estudos:barbaras:fenomeno:quiasma
Differences
This shows you the differences between two versions of the page.
| estudos:barbaras:fenomeno:quiasma [12/07/2026 05:07] – created - external edit 127.0.0.1 | estudos:barbaras:fenomeno:quiasma [11/09/2026 04:01] (current) – external edit 127.0.0.1 | ||
|---|---|---|---|
| Line 1: | Line 1: | ||
| + | ====== Quiasma derradeiro ====== | ||
| + | |||
| + | //BARBARAS, Renaud. De l’être du phénomène. Grenoble: Jérôme Millon, 1991// | ||
| + | |||
| + | **O quiasma derradeiro** | ||
| + | |||
| + | * A questão do rapport entre o mundo da expressão e o mundo sensível se organiza em torno de saber se é o mesmo ser que percebe e que fala, sendo necessário reconhecer que é o mesmo sem que isso restabeleça o Cogito, o que exige superar tanto a filosofia do fato, tributária da atitude natural, quanto a filosofia da essência, situando-se no ponto de articulação entre percepção e palavra, orientação que preside à elaboração da noção de carne | ||
| + | * a citação inicial questionando se é o mesmo ser que percebe e que fala, e se isso não restabeleceria o Cogito | ||
| + | * o visível definido como exploração de um universo de ideias, presentação de um invisível, podendo ser concebido como palavra incoativa ou originária, | ||
| + | * a expressão não podendo ser oposta à ordem do sentir, sendo ainda uma modalidade dele, caracterizada como sublimação, | ||
| + | * a citação segundo a qual as Essências são Etwas do nível da palavra, como as coisas são Essências do nível da Natureza | ||
| + | * Reconhece-se uma analogia, um paralelismo entre percepção e expressão sem que se deva identificá-las pura e simplesmente, | ||
| + | * a citação segundo a qual não se pode falar nem de destruição nem de conservação do silêncio, a queda da visão silenciosa na palavra e a inscrição desta no campo do nomeável se dando sempre em virtude do mesmo fenômeno de reversibilidade | ||
| + | * a recusa de conferir ao visível uma positividade, | ||
| + | * sensível e inteligível compreendidos como dimensões cujo rapport se retoma sobre o modelo daquele que rege, no seio do sensível, entre suas partes, ambos sendo mundos no sentido merleau-pontiano de conjuntos fechados e representativos de todo o resto | ||
| + | * a citação sobre o tato e a visão como dois universos radicalmente distintos e no entanto transponíveis um no outro, sensível e inteligível funcionando como emblemas um do outro | ||
| + | * a exigência de que a unidade do sensível e do inteligível seja ao mesmo tempo sua diferença, pois é o mesmo que percebe e que fala mas é precisamente o Ser que ambos manifestam | ||
| + | * a impossibilidade de restituir o Ser além da diferença entre sensível e inteligível, | ||
| + | * a crítica à fenomenologia que reificava a diferença entre sensível e inteligível fundando-a em universos autônomos, ao passo que a diferença do Ser e do ente deve ser reconhecida como ela mesma não-ente | ||
| + | * o Ser definido como dimensão universal, dimensão de todas as dimensões, todo fato sendo dimensão e toda dimensão sendo fato para outra dimensão, em virtude da diferença ontológica | ||
| + | * a percepção e a expressão como dimensões últimas para o conjunto do campo fenomenal, sendo elas mesmas fatos para uma dimensão derradeira, a do Ser, eixo em torno do qual expressão e percepção se reencontram e se disjuntam | ||
| + | * a significação do quiasma derradeiro, o mundo sensível e o mundo inteligível envolvendo o Ser sem lhe serem outros, sendo esse justamente o meio pelo qual ele preserva sua profundidade absoluta | ||
| + | * a diferença absoluta entre o Ser e o ente só podendo ser compreendida como sua absoluta identidade, a carne designando em última instância o lugar onde a carne corporal e a carne gloriosa convêm ao se diferenciarem | ||
| + | * O universo pressentido por Merleau-Ponty deve ser representado como uma proliferação de quiasmas integrados segundo diferentes níveis de generalidade, | ||
| + | * a passagem da presença sensível solipsista à transcendência objetiva através da dimensão da sensibilidade universal, que constitui a intersubjetividade | ||
| + | * a transcendência objetiva não se esgotando na comunidade das consciências sensíveis, subsistindo apenas sob a forma da objetividade racional | ||
| + | * a distinção necessária entre o sensível em sentido restrito, exterioridade quase espacial, e o mundo sensível como sinônimo do Ser | ||
| + | * a experiência se fazendo expressão não por se transcender destruindo-se, | ||
| + | * a citação segundo a qual o Ser é o lugar onde os modos de consciência se inscrevem como estruturações do Ser, e onde as estruturações do Ser são modos de consciência | ||
| + | * É possível responder à questão do rapport entre o Ser e o mundo levantada por alguns comentadores, | ||
| + | * a citação da nota segundo a qual o invisível não é um outro visível, um positivo apenas ausente, mas [[lx> | ||
| + | * o Ser como invisível do mundo, tendo necessidade do mundo para permanecer irremediavelmente ausente, sem que mundo e Ser se confundam por isso | ||
| + | * o mundo não podendo ser compreendido como realidade positiva, sendo ao mesmo tempo dissimulação e apresentação do Ser, exatamente apresentação do impresentável | ||
| + | * o próprio do mundo sendo exceder-se sempre a si mesmo, permanecendo inatribuível e inapreensível, | ||
| + | * a experiência mundana sendo o elemento de que o Ser precisa para se retirar na invisibilidade, | ||
| + | |||
| + | {{tag> | ||
