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2.1

1. CAPÍTULO

A tarefa da definição

1. A questão “O que é filosofia?”, quando formulada no próprio início de uma investigação filosófica e destinada a determinar seu Ansatz (ponto de partida), não pode ser resolvida nem mediante a fuga para compromissos conciliatórios nem pela adoção imediata de uma definição pronta, pois as dificuldades que cercam sua formulação indicam precisamente que ainda não foram esclarecidos o sentido principial da pergunta, o caráter peculiar daquilo que nela deve ser determinado e o modo de acesso pelo qual a filosofia pode tornar-se genuinamente apreensível; a tarefa definicional exige, portanto, explicitar simultaneamente o que significa definir, como algo filosófico pode ser definido e em que experiência fundamental uma definição propriamente filosófica pode originar-se.

  • O filósofo encontra-se diante dessa pergunta com frequência especial porque seu filosofar possui o caráter de um recomeçar constante: não se dispõe da filosofia como de um domínio já garantido cujo conceito pudesse simplesmente ser pressuposto.
  • Duas formas opostas de desvio aparecem desde o início: a tarefa pode ser subestimada, considerando-se desnecessário esclarecer previamente o que é filosofia, ou superestimada, fazendo-se da obtenção de uma definição completa uma preparação tão extensa que o próprio filosofar jamais chega a começar.
  • Nenhuma conciliação intermediária entre subestimação e superestimação resolve a dificuldade, porque o erro não consiste numa quantidade excessiva ou insuficiente de reflexão, mas no modo como a própria tarefa é compreendida.
  • A análise das duas tendências somente pode ter função preparatória: o sentido adequado não resulta de cortar os excessos de ambas e combinar seus fragmentos “corretos”, pois até essa seleção já necessitaria de uma direção principial que ainda deveria ser conquistada.
  • A primeira forma de subestimação toma as ciências positivas como modelo e considera as discussões sobre o conceito de filosofia meras especulações lógico-metodológicas improdutivas, recomendando que também a filosofia simplesmente comece a trabalhar sobre objetos concretos.
  • Matemática e filologia podem aparentemente dispensar extensas reflexões sobre seu próprio conceito porque já operam dentro de uma orientação fundamental historicamente formada, mas transferir esse modo de proceder para a filosofia pressupõe sem crítica que filosofia e ciência particular possuam o mesmo caráter de objeto e o mesmo modo de acesso.
  • A recusa da reflexão principial pode nascer, assim, de uma Fremdheit und Unempfindlichkeit gegenüber dem Prinzipiellen, uma estranheza e insensibilidade diante do principial, que não é condição necessária da investigação concreta e pode justamente impedir a formação e preservação de uma Vorhabe (posição prévia).
  • A segunda subestimação parte do extremo oposto: porque a filosofia seria algo “mais profundo” e “mais elevado” do que ciência, recusaria por princípio qualquer definição e somente poderia ser “vivenciada”.
  • A oposição entre cientificismo e exaltação do “vivenciar” é apenas aparente, pois ambas dispensam o trabalho radical de esclarecer de que modo a filosofia se torna acessível e o que significa apropriar-se dela.
  • A superestimação também possui duas formas: busca-se primeiro uma definição maximamente geral, capaz de abranger todas as figuras historicamente conhecidas da filosofia, e simultaneamente exige-se que ela satisfaça rigorosamente os critérios da lógica escolar.
  • Esse projeto conduz a comparações com a história inteira da filosofia, às diferentes disciplinas — lógica, ética e outras — e às delimitações frente às ciências, à arte e à religião, esperando-se obter uma definição segura antes de iniciar a elaboração propriamente filosófica.
  • Tanto a superestimação quanto a subestimação conservam, porém, uma intenção autêntica: a primeira percebe que filosofia necessita de orientação principial desde o início, enquanto a segunda reconhece que nenhuma definição, divisão disciplinar ou arquitetura sistemática substitui o filosofar concreto.
  • Conhecer uma fórmula sobre filosofia, saber enumerar suas disciplinas ou explicar sua organização sistemática ainda não significa ter compreendido seu sentido nem estar efetivamente em condições de filosofar.
  • A questão decisiva não consiste, portanto, em corrigir uma posição pela outra, mas em determinar positivamente de que maneira cada uma compreende inadequadamente Definition, Definitionsaufgabe e Philosophie.

