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§5

Zur Bestimmung der Philosophie. 1. Die Idee der Philosophie und das Weltanschauungsproblem (post war semester 1919); 2. Phänomenologie und transzendentale Wertphilosophie (SS 1919); 3. Anhang: Über das Wesen der Universität und akademischen Studiums (SS 1919) [1987]

§ 5. O recurso à metafísica indutiva

Retomando a questão de como extrair os elementos essenciais da ideia de filosofia como ciência originária, a própria designação de ciência originária já fornece indício positivo, ao excluir a filosofia do âmbito da arte e da sabedoria de vida e situá-la como problema enquanto ciência que é, especificamente, originária, isto é, um principium e não um principatum, algo que não deriva mas do qual tudo deriva, o que torna absurdo fazer a ciência originária derivar de qualquer ciência particular, ainda que seja legítimo, a partir destas, remontar metodicamente até aquela origem.

  • A ciência originária significa algo último ou, antes, inicial, não em sentido temporal, mas quanto ao teor de fundação e constituição do que é primeiro, distinguindo-se de toda ciência particular, que é sempre não principial, pro-vinda da origem (Ent-sprungene) e não a própria origem (Ur-sprung).
  • Assim como é possível remontar à nascente porque o rio corre, é possível e necessário remontar metodicamente das ciências particulares à ciência originária, sendo as primeiras o ponto de partida metódico obrigatório para a resolução do problema.

Tomando a física como exemplo de ciência particular rigorosa que investiga o ser da natureza inanimada segundo leis do movimento e cujos princípios repousam sempre na experiência, evidencia-se que sua particularização decorre de seu objeto restrito, o mundo dos corpos, excluindo a natureza viva e, mais amplamente, todo o domínio do espírito humano objetivado na cultura e na história.

  • O objeto da física não é o todo, mas apenas um setor da realidade, o que já basta para particularizá-la, tal como a totalidade das ciências naturais, por mais abrangente que seja, permanece particular por não englobar o espírito e suas obras.
  • Mesmo as ciências ditas abstratas, como a geometria e a análise, possuem domínio de objeto próprio — o espaço ideal, os números irracionais e imaginários — e permanecem, portanto, tão particulares quanto as ciências concretas.
  • A teologia, ainda que se possa chamá-la em certo sentido de ciência originária por versar sobre Deus enquanto absoluto, revela-se ela mesma ciência particular pelo papel essencial que nela desempenha o elemento histórico, sem que até hoje se tenha alcançado concepção metodológica clara desse problema, seja na teologia católica, seja na protestante.

A limitação de cada domínio de objeto explica a particularização das ciências e fornece, ao mesmo tempo, o motivo aparente para a remontada à ciência originária, que não seria a ciência de domínios singulares, mas do que lhes é comum, isto é, do ser universal conquistado por indução a partir dos resultados finais das ciências particulares — solução que se revela, contudo, insustentável.

  • Tal ciência originária, assim concebida indutivamente, não teria função própria de conhecimento, sendo mera repetição incerta e hipotética daquilo que as ciências particulares já estabeleceram com exatidão e certeza.
  • Longe de constituir origem, essa ciência seria antes um resultado fundado metodicamente pelas próprias ciências particulares, e nem mesmo o problema da causa última do ser, aparentemente autônomo, escapa a essa dependência metódica em relação à ciência da natureza, como atestam os vínculos históricos com a metafísica aristotélica e medieval.
  • Esse conceito não é invenção arbitrária, mas corresponde ao que hoje se denomina metafísica indutiva, corrente estudada por movimentos filosóficos influentes ligados ao realismo crítico (Külpe, Messer, Driesch) e recentemente acolhida com entusiasmo por ambas as confissões teológicas, o que evidencia sobretudo o desconhecimento radical dos verdadeiros problemas da teologia, vitimada pelo naturalismo e historicismo do século XIX ao esperar das ciências da natureza e do espírito o que jamais deveria ter esperado.
  • Tais considerações não pretendem constituir crítica suficiente, mas apenas mostrar que, mesmo de um ponto de vista puramente formal, a metafísica indutiva não satisfaz de modo algum às exigências de uma ciência originária absoluta.

Reconhecida a insustentabilidade desse modo de remontada às ciências particulares fundado no objeto do conhecimento, abre-se a possibilidade de considerar as coisas de modo diverso, regulando-se não pelo objeto do conhecimento, mas pelo conhecimento do objeto, fenômeno que deve ser próprio a toda ciência e que precisamente constitui cada uma delas como tal.

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