estudos:barbaras:experiencia:henry
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| + | ====== Michel Henry ====== | ||
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| + | //BARBARAS, Renaud. Le tournant de l’expérience: | ||
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| + | **O sentido da autoafecção em Michel Henry e Merleau-Ponty** | ||
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| + | * Em A essência da manifestação, | ||
| + | * a passividade da consciência natural pressupondo e ocultando a passividade ontológica da consciência pura diante do horizonte tridimensional do tempo | ||
| + | * a citação segundo a qual a afecção originária da transcendência não pelo mundo mas pelo ato que o forma é a condição e o fundamento de toda afecção ontológica | ||
| + | * a afetividade sendo a essência da autoafecção, | ||
| + | * Essas conclusões situam-se no ponto de convergência de duas convicções: | ||
| + | * o traço afetivo presente já na sensação correspondendo à dimensão não representativa do vivido, ao momento da afecção como tal | ||
| + | * A referência à filosofia de Merleau-Ponty desempenha papel importante em M. Henry, testemunhando essa filosofia, por suas ambiguidades, | ||
| + | * a dissimulação da essência como imanência radical não sendo evento contingente, | ||
| + | * a filosofia de Merleau-Ponty testemunhando por excelência esse movimento ao desqualificar a consciência intelectual em favor de uma corporeidade sinônima de existência | ||
| + | * M. Henry reconhece a exatidão dessas descrições mas afirma que deixam na sombra um problema essencial: como esse corpo que sabe um mundo se sabe a si mesmo | ||
| + | * a questão de M. Henry sendo, contudo, expressão de um pressuposto, | ||
| + | * M. Henry instalando uma clivagem entre um corpo que seria apenas contato com o mundo e um si que só teria a ver consigo mesmo, restaurando a dualidade da alma e do corpo | ||
| + | * M. Henry desenvolve sua crítica no terreno do conhecimento do corpo por si mesmo, retomando o exemplo de Condillac sobre a mão exploradora | ||
| + | * a citação segundo a qual o corpo original não é o corpo desenhado pela mão mas a própria mão em seu deslocamento, | ||
| + | * o conceito de corpo ficando dilacerado entre determinações incompatíveis: | ||
| + | * A denúncia por M. Henry das ambiguidades merleau-pontianas erra o alvo, pois a fórmula eu sou meu corpo não significa que o corpo seja um eu, mas que o eu possui um corpo e é, nessa medida, seu corpo | ||
| + | * a citação de M. Henry segundo a qual, privado de sua interioridade radical, o corpo não é mais que existência, | ||
| + | * as fórmulas de Merleau-Ponty não testemunhando recusa da imanência mas uma abordagem desta como problema, anunciando uma superação do dualismo em que M. Henry funda sua crítica | ||
| + | * Os longos desenvolvimentos de Merleau-Ponty sobre o autoconhecimento do corpo evidenciam o caráter abstrato da oposição entre um poder explorador que se afeta a si mesmo e um corpo tocado na exterioridade | ||
| + | * a mão tocada se tornando carne no instante mesmo em que o toque a apreende como objeto, emigrando a sensibilidade da mão exploradora para o corpo-objeto | ||
| + | * essa reversibilidade não atestando o postulado da interioridade, | ||
| + | * O pensamento carrega em si a essência que nega, sendo inevitável que a imanência recusada por Merleau-Ponty retorne no seio da descrição, | ||
| + | * a citação segundo a qual é preciso que o ato pelo qual tenho consciência de algo seja apreendido no instante mesmo em que se realiza, sem o que se quebraria | ||
| + | * essa menção não devendo ser lida como pressentimento da ipseidade absoluta, mas como persistência da categoria de subjetividade dentro de uma filosofia que visa contestá-la | ||
| + | * M. Henry mostra que, na Fenomenologia da percepção, | ||
| + | * esse recurso visando conter o risco de naturalismo, | ||
| + | * M. Henry, ao identificar univocamente a transcendência fenomenal à exterioridade objetiva, compreendendo o recurso à consciência como repli para uma contratranscendência radical | ||
| + | * A citação completa mostra que é essencial à visão apreender-se numa espécie de ambiguidade e obscuridade, | ||
| + | * a ambiguidade da consciência nomeando o movimento intencional que a dilacera, um sentir que nasce no próprio objeto sentido | ||