A. O duplo desvio na superestimação

a) A ideia não crítica de definição

  • A primeira superestimação adota sem crítica como norma filosófica uma ideia de definição formada dentro de determinada lógica formal e exige que o sentido de filosofia seja determinado segundo estruturas conceituais que pertencem originariamente a outros tipos de objeto.
  • A fórmula definitio fit per genus proximum et differentiam specificam somente possui validade própria para objetos cujo modo de apreensão permite determiná-los mediante gênero próximo e diferença específica; utilizá-la como norma universal significa antecipar silenciosamente que filosofia possui a mesma estrutura objetiva desses objetos.
  • O exemplo “a rosa é uma planta, a planta é um organismo” mostra o domínio em que essa forma de definição pode funcionar legitimamente, mas justamente por isso se torna necessário perguntar se filosofia é um Gegenstand (objeto) do mesmo caráter de uma rosa, coisa ou entidade classificável.
  • Mesmo a afirmação de que a filosofia infelizmente não poderia satisfazer essa norma continua prisioneira da mesma ideia, porque ainda a conserva como modelo ideal de definição.
  • Antes de decidir se filosofia pode ser definida, deve ser recuperado o sentido originário de definitio, do qual a definição lógico-escolar representa apenas uma derivação determinada.
  • Definitio significa decisio e determinatio: declarar, manifestar e indicar aquilo que deve ser sustentado e acreditado; por isso, a definição plena não se reduz ao conteúdo proposicional de uma sentença, mas inclui o modo específico de sua apreensão.
  • A definição corrente tende a fornecer o objeto como definitivamente determinado, de modo que exemplos adicionais apenas ilustram algo cujo sentido já estaria completamente estabelecido.
  • Nem toda definição, porém, possui essa função conclusiva; existem definições que dão o objeto inicialmente de maneira indeterminada precisamente para abrir o Vollzug des Verstehens (realização da compreensão) pelo qual sua determinação apropriada poderá ser alcançada.
  • Uma definição desse tipo não encerra o processo de determinação, mas inaugura-o e precisa indicar corretamente direção, condições de acesso e situação do objeto.
  • A fenomenologia, por isso, não pode ser definida segundo o modelo corrente, e na filosofia não há definições desse gênero quando os próprios objetos filosóficos exigem outra Weise des Gehabtwerdens (maneira de serem tidos).
  • Cada objeto possui um modo genuíno de ser tido, uma Weise des Zugangs (maneira de acesso), uma modalidade de Sich-an-ihn-Halten (manter-se junto dele) e também uma Weise des Verlierens (maneira de perdê-lo).
  • O perder não constitui simplesmente o contrário exterior do ter; ele próprio é um determinado Wie des Habens (modo de ter), e justamente as maneiras habituais de perder o objeto podem constituir aquilo em que ordinariamente se vive sem perceber sua problematicidade.
  • A problemática da Faktizität (facticidade) adquirirá importância principial precisamente porque acesso, posse, preservação e perda do objeto pertencem ao modo concreto em que este é experienciado.
  • Os modos de apreensão cognoscitiva não são operações posteriormente acrescentadas a uma posse previamente constituída; o próprio modo de ter o objeto já é uma maneira de abordá-lo e de fazê-lo falar segundo determinado sentido.
  • Em cada Haben (ter) há, portanto, uma forma de Ansprechen (abordagem discursiva) do objeto: no próprio ter já “se fala” dele de algum modo.
  • O ter genuíno pode exigir que esse falar se torne explícito e que, dentro da situação de posse, o Was (o quê) do objeto seja determinado a partir do Wie (como) de seu ser tido.
  • A tarefa da definição nasce sempre de uma Habenssituation (situação de ter), isto é, de uma situação de experiência fática e de Dasein; compreendida radicalmente em sentido existencial, aí se encontra a origem da pesquisa fenomenológica das categorias.
