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obra:ga61:3.1

3.1 Categorias fundamentais da vida

Categorias fundamentais da vida

A expressão “vida”, enquanto nome e substantivo, possui um significado rico e autônomo, delineável em três perspectivas que articulam a unidade da sequência e temporalização dos modos de “viver”, a extensão dessa unidade, sua multiplicidade de execução e sua originariedade ou distanciamento da origem.

1) A vida significa a unidade da sequência e da temporalização dos dois modos de “viver” anteriormente mencionados, unidade tomada em sua extensão total ou delimitada, em sua multiplicidade total ou parcial de execução e em sua respectiva originariedade ou distanciamento da origem.

2) A vida, apreendida como essa unidade sequencial delimitada, significa algo que, em sentido específico, carrega junto a si possibilidades, em parte temporalizadas enquanto em si mesma e para si, configurando-se ela própria como possibilidade, categoria a ser apreendida de modo rigorosamente fenomenológico e sem relação com a possibilidade lógica ou apriórica.

3) A vida compreendida num significado em que os dois sentidos anteriores se entrelaçam mutuamente designa a unidade da extensão na possibilidade e como possibilidade, tomada ao mesmo tempo como realidade e, quiçá, como realidade em sua intransparência específica enquanto poder e destino.

Nesses três significados substantivos fixam-se indicações estruturais de mútua dependência, a saber, o caráter múltiplo da extensão, da unidade sequencial e da execução, a articulação como possibilidade exposta à possibilidade e formuladora de possibilidade, e ainda a realidade enquanto poder em sua intransparência, isto é, enquanto destino.

  • O caráter múltiplo da extensão, da unidade sequencial e da execução constitui a primeira indicação estrutural.
  • A articulação como possibilidade, exposta à possibilidade e formuladora de possibilidade, constitui a segunda indicação.
  • A realidade enquanto poder em sua intransparência, ou seja, enquanto destino, constitui a terceira indicação.

Nos significados verbais e nominais fixos da expressão “vida” pulsa, no círculo das direções de expressão indicadas, um sentido próprio que perpassa tudo, a saber, vida = Dasein, Ser na e através da vida, sentido esse que se manifesta de maneira fraca e extraviada e cuja apropriação interpretativa filosófica permanece por isso fragmentária ou impostada e resolvida ao modo de construção.

  • O sentido vida = Dasein pulsa de maneira fraca e extraviada, e na maioria das vezes não se lhe dá ouvido.
  • Disso decorre que a apropriação interpretativa filosófica desse sentido permanece fragmentária, ou então é impostada e resolvida ao modo de construção.

Esse sentido deve ser destacado nos nexos conjunturais de significado mencionados, na medida em que o nível metodológico da consideração atual o admite, destaque a ser conquistado em conjugação com uma articulação fundamental e mais precisa do fenômeno “vida”, conduzindo a mirada na direção daquilo que se faz co-presente nesse fenômeno como tal e que deve ser co-concebido nele mesmo com sentido.

  • O destaque desse sentido depende de uma articulação fundamental e mais precisa do fenômeno “vida”.
  • Tal articulação exige conduzir a mirada na direção daquilo que se faz co-presente no fenômeno “vida” como tal.
  • Esse co-presente deve ser co-concebido no próprio fenômeno com sentido.
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