estudos:barbaras:experiencia:objetivismo
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| + | ====== Objetivismo ====== | ||
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| + | //BARBARAS, Renaud. Le tournant de l’expérience: | ||
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| + | **Merleau-Ponty e a raiz do objetivismo husserliano** | ||
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| + | * O propósito não é avaliar a leitura merleau-pontiana de Husserl a partir de uma suposta verdade objetiva da fenomenologia husserliana, | ||
| + | * a citação segundo a qual deve haver um meio-termo entre uma história da filosofia objetiva, que mutilaria os grandes filósofos daquilo que deram a pensar aos outros, e uma meditação disfarçada de diálogo | ||
| + | * a impossibilidade de que Merleau-Ponty tenha encontrado em Husserl apenas o que ali colocou, havendo sempre sinais que convidam e justificam retrospectivamente a projeção | ||
| + | * A leitura merleau-pontiana de Husserl caracteriza-se por uma alternância entre rejeição e reivindicação, | ||
| + | * esse passo, tematizado na Krisis, sendo a questão-em-retorno sobre o mundo da vida dado de antemão, solo recoberto pela matematização galileana da natureza | ||
| + | * a questão de como essas duas atitudes podem coexistir em Merleau-Ponty, | ||
| + | * A acusação de inconsequência dirigida a essa nova redução da Krisis percorre toda a obra de Merleau-Ponty, | ||
| + | * a citação segundo a qual, se a [[lx> | ||
| + | * a citação de O filósofo e sua sombra segundo a qual a descida ao domínio de nossa arqueologia não pode deixar intactos nossos instrumentos de análise, nossa concepção de [[lx> | ||
| + | * Aos olhos de Husserl, a racionalidade moderna nasce de uma mutação nas matemáticas que se resume na conquista do infinito, sendo o objeto matemático produto de uma idealização por passagem ao limite num processo infinito | ||
| + | * o gesto galileano consistindo em estender essa idealização à totalidade da Natureza, sendo Galileu ao mesmo tempo descobridor e recobridor, substituindo-se de imediato o mundo matemático das idealidades ao mundo da experiência | ||
| + | * a citação de Galileu segundo a qual, onde quer que tal método tenha sido elaborado, também se venceu graças a ele a relatividade das apreensões subjetivas | ||
| + | * A determinação husserliana do Lebenswelt é decepcionante, | ||
| + | * a citação segundo a qual o mundo como mundo da vida já tem pré-cientificamente as mesmas estruturas que as ciências objetivas pressupõem como estruturas apriorísticas | ||
| + | * o comentário de Granel segundo o qual os textos husserlianos fazem apenas um leve arranhão no solo de primitividade | ||
| + | * a citação segundo a qual o mundo é o todo das coisas repartidas na forma mundana do espaço-tempo, | ||
| + | * a crítica husserliana do objetivismo atingindo apenas a forma físico-matemática desse objetivismo, | ||
| + | * Um verdadeiro retorno ao mundo da vida supõe que a própria objetidade seja neutralizada, | ||
| + | * a citação inédita segundo a qual o ser não deve ser evidenciado apenas por seu desvio em relação ao ser da Ciência, mas por oposição ao ser como Objeto, opondo-se a ambos a [[lx> | ||
| + | * a noção de forma-limite sustentada por certa ideia de infinito como o que pode se desdobrar sob forma de processo, falando Merleau-Ponty com razão de objetivação do infinito | ||
| + | * a citação segundo a qual houve passagem ao infinito como infinito objetivo, o que era tematização e esquecimento da Offenheit, do Lebenswelt, sendo preciso retomar impulso aquém | ||
| + | * a idealização do infinito de Offenheit sob a forma de série percorrível sendo a matriz que comanda todas as outras idealizações | ||
| + | * No capítulo Interrogação e intuição, Merleau-Ponty centra sua análise na questão das essências, mostrando que o caráter eidético da ontologia husserliana comanda e compromete toda a démarche | ||
| + | * a contradição entre a determinação da essência como entidade positiva suscetível de intuição e a necessidade de proceder a uma variação para alcançá-la | ||
| + | * a citação inédita de junho de 1959 sobre o [[lx> | ||
| + | * a citação segundo a qual o invariante, por só ser captado pela variação, está para as variantes assim como o móvel está para o movimento | ||
| + | * É porque Husserl não percebe a raiz e portanto a unidade do objetivismo que o mundo da vida permanece um mundo de objetos, resultado de uma idealização, | ||