  • Definir significa, então, abordar o objeto de tal maneira que ele seja levado a um determinado Zum-Haben-Bringen, isto é, seja colocado em uma Vorhabe (posição prévia) adequada para a continuação da investigação.
  • O sentido formal de Definition passa a consistir numa determinação do Was-Wie-Sein (ser-o-quê-e-como) do objeto, ajustada à situação e ao Vorgriff (concepção prévia), enraizada numa Grunderfahrung (experiência fundamental) que precisa ser conquistada.
  • Situação, Vorgriff e Grunderfahrung não funcionam como elementos externos que acompanham a definição, mas constituem as condições internas segundo as quais aquilo que se define pode aparecer em seu modo próprio.
  • A ideia de definição obtida pela interpretação fenomenologicamente radical do conhecer possui sentidos diferentes conforme os nexos de experiência e conhecimento nos quais atua, sendo mais originária do que a ideia formalista da lógica escolar.
  • A definição filosófica não é um caso particular submetido a uma ideia formal anterior de definição; ao contrário, a definição filosófica é originária, a ideia formal surge dela por Formalisierung (formalização) e as definições das ciências derivam dela de maneiras específicas.
  • Como filosofia não é uma Sache (coisa), sua definição principial precisa possuir caráter anzeigend (indicativo): não deve encerrar o objeto num conteúdo, mas indicar aquilo de que se trata e a direção em que sua apropriação precisa efetivar-se.
  • A definição filosoficamente principial é formal-anzeigend (formal-indicativa): permanece indeterminada quanto ao conteúdo pleno, mas determina a direção do Vollzug (realização) e funciona como Vor-kehrung, uma precaução que impede que a compreensão se fixe prematuramente no conteúdo.
  • Essa formalidade não significa pobreza arbitrária, mas uma vinculação na qual a direção de realização está determinada sem que o fenômeno tenha sido previamente congelado numa determinação temática.
  • A definição fenomenológica possui uma existenzielle Zeitigung (temporalização existencial): a compreensão deve percorrer retrospectivamente, a partir da Grunderfahrung, o caminho inicialmente indicado até que situação, Vorgriff e tarefa de pesquisa categorial se tornem explicitamente problemáticos.
  • A experiência fundamental existencial não é apenas pressuposto metodológico, mas aquilo que deve ser concretamente assumido na Bekümmerung (preocupação), pois nela se decide a direção originária da investigação.
  • A lógica da apreensão, a conceitualidade empregada e o modo de determinar o objeto precisam ser extraídos da maneira como o próprio objeto se torna originariamente acessível.
  • A situação da vida em que o objeto é experienciado e a Grundintention (intenção fundamental) que antecipadamente orienta a experiência para ele participam constitutivamente da definição.
  • A chamada lógica “formal” tampouco é realmente desprovida de pressupostos materiais, pois sua problemática surge historicamente da orientação para determinadas regiões objetuais e para determinada tendência cognoscitiva de ordenação e reunião.
  • O erro da definição tradicional consiste em aplicar de fora uma Bestimmungsnorm (norma de determinação) cuja proveniência não foi criticamente examinada, deformando antecipadamente a Erfassungstendenz (tendência de apreensão).
  • Essa aplicação automática torna-se possível porque falta a Grunderfahrung em que o próprio filosofar poderia vir à linguagem; na ausência dela, acumulam-se opiniões e sentenças históricas e escolhe-se entre elas segundo costume, gosto, necessidade, comodidade ou moda.
  • Quando a experiência fundamental não inclui a explicitação imanente da própria tarefa filosófica, uma problemática radical da lógica é reprimida e a tradição permanece presa a formas derivadas de lógica sem reconduzi-las à sua origem.
  • A observação acerca de Aristóteles e Kant mostra que a afirmação kantiana de que a lógica não teria avançado nem recuado desde Aristóteles permanece vinculada ao conceito estreito de lógica escolar e, por isso, ainda se move dentro de uma lógica pseudoaristotélica cuja proveniência não foi radicalmente interrogada.

