1.G. Anfang
G. O primeiro início
92. A aletheia, como primeira emergência da essência partente do ser enquanto início relativo ao evento, funda-se no fato de que, em geral, a clareira emerge como desocultamento, permanecendo ao mesmo tempo a essência velada e recebendo sua determinação a partir dos entes e da singularidade do ser.
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a singularidade é apreendida a partir da reunião — precursora do koinón — em relação ao permanente, não a partir da amplitude do evento
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nesse mé, a singularidade do ser é trazida a um desocultar, ainda que seu fundamento não possa ser experimentado inceptualmente
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o mé ón é aquilo que jamais poderia ou pode “ser” um ente, emergir como ente, cabendo perguntar se seria a sombra que sempre acompanha os entes ou a primeira iluminação do próprio ser, e por que já inceptualmente se coloca esse “não” ao lado do ón
93. Mostrar o primeiro início ilumina a relação com o inceptual, sendo esse mostrar já um pensar para o primeiro início ao iluminar a verdade do ser, a partir da qual o início ocorre mais inceptualmente agora e no futuro, exigindo o primeiro início o outro início — do contrário não seria o primeiro —, exigência que não é carência, mas a riqueza inesgotada do que é primeiro, a qual abrange unicamente o caráter preliminar do início.
94. A inefabilidade velada do primeiro início eventua na experiência de que o seer é, sendo o “que é” relativo ao evento primeiro iluminado como aletheia, residindo no puro “que é” o evento inceptual, experiência que significa suportar, sem apoio nos entes, o fato de que o ser se ilumina em sua distância abissal, que uma clareira se essencializa, e significa permanecer sem enunciação.
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a dor da separação inceptual, o horror do abismo e a bem-aventurança da partida constituem a dor inceptual como unidade original de horror e bem-aventurança, não como composto de ambos
95. O humano existe como intrigado pelo “ser”, existe como tendo se acomodado aos entes, existe como predisposto ao ser — tudo a partir da aletheia como “o mesmo”.
96. O primeiro início aparece, em sua inceptualidade, sobretudo na transição para o outro início, transição experimentada na experiência do declínio da metafísica, o que só eventua no conhecimento da essência histórica desta.
97. Nem todos os pensadores do começo do pensamento ocidental são pensadores inceptuais, não se sabendo se os pensadores inceptuais que reconhecemos são os únicos existentes no começo.
98. A desentranha a partir da reviravolta ainda inexperimentável constitui o primeiro início, sendo a aletheia “physis” na qual o próprio velamento é velado, de tal modo que a pura emergência aparece e parece ser pura presença.
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na aletheia assim essencializada reside necessariamente o aspecto exterior (dokeîn) da presença, sendo os ta dokoûnta entes, cada qual na presença separada e individuada
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a doxa é o aparecer mais próximo da physis-aletheia, aparecendo um ente (dokeî) na emergência aletheia-physis, tomados os entes mesmos como o auto-mostrante
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sobre a doxa, o ser (physis) torna-se ideia, pois agora o ser é apreendido apenas a partir dos entes, e não mais, como no início, os entes a partir do ser
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no primeiro início, que deve emergir uma vez, a inceptualidade permanece velada, relacionando-se a verdade (do ser) veladamente ao velado e sendo o desvelamento da emergência, isto é, desvelamento como emergência, essencializando-se aí já o abandono do semblante, do aparecer e do parecer, sobretudo porque a emergência, apreendida por si mesma, exige que a apreensão seja puro deixar-aparecer
99. Deve-se começar de imediato pelos comentários aos ditos — Anaximandro, Parmênides, Heráclito — somados à preparação de todo o manuscrito 40-41, dizendo o essencial sob o semblante de mera conjectura: aletheia-physis-hen, logos-noein, sendo o hen, aparentemente o mais vazio e geral, proveniente da plenitude essencial e singularidade da aletheia, diferente respectivamente em Anaximandro, Parmênides e Heráclito e, contudo, unitário no mesmo.