| + | * A redução no sentido merleau-pontiano consistirá, | ||
| + | * a filosofia definida como redução a operar sobre todas as idealizações e a ontologia como elaboração das noções que devem substituir a de subjetividade transcendental | ||
| + | * a necessidade de compreender primeiro o que funda o pensamento objetivo, captar o gesto fundamental de que procedem as categorias comuns ao Lebenswelt husserliano e à ciência | ||
| + | * Herdando de [[sofia> | ||
| + | * a citação bergsoniana segundo a qual digo a mim mesmo que poderia, deveria mesmo não haver nada, e então me admiro de que haja algo | ||
| + | * o desdém da metafísica pela duração decorrendo de que uma existência que dura não é forte o bastante para vencer o nada, daí a determinação essencialista do Ser | ||
| + | * Uma leitura atenta de O visível e o invisível mostra que é sob esse ângulo que são criticados os diversos pensamentos ali abordados, residindo a raiz última e a unidade do objetivismo na precessão implícita do nada sobre o Ser | ||
| + | * a citação sobre reduzir verdadeiramente uma experiência à sua essência exigindo recuar ao fundo do nada | ||
| + | * a citação sobre a coisa natural, longe de ser a coisa de nossa experiência, | ||
| + | * a nota inédita de fevereiro de 1959 reconhecendo que Bergson tem razão na crítica ao nada, errando apenas por não ver que o ser que obtura o nada não é o ente | ||
| + | * o positivismo da essência que caracteriza o pensamento husserliano sendo a contrapartida de um negativismo radical inerente ao pensamento metafísico, | ||
| + | * essa atitude sendo inerente ao pensamento metafísico por ser um traço da ação, que vai sempre da ausência à presença, do vazio ao pleno | ||
| + | * Podemos agora retomar os momentos constitutivos do objetivismo ou positivismo husserliano: | ||
| + | * a citação inédita de setembro de 1958, labirinto da ontologia, segundo a qual essa subordinação do possível lógico não é de modo algum um atualismo, sendo antes reabilitação do possível | ||
| + | * a bifurcação entre atual e possível, consequência do primado do nada, impedindo pensar tanto a existência quanto a essência em seu sentido próprio | ||
| + | * A atualidade pela qual o aparecer é definido é a negação do que nesse aparecer aparece, devendo a essência, intemporal por definição, | ||
| + | * a citação segundo a qual a fenomenologia é uma ontologia que sujeita tudo o que não é nada a se apresentar à consciência | ||
| + | * o comentário de Granel segundo o qual essa atitude dissolve o parecer e o sempre-já de sua articulação ontológica material pela suposição de uma noite da indeterminação | ||
| + | * A posição prévia do nada está na origem de um positivismo ontológico que se apresenta sob três formas articuladas por um jogo de compensações alternadas: positivismo da essência, positivismo da localização, | ||
| + | * a absoluidade do nada inicial tendo por contrapartida a plenitude de determinação da essência, negada na existência atual, por sua vez negada na positividade da consciência | ||
| + | * O infinito, raiz de toda idealização, | ||
| + | * a citação segundo a qual o verdadeiro infinito não pode ser esse, devendo ser o que nos ultrapassa, infinito de Offenheit e não [[lx> | ||
| + | * a nota inédita sobre estar à distância do percebido, o que não é um transcendente pois por princípio não pode ser posto fora de sua distância | ||
| + | * A redução merleau-pontiana radicaliza o gesto husserliano ao evidenciar o solo dessas idealizações que são a essência, a existência, | ||
| + | * a citação inédita de junho de 1959 sobre admitir uma espécie de redução, não redução ao sentido mas redução à Weltthesis prepessoal e metapessoal, | ||
| + | * ao abandonar o conceito de essência, abandona-se também a determinação da existência como simples atualidade, reconhecendo o mundo como universalidade que envolve todo possível | ||
| + | * a citação sobre a variação eidética não fazendo passar a uma ordem de essências separadas, mas dando um invariante estrutural cuja [[lx> | ||
| + | * É essa existência no modo singular do parentesco ou da generalidade concretas que o conceito de carne nomeia, podendo a ontologia do último Merleau-Ponty ser descrita como ontologia da carne, ainda que ela permaneça, em sua elaboração, | ||
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