b) O desconhecimento do sentido de “princípio”

  • A segunda forma de superestimação nasce de uma intenção autêntica — reconhecer que a filosofia deve esclarecer desde o princípio o que quer e que algo principial precisa ser alcançado em sua definição —, mas transforma sem crítica Prinzip (princípio) no geral ou universal máximo sob o qual todos os casos particulares deveriam ser subsumidos.
  • O princípio é inicialmente intuído corretamente como aquilo a partir do qual algo “é” em seu modo e do qual algo depende, mas essa intuição é deformada quando se identifica Prinzip com Allgemeinstes, o mais geral que vale para todos os casos.
  • A definição de filosofia passa então a ser procurada como conceito supremo capaz de abranger todas as disciplinas e todas as formas históricas de filosofar, garantindo que nenhuma delas permaneça fora de seu alcance.
  • A preocupação dominante torna-se assegurar que tudo “encaixe” com a tradição, que não apareçam contradições nem círculos e que a definição satisfaça antecipadamente a multiplicidade recebida.
  • A própria tradição, entretanto, pode já estar dada numa interpretação superficial, e a tentativa de adaptar a definição a ela apenas consolida uma compreensão previamente não examinada.
  • Cada objeto possui uma Weise des Habens (modo de ter), uma Weise des Zugangs (modo de acesso), uma maneira de preservação e uma maneira de cair em perda; somente dentro dessa estrutura pode esclarecer-se em que sentido algo funciona como princípio.
  • O princípio não é principial simplesmente porque ocupa a posição mais alta numa classificação, mas porque possui algo “a dizer” para algo e em relação a algo.
  • O caráter principial de um objeto depende, portanto, do Wofür (para-quê) em relação ao qual ele funciona como princípio.
  • Uma prinzipielle Definition (definição principial) precisa determinar o Was-Wie-Sein do objeto justamente na perspectiva de seu princípio-ser, fazendo aparecer primeiramente o Wie em que ele funciona como princípio.
  • Na definição principial, o Wiesein (modo-de-ser) do objeto enquanto Prinzipfungieren (funcionar como princípio) constitui sua determinação essencial mais própria.
  • Esse Wiesein somente é realmente compreendido quando a definição remete necessariamente ao Wofür para o qual o objeto é princípio.
  • Sem essa correlação entre princípio e Wofür, o princípio torna-se tema isolado e perde precisamente seu caráter principial.
  • O conteúdo definicional deve fornecer uma Weisung (indicação diretiva) para acesso, apropriação e preservação do objeto, orientando a maneira em que ele precisa ser tido.
  • O princípio é genuinamente possuído quando a própria compreensão assume a direção de realização para aquilo de que ele é princípio, e não quando simplesmente transforma o princípio em objeto temático de conhecimento.
  • A correlação formal entre princípio e Wofür é uma abstração fenomenológica de um nexo de sentido e deve ser compreendida como indicação de uma possibilidade de Prinzipfungieren, não como esquema universal autossuficiente.
  • O princípio genuíno, existencial-filosoficamente considerado, somente pode ser conquistado na Grunderfahrung da Leidenschaft (paixão), na qual permanece inicialmente não esclarecido e precisa ser trazido à claridade.
  • Agir “aus Prinzip”, de fora e sem paixão, mediante reflexão exterior, significa já ter perdido o princípio; como assinala Kierkegaard, “por princípio” pode-se ser e ter qualquer coisa.
  • Prinzipienunempfindlichkeit (insensibilidade ao principial) possui dois sentidos: pode-se não cuidar absolutamente de algo principial, ou pode-se até possuí-lo, mas não possuí-lo prinzipiell, isto é, segundo seu modo principial próprio.
  • Ter genuinamente o princípio significa temporalizá-lo esclarecedoramente dentro da Leidenschaft ainda não esclarecida e preservá-lo em Behalt, o que exige primeiro conquistar a própria Grunderfahrung.
  • A definição principial varia conforme o Was-Wie-Sein do objeto, conforme seu modo genuíno de ser tido e conforme a relação entre objeto e modo de posse.
  • Princípios diferentes podem exigir modos historicamente distintos de apropriação; pode ser necessária uma primeira remissão, depois um Rückgang in Grunderfahrung (retorno à experiência fundamental) e somente daí o surgimento genuíno do princípio.
  • A maneira de apropriar-se de um princípio caracteriza, portanto, uma determinada geistige Lage (situação espiritual).
  • A superestimação percebe corretamente a necessidade de orientação principial, mas desconhece simultaneamente o caráter do objeto filosofia, a forma de funcionamento do princípio e a necessidade de remissão ao Wofür.
  • Quando as determinações definicionais são transformadas em temas autônomos a serem demonstrados, o Wofür torna-se secundário e o percurso definicional prolonga-se indefinidamente.
  • A busca de um conceito geral que se aplique a todos os casos converte necessariamente aquilo para que o princípio vale em Sache (coisa) e aquilo para o que ele aponta em “caso”.
  • Na lógica grega dos objetos, uma coisa é apreendida segundo gênero, região e modo de ter sido produzida, constituída ou levada ao ser; ao aplicar essa estrutura à filosofia, coloca-se antecipadamente filosofia sob um Vorgriff inadequado.
  • O Vorgriff que trata filosofia como Sache converte-se, portanto, em Fehlgriff (apreensão equivocada), porque determina antecipadamente o objeto segundo um caráter que não corresponde à sua maneira originária de ser.
  • A mesma Fehltendenz aparece tanto na adoção da definição por gênero e diferença quanto na busca do conceito mais geral: em ambos os casos, filosofia é submetida a uma Gegenstandslogik (lógica do objeto) apropriada para coisas.
  • A referência abstrata à “prática” ou à “ação” não corrige esse erro; quando utilizada para escapar da pesquisa radical de categorias, apenas abandona a problemática principial que deveria ser enfrentada.
  • A referência crítica a Jaspers indica precisamente o perigo de recorrer à prática para evitar a radikale Kategorienforschung (pesquisa radical das categorias).
  • A crítica à época contemporânea não se dirige simplesmente contra técnica, decadência ou metafísica, mas contra o discurso que fala de Abfall (queda) e Technisierung (tecnização) sem transformar positivamente em problema os fenômenos nos quais, para os quais e pelos quais a queda se realiza.
  • Bergson e Spengler aparecem como exemplos de diagnósticos cuja linguagem permanece insuficiente enquanto não se esclarece a estrutura fenomenológica concreta do processo descrito.
  • Os motivos histórico-espirituais que levam a filosofia a cair em perda de sua facticidade e a apresentar-se como Sache somente poderão ser esclarecidos quando seu Gegenstandssinn (sentido de objeto) for genuinamente acessado e possuído.
  • Somente nesse acesso originário se tornará evidente que a própria colocação da filosofia como coisa constitui um Fehlgriff.
  • As categorias decisivas permanecem ausentes porque filosofia não é procurada nas experiências pelas quais e nas quais ela efetivamente é.
  • O horizonte adequado anuncia-se como Erhellung des faktischen Lebens (esclarecimento da vida fática), näher como verstehende Erhellung (esclarecimento compreensivo) e, em sentido principial, prinzipiell verstehende Erhellung (esclarecimento principialmente compreensivo).

