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obra:ga49:6-7
GA49 §§6-7
PRIMEIRA PARTE
CONSIDERAÇÃO PRÉVIA SOBRE A DISTINÇÃO ENTRE FUNDAMENTO E EXISTÊNCIA
§ 6. O Núcleo do Tratado com a Distinção entre a Essência enquanto Existe e a Essência enquanto é Mero Fundamento de Existência (357-364)
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O trecho que inicia a investigação principal contém em núcleo o tratado inteiro em duplo sentido: quanto ao conteúdo — na medida em que o domínio inteiro da pergunta é desdobrado e a liberdade humana é mostrada em seus contornos — e quanto ao modo de pensar — na medida em que é aqui que o pensamento característico dessas investigações se revela com maior nitidez, propiciando o primeiro exercício daquele pensar que já é exigido para percorrer adequadamente a introdução, incluindo a “dialética” no pensar incondicionado e sobretudo o pensar da “identidade”.
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A interpretação desse trecho nuclear não resolve todas as dificuldades, pois só é possível acompanhá-lo em uma primeira tentativa; ele é em si mesmo articulado e começa com um parágrafo que indica, como observação prévia: o que é tratado — a distinção entre “fundamento” e “existência” — e duas afirmações sobre essa distinção.
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“Essência” significa aqui o ente em geral — ser natural, doméstico, estatal —, o ente de cada vez na ênfase de seu ser; não se distinguem duas essências, mas uma única essência — isto é, cada essência em duplo “aspecto” —, e o que é distinguido permanece inseparável, embora o separável seja sempre a essência inteira e dupla; a distinção tem consequências peculiares em cada essência, fazendo com que haja essências diversas e múltiplas conforme ela as determina.
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Sobre a distinção afirma-se: primeiro, que a “filosofia da natureza de nosso tempo” — isto é, a Naturphilosophie de Schelling, para a qual a natureza é em si o Absoluto, o “espírito visível” como sujeito-objeto, e seu conhecimento é saber do Absoluto, sendo natureza “idêntica” ao espírito — foi quem a estabeleceu primeiro na ciência, entendida não como pesquisa no sentido atual, mas como saber incondicionado do Absoluto; e segundo, que o tratado sobre a liberdade se “funda” nessa distinção, mostrando o centro e o fundamento do “sistema da liberdade” — sistema que não pode ser inventado, mas apenas “encontrado”, pois é o arcabouço do Absoluto como espírito do amor, que possibilita a liberdade por meio da vontade sabedora que vincula fundamento e existência no Absoluto.
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A distinção em si não é imediatamente reproduzível nem possui comprovação intuitiva de sua ocorrência; igualmente estranha é a maneira como é tratada — a partir de Deus, da criação do mundo e do ser humano, como se isso fosse o mais claro — o que constitui o modo fundamental do pensar metafísico absoluto: a construção não sensível de tudo em Deus, que suscita reservas tanto a partir de Kant quanto da fé eclesiástica e dos contemporâneos.
§ 7. Articulação da Consideração Prévia
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A elucidação do trecho nuclear e sobretudo da distinção entre “fundamento” e “existência” inicia-se por meio de uma consideração prévia que se aproxima dessa distinção “de fora”, mas ao mesmo tempo tenta pensar além dela em direção ao âmbito onde se dá o confronto com Schelling e com a metafísica em geral.
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A consideração prévia articula-se em quatro capítulos: o primeiro trata da elucidação histórico-conceitual de “fundamento” e “existência”; o segundo, da raiz dessa distinção — o aspecto segundo o qual os distintos são distinguidos; o terceiro, da necessidade interna da distinção — de onde o distinguir brota —, incluindo o “princípio da oposição”, a “negatividade” e a subjetividade; e o quarto, da essência da distinção e das formulações particulares da diferença em Schelling — não algo representado ou pensado, mas o próprio representar como um separar-se voluntário, envolvendo a contrariedade e o círculo.
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A consideração prévia, porém, mantém o trecho nuclear em vista com a intenção de situar imediatamente a interpretação do tratado no âmbito decisivo, dentro do qual os passos individuais são reproduzíveis; ao mesmo tempo, ela vislumbra a possibilidade e a necessidade de um questionar inteiramente outro — a questão do Ser —, que deve brotar precisamente onde o questionar da metafísica e o de Schelling em particular encontram seu impulso e sua última realização, mesmo que sobre isso não haja um saber desenvolvido e vivo.
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