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obra:ga62:9

§9

B. Interpretação de “Metafísica” A 1 e A 2

§ 9. Obtenção de uma compreensão do sentido pleno da atitude questionadora e pesquisadora da filosofia aristotélica como tarefa preliminar

a) Acesso interpretativo, apropriação e guarda do objetual como maneiras nas quais o sentido é tido na vida. “Fenômeno” como a categoria fundamental formal-indicativa, referente ao objetual, da objetualidade regional específica “vida”

A tarefa preliminar consiste em obter uma compreensão do sentido pleno da atitude questionadora e pesquisadora da filosofia aristotélica, de modo a abrir uma perspectiva na qual as interpretações das investigações ontológicas de Aristóteles devem ser inseridas. A pesquisa é algo que, por seu caráter de objeto e de ser, pode ser interpretada em termos de sentido. O sentido tem seu modo de acesso na interpretação, e o que se visa sob o título “pesquisa” torna-se acessível de modo genuíno e originário na interpretação.

  • Os objetos que têm o caráter de ser do sentido (não apenas objetos determinados pelo sentido) são denominados “fenômenos”. “Fenômeno” é a categoria fundamental formal-indicativa, referente ao objetual e não ao ser, da objetualidade regional específica “vida”, cuja função é fixar o dado na interpretação para, então, desaparecer com a elevação e guarda dos sentidos como objetualidade.
  • O acesso interpretativo, a apropriação e a guarda são maneiras nas quais o sentido é tido. Há objetos que não são apenas tidos compreensivamente, mas que se é no compreender, e que só chegam ao seu ser próprio nesse compreender (na guarda). O objeto dessa excepcional maneira de ser (do ter) é o que é como sentido.
  • O sentido é uma categoria fundamental que designa o respectivo “como” do ser de um ente com o caráter de ser da vida humana. Seu ser está no “mais ou menos”, e esse “mais ou menos” é, para ele mesmo, sua possibilidade de ser propriamente tido.
  • O sentido é, na maioria das vezes, impróprio, sendo tido nas maneiras particulares de certa interpretação, na opinião corrente sobre ele, no papel que representa no mundo. O ter sentido pode, conforme a execução da interpretação, mover-se para uma interpretação mais própria ou dela se afastar.
  • O sentido pleno de um fenômeno deve ser apreendido de tal modo que sua objetualidade teórica desapareça decisivamente. Cada sentido é passível de ser interpretado em sua multiplicidade de sentidos, e a conexão para essa multiplicidade não é uma determinação que a abarca, mas a própria multiplicidade, a partir de si mesma, de modo que uma determinada direção de sentido é compreendida como dominante.

b) O método autêntico da pesquisa científico-espiritual e filosófica em delimitação contra a técnica da interpretação

Não há esquematismo nem técnica da interpretação e de seus níveis. O equívoco mais funesto para as ciências do espírito e para a filosofia é supor que o rigor de seu método possível se alcança e se assegura numa técnica de procedimento. Onde a técnica determina o sentido do método, isso é expressão do medo impotente diante das coisas, e a técnica na metodologia das ciências do espírito é uma “logração” organizada.

  • Deixar falar as próprias coisas é também o princípio metodológico formal na pesquisa filosófica, mas isso é mais difícil, e quando se domina a dificuldade com uma técnica, não se deixa mais as coisas falarem, mas o aparato e o operacionalismo.
  • Um obstáculo decisivo contra a técnica, seu crescimento excessivo e o encobrimento das questões de acesso, só é superado quando o método autêntico está em obra, ou seja, vive propriamente nas coisas.
  • A dificuldade fundamental reside na obtenção, apropriação e guarda da prévia apreensão, bem como na formação da crítica radical contra-ruinante, e, secundariamente, na articulação conceitual, que deve ser radicalmente refletida para compreender a problemática da prévia apreensão.
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