B. A subestimação da tarefa da definição

  • A subestimação reconduz aos mesmos defeitos fundamentais da superestimação, mas procura escapar deles enfatizando o concreto contra reflexões lógicas vazias e contra imposições formalistas; essa defesa do concreto só se torna filosoficamente legítima, contudo, quando se esclarece o que significa Konkretion (concreção), de que princípio ela recebe sua direção e como sua realização pertence à própria definição principial.

a) A decisão pela “atividade concreta”

  • Decidir-se por “atividade concreta” já significa decidir-se por determinado Wie des Arbeitens (modo de trabalhar), ainda que o sentido dessa decisão não seja explicitamente tematizado.
  • A escolha de um campo como psicologia, o modo de conceber seus objetos, as estruturas conceituais utilizadas, os critérios de fundamentação e clareza, a relação com a história e o horizonte geral do conhecimento já configuram antecipadamente aquilo que será reconhecido como concreto.
  • “Concreto” não pode ser explicado simplesmente pela oposição lógico-formal entre concreto e abstrato, porque essa oposição já pertence a uma Sachlogik (lógica de coisas) previamente determinada.
  • Pelo sentido do termo, concretum é aquilo que se forma mediante Zusammenwachsen, um crescer-em-conjunto e adensar-se no qual as determinações pertencem a um nexo pleno.
  • Um objeto é tido concretamente quando suas determinações são apreendidas em seu Fügungs- und Verdichtungszusammenhang, no nexo integral de articulação e condensação, chegando ao Struktursinn (sentido estrutural) do objeto pleno.
  • A concreção inclui, portanto, a plenitude das determinações de Was e Wie, não a simples acumulação de materiais particulares.
  • Aquilo que será considerado “concreto” depende da concepção prévia do que é essencial no objeto, do que nele importa e de como ele é “im Prinzip” tomado.
  • Descartar a reflexão principial significa receber de outra parte, conscientemente ou não, o sentido de concreto e o modo de investigação concreta.
  • A subestimação da reflexão principial pode então transformar a pesquisa concreta em simples trabalho sobre matéria abundante e variada, valorizada apenas por não parecer “abstração lógica”.
  • A primeira modalidade dessa subestimação toma as ciências como modelo de investigação concreta mediante determinada Wertschätzung (valoração) de seu estilo de funcionamento.
  • Impressionam o Betrieb (atividade institucional), a produção contínua de novidades, a dificuldade técnica dos resultados, o crescimento do conhecimento, a contribuição para o desenvolvimento humano e a imagem do homem como descobridor poderoso.
  • A ciência é então avaliada principalmente por seu estado atual, por seu sucesso e por sua produtividade visível, enquanto sua proveniência principial permanece encoberta.
  • A aparente capacidade das ciências de dispensar reflexões principiais e ainda assim produzir resultados abundantes reforça a convicção de que a filosofia deveria imitá-las.
  • Essa avaliação permanece dependente de Stimmung (disposição), preferência, interesse e reconhecimento social, enquanto as questões lógico-metodológicas parecem cansativas e pouco “úteis”.
  • Desconhece-se, porém, que justamente por meio da problemática principial se pode “começar” aquilo que é fundamental.
  • Toda ciência realizou, em seu nascimento, alguma decisão principial e continua vivendo sobre esse fundamento, inclusive nas formas específicas pelas quais pode desviar-se.
  • O estado atual das ciências não pode ser elevado imediatamente a modelo da pesquisa concreta, pois seria primeiro necessário determinar de que caráter são seus objetos e em que Wie são intencionados.
  • Também permanece aberta a questão mais radical de saber se aquilo que vale para as ciências pode valer para filosofia ou se a relação entre ambas deve ser compreendida inversamente.
  • Quando o padrão de pesquisa filosófica é extraído da aparência externa e contingente do funcionamento científico, desenvolve-se uma Unempfindlichkeit gegenüber dem Prinzipiellen (insensibilidade diante do principial).
  • O principial passa então a parecer mero “programa”, “moldura” ou “grade” diante da riqueza efetiva dos resultados e da abundância da matéria.
  • A reação contra esse formalismo pode repetir exatamente o mesmo erro se simplesmente exaltar o “concreto” sem esclarecer sua proveniência principial.
  • O problema não reside na problemática dos princípios como tal, mas na adoção não crítica de determinada ideia de princípio e de sua fixação.
  • A chamada atividade concreta pode degenerar em hábil Stoffbewältigung (domínio de material) e combinação de orientações heterogêneas sem unidade originária.
  • Se a Konkretion pertence essencialmente à filosofia, a definição principial precisa trazer em si mesma a Verweisung auf die Konkretion (remissão à concreção).
  • Compreender a definição deve, segundo seu próprio Vollzugs- und Zeitigungssinn (sentido de realização e temporalização), conduzir à concreção, e não permanecer na fórmula.
  • O concreto é justamente aquilo para o qual o princípio funciona como princípio: ele constitui o Wofür que não pode ser eliminado da definição principial.
  • Não se segue daí ainda qual seja o Wie concreto do percurso; apenas se estabelece que a direção não pode ser extraída da imitação das ciências nem de sua simples negação.
  • A análise das formas de subestimação não fornece por si uma instrução positiva completa, mas permite localizar os momentos autênticos nelas contidos.
  • Essa localização corresponde, ao lado da Destruktion (destruição), a uma phänomenologische existenzielle Topik (tópica existencial fenomenológica), pela qual cada tendência é reconduzida ao lugar de sentido que lhe pertence.