| + | * M. Henry inverte pura e simplesmente o sentido dos conceitos merleau-pontianos ao interpretar os qualificativos de saber latente, pré-consciente, | ||
| + | * a essência da imanência, para Merleau-Ponty, | ||
| + | * A leitura de M. Henry é conduzida sob o pressuposto de uma dualidade insuperável entre exterioridade e imanência pura, ao passo que Merleau-Ponty ressaisce a imanência como um problema apreendido na própria experiência do corpo próprio | ||
| + | * a autodoação do corpo próprio aparecendo como inseparável de uma transcendência originária, | ||
| + | * a presença a si sendo ausência de si, não havendo contato consigo senão pelo afastamento em relação a si, sendo a presença a si presença a um mundo diferenciado | ||
| + | * O eu que percebe é ninguém, o anônimo, essa negatividade que escava seu sulco no mundo para fazê-lo aparecer, não sendo nós que percebemos mas a coisa que se percebe ali | ||
| + | * o sentir só se cumprindo como tal transbordando de si mesmo, sendo simultaneamente cúmulo de subjetividade e cúmulo de materialidade | ||
| + | * Essa transcendência não deve ser confundida com o ser-estendido-diante da exterioridade objetiva, cuidando Merleau-Ponty de distinguir a transcendência do visível, profundidade sem máscara ôntica, da exterioridade do em-si | ||
| + | * o quiasma merleau-pontiano designando esse duplo movimento pelo qual o sentir se ausenta de si para dar lugar a um mundo mas se reencontra sob a forma de um mundo aparecente | ||
| + | * a fenomenalidade sendo Sensível em si no duplo sentido do que sente e do que se sente, Ser que contém também sua negação, seu percipi | ||
| + | * Para Merleau-Ponty, | ||
| + | * as coisas sendo tiradas de minha substância, | ||
| + | * o esforço constante do pensamento merleau-pontiano fundando a possibilidade de um universo de idealidade no seio da transcendência fenomenal, atravessado de afetividade | ||
| + | * Se a fenomenalidade originária releva de uma afetividade, | ||
| + | * a carne só se afetando ao deixar-se afetar pelo mundo, não podendo distinguir-se autoafecção e transcendência segundo uma relação de fundamento a fundado | ||
| + | * a citação sobre a carne do mundo sendo indivisão desse Ser sensível que sou e de tudo o mais que se sente em mim, indivisão prazer realidade | ||
| + | * Não se deve concluir dessa essência afetiva da transcendência fenomenal a uma identificação pura e simples do sensitivo e do afetivo, pois a sensação dá lugar a um processo de objetivação que a desafeta sem cindi-la da prova carnal | ||
| + | * essa desafeição sendo ainda modalidade afetiva, residindo aí a significação verdadeira da imanência, que só tem sentido como teleologia | ||
| + | * A filosofia do último Merleau-Ponty permite desfazer o laço que une afetividade, | ||
| + | * podendo caracterizar-se essa afetividade, | ||
| + | * a presença da carne ao mundo e do mundo à carne sendo presença por investimento, | ||
| + | * A confrontação entre M. Henry e Merleau-Ponty revela ao mesmo tempo grande proximidade e grande distância, tentando ambos surpreender no nível da carne o surgimento originário do fenômeno através de um modo de conhecimento afetivo e não reflexivo | ||
| + | * a citação de Merleau-Ponty segundo a qual o redobramento quase reflexivo do corpo, tocar-se tocante, ver-se vidente, não converte o que apreende em objeto nem coincide com uma fonte constituinte da percepção | ||
| + | * a citação de M. Henry segundo a qual o sentimento se sente, é dado a si mesmo de tal maneira que se apresenta sempre já dado a si mesmo | ||
| + | * A aparente proximidade recobre divergência radical quanto ao estatuto da fenomenalidade, | ||
| + | * M. Henry, não distinguindo entre representação e ekstase, reduzindo a fenomenalidade carnal à pura imanência sob pretexto de que não pode ser confundida com uma doação em exterioridade | ||
| + | * o sentimento sendo, para Merleau-Ponty, | ||
| + | * Se o conteúdo do sentimento é ele mesmo, sem conteúdo além de seu próprio sofrer, nenhuma passividade pode lhe ser atribuída e ele deixa de ser sentimento, confundindo-se com a coincidência intelectual | ||
| + | * havendo nele um sofrer que o ultrapassa, sendo preciso então abrir a esfera da imanência e compreender essa passividade originária como o primeiro advento de um mundo | ||
| + | * M. Henry buscando um fundamento da fenomenalidade, | ||
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