estudos:barbaras:fenomeno:desejo
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| + | ====== Desejo ====== | ||
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| + | //BARBARAS, Renaud. De l’être du phénomène. Grenoble: Jérôme Millon, 1991// | ||
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| + | **O desejo** | ||
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| + | **O desejo como obra de carne** | ||
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| + | * Outrem é alter ego não como um outro eu distinto mas como um eu que é outro, a consciência sendo por princípio única ainda que, enquanto sensível e carnal, ela seja outra a si mesma, de modo que a intersubjetividade é a identidade do eu enquanto sinônimo de sua diferença e de seu afastamento a si, não havendo eu e outrem mas a experiência de outrem, o tecido intersubjetivo onde o sentido se disjunta em si mesmo ao se multiplicar em se fazendo mundo | ||
| + | * a alteridade do alter ego não recobrindo um rapport entre egos já constituídos, | ||
| + | * outrem devolvendo minha imagem, porém menos obscura, o eu se prelevando sobre outrem e se reconhecendo ao acessar a si mesmo nessa presença que o cerca | ||
| + | * O desejo prolonga e realiza a percepção imediata de outrem no mundo, sendo a primeira tentativa, por meio de outrem, de apropriação de si e das dimensões da visibilidade, | ||
| + | * a citação segundo a qual, pela primeira vez, os movimentos se dirigem ao corpo em geral e por ele mesmo, o corpo enlaçando outro corpo e, no trabalho paciente e silencioso do desejo, começa o paradoxo da expressão | ||
| + | * o desejo sendo desejo de si, fundamentalmente narcísico, e no entanto não negação do outro, pois entrar em si é também sair de si, as duas consciências buscando um cumprimento idêntico para ambas | ||
| + | * a reciprocidade fundamental do desejo, cada um acedendo, pela mediação do outro, a um si que não é nem seu nem alheio | ||
| + | * o nascimento, no desejo, de uma nova dimensão, a da sexuação, que não procede de uma diferença sexual prévia mas advém nele como parte de identidade conquistada, | ||
| + | * a citação segundo a qual o rapport eu-outrem deve ser concebido como papéis complementares dos quais nenhum pode ser exercido sem que o outro também o seja, masculinidade implicando feminilidade | ||
| + | * a aproximação com a psicanálise, | ||
| + | * O desejo é apenas o esboço da expressão, articulação entre uma vida perceptiva e uma vida expressiva, na qual a cisão entre o eu e o outro permanece mantida, a apropriação de si pela mediação de outrem desembocando na experiência de um corpo onde finalmente se ausenta a consciência que se desejava fazer nascer, de modo que o desejo é caracterizado, | ||
| + | * a promessa de harmonia sentida na estreiteza do contato carnal, onde a resistência do corpo do outro desaparece junto com a opacidade do mundo, ainda que essa harmonia permaneça sem conteúdo próprio | ||
| + | * a discordância quanto à significação verdadeira desse fracasso, que para Merleau-Ponty não decorre de outrem ser um objeto mas do fato de a expressão permanecer inacabada na relação de desejo | ||
| + | * o desejo entendido, contra Sartre, como palavra ainda muda dirigida ao outro, expressão incoativa e membrura comum onde cada um se reencontra no outro permanecendo carne contra o corpo do outro | ||
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| + | **Psicanálise e fenomenologia** | ||
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| + | * As declarações de Merleau-Ponty sobre o rapport entre psicanálise e fenomenologia convergem com a análise do desejo, o freudismo confirmando a fenomenologia em sua descrição de uma consciência que é antes investimento do que conhecimento, | ||
| + | * a citação da Prefácio ao livro do Doutor Hesnard sobre Freud, segundo a qual o freudismo confirma a fenomenologia em sua descrição de uma consciência que não é tanto conhecimento quanto investimento | ||
| + | * a tributação de Freud a uma concepção cartesiana da consciência, | ||
| + | * a intenção verdadeira de Freud, segundo Merleau-Ponty, | ||
| + | * o desejo compreendido não restritivamente como obra da sexualidade mas como busca do fora no dentro e do dentro no fora, poder global e universal de incorporação | ||
| + | * o sentido verdadeiro do inconsciente freudiano não residindo na atribuição de um lugar, mas confundindo-se com a abertura carnal que faz aparecer algo permanecendo na ignorância do que aparece | ||
| + | * a citação segundo a qual uma filosofia da carne se opõe às interpretações do inconsciente em termos de representações inconscientes, | ||
| + | * o inconsciente como punctum caecum da consciência, | ||
| + | * A análise freudiana do desejo evidencia o caráter originário da relação a outrem, sobre cujo fundo se estrutura a identidade psíquica através de identificações, | ||
| + | * a citação segundo a qual o inconsciente está entre as coisas como o intervalo das árvores entre as árvores ou como seu nível comum, sendo a Urgemeinschaftung de nossa vida intencional, | ||
| + | * Essa abordagem do inconsciente lança luz nova sobre temas centrais da psicanálise, | ||
| + | * a citação sobre a interpretação superficial do freudismo segundo a qual as fezes não são causa, o rapport com as fezes constituindo antes uma ontologia concreta na criança | ||
| + | * a impossibilidade de manter a oposição entre o normal e o patológico como reino da representação contra reino da pulsão, a patologia permanecendo um modo de configuração do mundo | ||
| + | * a citação segundo a qual as dimensões são as armaduras desse mundo invisível que, com a palavra, começa a impregnar as coisas que vemos, como o outro espaço, no esquizofrênico, | ||
| + | * a possibilidade de restituir, nessa perspectiva, | ||
| + | * A carne pode ser caracterizada como desejo e a relação às coisas ou aos outros como acasalamento, | ||
| + | * a citação segundo a qual a reforma da consciência faz com que as intencionalidades não objetivantes deixem de estar subordinadas ou dominantes, as estruturas da afetividade sendo constituintes tanto quanto as outras | ||
| + | * a impossibilidade de dar conta do desejo senão retomando-o além da alternativa entre a consciência fenomenológica e a libido freudiana, como momento de uma carne universal e de uma teleologia expressiva | ||
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