  • A definição principial da filosofia e dos objetos filosóficos deve determinar seu Was-Wie considerando Zeitigung (temporalização), Ansatz (ponto de partida), Zugang (acesso), Aneignung (apropriação), Verwahrung (preservação) e Erneuerung (renovação).
  • O conteúdo definicional precisa enfatizar a Prinzip-Seinsfunktion, a função de ser-princípio, e indicar a concreção que necessariamente deve ser apropriada.
  • A definição principial é anzeigend (indicativa) porque seu conteúdo não deve tornar-se tema autônomo: a compreensão precisa seguir a Sinnrichtung (direção de sentido) indicada.
  • Uma definição filosófica completa é existenziell formal-anzeigend und prinzipiell: existencial, formal-indicativa e principial.
  • O caráter de Anzeige impede o Vollzug de cair na atitude objetivante que transforma imediatamente o conteúdo em objeto fixado.
  • Dizer que uma definição é indicativa impõe uma tarefa determinada à compreensão de seu conteúdo, embora deixe inicialmente indeterminado o Wie integral do caminho.
  • Justamente porque é indicativa, a definição não entrega plena e propriamente o objeto, mas o apresenta principialmente de maneira que sua plena concreção apareça como tarefa de uma realização específica.
  • A determinação formal da indicação fornece a instrução positiva para compreender como essa abertura deve funcionar.
  • Formal angezeigt (formalmente indicado) não significa mera alusão vaga ou representação provisória que deixaria livre qualquer modo posterior de acesso.
  • O “formal” contém uma positividade diretiva dentro de sua própria Uneigentlichkeit (impropriedade): aquilo que permanece vazio quanto ao conteúdo determina simultaneamente a Vollzugsrichtung (direção de realização).
  • A formale Anzeige (indicação formal) contém Bindung (vinculação): coloca a compreensão em determinada direção inicial e exige que o indicado impropriamente seja realizado e preenchido segundo essa direção.
  • Quanto mais radicalmente se compreende o caráter formal e inicialmente vazio da indicação, mais rico pode tornar-se o acesso, porque o vazio não reduz o fenômeno, mas encaminha para sua concreção.
  • Não se deve completar artificialmente a indicação com conteúdos supostamente faltantes, pois sua “vacuidade” é justamente aquilo que impede a fixação prematura e conserva a direção principial.
  • “Formal” não significa materialmente pobre, e tampouco coincide com eidetisch (eidético); sua compreensão exige uma interpretação existencial do próprio sentido do formal.
  • O formal designa o Ansatzcharakter (caráter de ponto de partida) da temporalização pela qual o indicado deve alcançar seu preenchimento originário.
  • Formal e anzeigend são inseparáveis na filosofia: o formal é o próprio Bestimmungsansatz (ponto de partida determinativo), não uma “forma” à qual se acrescentaria depois um conteúdo.
  • O objeto, determinado segundo seu Wie des Prinzipseins (modo de ser-princípio), encontra-se inicialmente em um uneigentliches Haben (ter impróprio), formalmente indicado e orientado para a Zeitigung des eigentlichen Habens (temporalização do ter próprio).
  • Em determinados objetos, o eigentliche Haben (ter próprio) é radicalmente um Sein (ser), isto é, não simples posse cognitiva, mas efetivação existencial do próprio Vollzug.
  • A situação inicial da definição não é aquela em que o objeto já se oferece plenamente; sua importância consiste justamente em constituir a Ausgangssituation (situação de partida) da movimentação realizativa em direção à apropriação plena.
  • Essa função exige que o Ansatz seja efetuado com rigor radical: a indicação formal não justifica generalidades vagas, mas requer Strenge in jeder Faser, rigor em cada fibra.
  • A adequação da definição ao objeto não possui, na situação inicial, evidência plena e originária; ela deve ser assumida em sua Fraglichkeit (questionabilidade).
  • Transformar a questionabilidade do início em argumento para arbitrariedade é tão inadequado quanto transformar o conteúdo definicional em tema a ser exaustivamente demonstrado.
  • O fundamento próprio da filosofia é o radikale existenzielle Ergreifen und die Zeitigung der Fraglichkeit, a apreensão existencial radical e a temporalização da questionabilidade.
  • Colocar a si mesmo, a vida e as realizações decisivas dentro da Fraglichkeit constitui o Grundergriff (apreensão fundamental) da Erhellung (esclarecimento) mais radical.
  • O ceticismo assim compreendido não é suspensão exterior ou dúvida escolar, mas Anfang (começo) da filosofia e, enquanto começo genuíno, também seu Ende (fim).
  • Essa questionabilidade não deve converter-se em contemplação romântico-trágica de si nem em fruição reflexiva da própria profundidade.
  • Na pesquisa filosófica não basta saber como demonstrar; é decisivo saber quando a situação para uma discussão genuína foi efetivamente conquistada.
  • A discussão somente pode iniciar-se propriamente quando a definição foi compreendida em sua função indicativa e quando o acesso à ursprüngliche Evidenzsituation (situação originária de evidência) foi realizado.
  • Nessa situação será decidido se as exigências de demonstração inicialmente dirigidas à definição possuíam algum sentido.
  • A situação do acesso originário ao Was-Wie-Sein da filosofia é simultaneamente a situação da Urentscheidung der Vollzüge des Philosophierens, a decisão originária das realizações do filosofar enquanto existência.
  • Os próprios sentidos de Erweis (prova), Fragen (questionar), Forschung (pesquisa) e Methode (método) precisam ser extraídos dessa definição formal-indicativa, e não importados de outros domínios.

