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obra:ga62:8

§8

§ 8. Tradução de “Metafísica” A 2 (Determinação do compreender propriamente dito (sophia))

a) As apreensões factuais (hypolepseis) em relação ao compreender (982 a 4-21)

A tarefa é investigar sobre que tipo de causas e princípios recai a sophia. Para isso, partem-se das opiniões correntes sobre o sábio, que o caracterizam por cinco traços fundamentais.

  • O sábio sabe tudo na medida do possível, embora não tenha um conhecimento detalhado de cada coisa em particular.
  • Ele é capaz de conhecer o que é difícil e não facilmente acessível aos homens, ao contrário da sensação, que é comum e não constitui sabedoria.
  • Ele é mais preciso (akribesteron) e mais capaz de ensinar as causas em qualquer campo do saber.
  • A ciência buscada por si mesma e pelo puro ver é mais propriamente sophia do que aquela buscada por seus resultados práticos.
  • A sophia exerce uma função diretiva (archikotera) sobre a ciência servil, pois o sábio deve comandar e não ser comandado.

b) As apreensões nas maneiras do compreender elucidativo e seu sentido uno (982 a 21 - b 11)

α) O sentido do “mais” (malista) elucidativo do compreender propriamente dito (982 a 21 - b 7)

O sábio que sabe tudo deve possuir a ciência do universal (katholou), pois conhece, de certo modo, todos os subjacentes (hypokeimena). Esse universal é o mais difícil de conhecer por estar mais distante das sensações. As ciências mais rigorosas (akribestatai) são as que versam sobre os primeiros princípios, como a aritmética em relação à geometria, por procederem de menos pressupostos. O saber e o determinar por si mesmos pertencem maximamente à ciência do maximamente cognoscível, que são os primeiros princípios e as causas (aitia), pois é por eles e a partir deles que as outras coisas são conhecidas. A ciência mais arquitetônica é a que conhece o fim em vista do qual cada coisa deve ser feita, sendo este o bem em cada caso, e o melhor em toda a natureza.

β) O sentido uno e mesmo da sophia (982 b 7-11)

Todas essas opiniões remetem a uma única e mesma ciência, aquela que versa sobre os primeiros princípios e causas, pois o bem e o “aquilo em vista de quê” estão entre as causas. A sophia não é poiética, mas teorética, como se evidencia pela conduta dos primeiros que filosofaram. O termo “filosofia” expressa a Ruinanz (fuga diante da privação) como motivação, enquanto a pesquisa fenomenológico-existencial tem como motivo a decisão contra-ruinante.

c) Determinação mais precisa da sophia como maneira meramente teorética (982 b 11-28)

α) A investigação da sophia por meio do espanto (thaumazein) (982 b 11-21)

Os homens começaram a filosofar pelo espanto, admirando primeiro as dificuldades mais próximas e, em seguida, as maiores, como os fenômenos da lua, do sol e a gênese do todo. Quem está perplexo admite sua ignorância, e essa perplexidade é expressão do desejo de ver mais claramente. O filósofo é, de certo modo, um amigo do mito, que é feito de coisas admiráveis. Portanto, buscaram o saber para conhecer, e não para qualquer utilidade prática, para escapar de um “ainda não estar no claro”.

β) A sophia como puro ver por si mesmo (982 b 21-28)

Testemunha isso o fato de que tal filosofia só começou a ser procurada quando já estavam disponíveis as coisas necessárias e as que servem ao repouso e ao lazer. Busca-se a ciência sem nenhuma utilidade exterior, como o homem livre existe para si mesmo e não para outro; esta é a única ciência livre, pois existe por si mesma.

d) Justificação da investigação da sophia como posse teorética (982 b 28 - 983 a 23)

A posse da sophia pode ser considerada, com razão, como não humana, pois a natureza humana é servil em muitas coisas. A opinião comum diz que a sophia é a mais divina das ciências, e que o deus é causa e princípio, sendo esta a única ciência digna de Deus. Embora todas as outras sejam mais necessárias, nenhuma é melhor. A aquisição da sophia deve conduzir ao estado contrário do início, que era o espanto, levando à compreensão de que nada há de extraordinário, como quando o geômetra não se espanta com a comensurabilidade da diagonal. O “ser” (physis) da sophia e o alvo da investigação e de todo o método estão, portanto, determinados.

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