencionalidad y deseo. Madrid: Ediciones Encuentro, S.A., 2013// | ||
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| + | * Uma fenomenologia da vida que respeite a condição do sujeito, que é parte do mundo e ao mesmo tempo sujeito para o mundo, deve confrontar-se com a unidade originária de um viver subentendido entre os polos do estar-em-vida e do senti-lo, pensando que a atividade perceptiva é uma atividade vital, ou seja, que a vida dos vivos se caracteriza por uma essencial transitividade. | ||
| + | * As filosofias de [[Ruyer]] e [[Jonas]], apesar de seus esforços para fundar a identidade entre consciência e vida, fracassam em seus intentos: Ruyer, ao identificar organismo e consciência como auto-sobrevoo, | ||
| + | * A partir desses fracassos, as condições do problema se precisam: é necessário enraizar a consciência na vida respeitando sua essencial transitividade perceptiva ou desveladora, | ||
| + | * A questão central é: como a vida, que é vida e não conhecimento, | ||
| + | * A solução que se impõe é que o alcance da vida deve exceder o da consciência humana, e a diferença humana deve ter o estatuto de uma negação ou privação, abandonando o prejuízo humanista de que há mais na humanidade do que na vida, para afirmar que a consciência perceptiva se enraíza na vida porque esta se caracteriza por uma abertura à transcendência cujo alcance excede amplamente o da percepção humana, e a diferença humana corresponde a uma privação, uma diminuição do que advém no plano da vida pura. | ||
| + | * A antropologia concebível é, portanto, uma antropologia privativa: o homem não provém de algo que se lhe acrescenta à vida, mas é a vida menos algo; sua diferença remete a uma privação, e a intencionalidade não é uma propriedade da consciência, | ||
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| + | **A perspectiva de Rilke** | ||
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| + | * A perspectiva da antropologia privativa encontra eco na poesia de [[litt> | ||
| + | * A criatura animal, com seus olhos plenos, vê o Aberto, que é o elemento da pura presença, da continuidade, | ||
| + | * A visão plena da criatura é um saber puro, que nem conhece nem analisa, e se deve ao fato de que a criatura está no Aberto, sendo levada por ele, existindo no modo da ausência de si, que é a outra face do habitar no Aberto; essa ausência de si é o que confere à criatura sua plenitude de ser. | ||
| + | * Em contraste, a mirada humana, que faz advir um mundo, é o que quebra a continuidade do Aberto, delimitando e conferindo forma, de modo que o mundo não é algo distinto do Aberto, mas o Aberto quando a mirada retrocede, e a coisa só adquire forma quando deixa de ser coisa para ser objetivada ou posta em frente, reconhecida. | ||
| + | * A mirada humana, que traz o distanciamento e o reconhecimento, | ||
| + | * Essa privação, no entanto, não é uma ausência ou defeito positivo, mas uma interrupção ou suspensão, uma inibição, que é um movimento de oposição, de inversão ou volteio, respondendo à chamada do Aberto, de modo que a negatividade da qual provém a humanidade é a de uma inibição originária, | ||
| + | * O Aberto não pode ser concebido como uma positividade, | ||
| + | * A distinção entre homem e criatura se dissolve, pois o Aberto está sempre já perdido, e não há criatura que não esteja já envolvida em um mundo, assim como a humanidade nunca está separada do Aberto, a quem se remete em uma nostalgia, e a relação com o Aberto é exposição mais do que coincidência, | ||
| + | * A unidade originária da vida pura e da consciência, | ||
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| + | **A inibição originária** | ||
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| + | * A relação do mundo com o Aberto e da mirada com a visão deve ser pensada de modo dinâmico, como uma tendência, de modo que a privação não seja tanto ausência ou defeito quanto interrupção ou suspensão, e a negatividade da privação não tem mais realidade que a de uma oposição a uma força contrária, um impulso reprimido em direção ao Aberto. | ||
| + | * O nascimento da consciência e do mundo procede de uma potência contrária, de uma inibição, e a antropologia negativa deve determinar a humanidade como proveniente de uma inibição da vida, sendo essa inibição originária, | ||
| + | * O Aberto não pode ser concebido como um plano positivo, mas como uma direção, uma hiância, e a vida, como vida no Aberto, é sempre uma autolimitação, | ||
| + | * A vida e a consciência correspondem a direções opostas, pois a consciência é oposição à vida, privação da vida, mas na medida em que essa privação é obra da mesma vida como vida no Aberto, vida e consciência vão no mesmo sentido, e a consciência procede da vida, sendo a unidade originária do Leben e do Erleben no viver marcada pela carência e pelo exílio característicos desse viver em sua relação com o Aberto. | ||
| + | * A percepção não é o ato de uma consciência, | ||
| + | * Graças a essa inversão de perspectiva, | ||
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