b) Filosofia como “vivência”

  • A segunda forma de subestimação percebe confusamente algo verdadeiro ao afirmar que filosofia somente pode ser “vivenciada”, pois remete, ainda que de maneira indeterminada, à Evidenzsituation der Urentscheidung (situação de evidência da decisão originária), à Grunderfahrung e ao Vollzugszusammenhang pelo qual essa situação é conquistada.
  • O erro começa quando essa experiência é substituída por Schwärmerei (entusiasmo exaltado), que admira exteriormente as “profundidades” de grandes filosofias e confunde exaltação diante do profundo com radicalidade metodológica da problemática principial.
  • A filosofia exaltada pode permanecer como experiência privada sem possibilidade de comunicação, ou procurar produzir nos outros determinados estados mediante estilo, forma literária, ornamentação e adequação às necessidades culturais do momento.
  • A aparência de profundidade torna-se particularmente sedutora quando se adapta à demanda contemporânea por linguagem religiosa e metafísica.
  • Se filosofia deve comunicar-se na Mitwelt (mundo compartilhado), sua indicação precisa possuir Verstehbarkeit (compreensibilidade) capaz de colocar os outros diante de uma decisão correspondente à situação.
  • Precisamente porque visa algo principial, essa comunicação precisa ser radical e rigorosa em sua forma de compreensão, demonstração e apresentação.
  • A intenção exaltada de alcançar uma Urentscheidung pode converter-se na expectativa de que filosofia forneça uma espécie de “salvação” histórica, deformando a Grunderfahrung em promessa cultural ou espiritual.
  • Mesmo quando se reconhece corretamente a importância da situação fundamental de experiência, permanece o risco de concebê-la como lugar fixo ao qual se poderia chegar exteriormente.
  • A Grunderfahrungssituation não é um ponto temporal-espacial estável, comparável a um destino geográfico; sua conquista ocorre na própria Zeitigung des Zugangs (temporalização do acesso).
  • Ao efetuar-se a decisão, como no Ergreifen der Bekümmerung um Dasein (apreender a preocupação com o Dasein), as dificuldades fundamentais não terminam, mas propriamente começam.
  • A situação conquistada não é “costa salvadora”, mas salto para um barco à deriva no qual ainda é necessário segurar as cordas e reconhecer o vento.
  • O reconhecimento das dificuldades abre o horizonte genuíno sobre o faktisches Leben (vida fática).
  • A decisão somente se torna filosoficamente fecunda quando sua estrutura é apropriada de tal modo que nela e a partir dela o existente se torne capaz de ver.
  • A Grunderfahrung motiva a Zeitigung des Philosophierens (temporalização do filosofar) justamente porque não elimina a problematicidade, mas a torna visível.
  • Se a ciência genuína permanece na Fraglichkeit e na problemática, a filosofia não pode reivindicar caminho mais cômodo.
  • Agarrar filosoficamente a filosofia significa ser lançado na absolute Fragwürdigkeit (questionabilidade absoluta) e tornar-se capaz de vê-la como tal.
  • O Boden (solo) não é suporte previamente existente; ele próprio se temporaliza na apropriação da questionabilidade.
  • Ergreifen (apreender) significa Bekümmerung: introduzir-se concretamente, mediante a tarefa explícita da pesquisa, numa decisão radical.
  • A verdadeira Leidenschaft (paixão) do filosofar não consiste em representar o mundo como “profundo” ou interpretar simbolicamente sua totalidade, mas em sustentar radicalmente a questionabilidade principial.
  • A subestimação falha, portanto, pela ausência do radical Fragen (questionar), quer se entusiasme pelo modelo científico de pesquisa, quer pelas supostas “profundidades” da vida.
  • Ambas as modalidades carecem da Grunderfahrungssituation decisiva e não deixam que sua ideia de Erhellung seja determinada pelo próprio campo de objetos e pelo caráter dos Vollzüge a esclarecer.
  • Superestimação e subestimação subsistem por causa de sua Zweideutigkeit (ambiguidade): a primeira simula determinação lógica, rigor e radicalismo; a segunda simula riqueza de vivência, profundidade e originariedade.
  • Sua combinação pode produzir filosofias que parecem reunir rigor e profundidade, embora ambas as dimensões tenham sido compreendidas inadequadamente.
  • Uma tendência desconhece o radicalismo da lógica genuína, a outra a originariedade da concreção plena, e ambas desconhecem sobretudo a pertença essencial entre esses dois momentos.
  • A raiz comum encontra-se na não apropriação da situação de compreensão própria da filosofia e na suposição de que essa situação estaria simplesmente disponível.
  • A geistige Situation (situação espiritual) contemporânea caracteriza-se por particular distância da Verstehenssituation filosófica e, simultaneamente, por uma orientação que leva essa distância a uma superfície niveladora.
  • Esse Abfall manifesta-se no nivellierte Auffassen und Erfahren (apreender e experienciar nivelados) associado ao “historisches Bewusstsein” (consciência histórica).
  • O resultado são oposições híbridas — filosofia científica, filosofia profética, ciência, filosofia, formação de visão de mundo, filosofia de visão de mundo científica ou filosofia rigorosa orientada por visão de mundo — que apenas reproduzem uma situação não esclarecida.

c) Conceito de filosofia

  • Não existe revelação que entregue de uma vez o que filosofia é e deve ser; somente pode ser mostrado que algo como filosofia “pode” existir e que sua possibilidade se refere ao faktisches Leben (vida fática), cuja existência contém uma necessidade de esclarecimento que não se deixa converter numa exigência doutrinária ou numa definição exteriormente imposta.
  • A questão da possibilidade da filosofia precisa ser colocada a partir da vida fática: onde e para quê filosofia pode ser, se ela deve ser e em que sentido esse “deve” pertence a uma existência que já facticamente está aí.
  • A ruinante Flucht in die Welt (fuga ruinante para o mundo) manifesta uma tendência de afastamento do objeto próprio, e nesse contexto aparece o sentido positivo da Re-duktion de Husserl como movimento de recondução.
  • A única via consiste em um nachsehen (examinar) frio e sem concessões, que não observa a filosofia de fora, mas coloca o problema da interpretação no próprio estar-em-filosofia.
  • A questão não pode ser conduzida mediante uma pureza metodológica doutrinária que sonha com método sem perceber seu Boden na Faktizität.
  • Também não se pode recorrer preguiçosamente a Kronzeugen, autoridades testemunhais, pois a tradição somente adquire função filosófica quando é radicalmente compreendida.
  • É necessário investigar aquilo que historicamente existe sob o nome “filosofia”, não para simplesmente assumir definições passadas, mas para conquistar possibilidades claras e resistências determinadas que orientem a Besinnung (meditação reflexiva).
  • As formas atuais de comportar-se em filosofia carregam obscuridades, comodidades, tradições incontroladas e preferências de gosto que precisam ser tornadas visíveis.
  • A história não deve ser interrogada como coleção de definições a serem extraídas e comparadas, mas de modo que a própria filosofia se torne algo que concerne facticamente ao existente.
  • Não há direito filosófico a apelar vagamente para Stimmung (disposição) e Mode (moda) enquanto não for esclarecida a Motivkraft (força motivadora) da tradição que conduz a determinadas orientações.
  • Uma tendência historicamente herdada não pode ser tratada como apriori ou como algo “em si” evidente sem que sua proveniência e seu poder de determinação sejam examinados.
  • A referência às tendências filosóficas de Husserl misturadas com elementos do empirismo inglês mostra que mesmo projetos aparentemente originários podem carregar tradições heterogêneas cuja força precisa ser explicitamente determinada.
  • Uma Übersicht (visão panorâmica) tabular, enciclopédica ou tipológica das opiniões acerca da filosofia nada realiza para essa Besinnung, porque tende precisamente a ocultar a proveniência duvidosa das definições.
  • Quando destacadas de suas situações históricas e de seus Vollzugszusammenhänge, definições herdadas aparecem falsamente como máximas absolutas e atemporais que cada um escolhe segundo conveniência.
  • O Begriff der Philosophie (conceito de filosofia) não pode, portanto, ser obtido por comparação exterior de opiniões, mas somente mediante um acesso em que a filosofia mesma, como possibilidade do esclarecimento principial da vida fática, venha a concernir e transformar o próprio Vollzug da investigação.
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