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obra:ga46:41-48
GA46 §§41-48
Zur Auslegung von Nietzsches. II. Unzeitgemässe Betrachtung “Vom Nutzen und Nachteil Historie für das Leben” (WS 1938-1939) [2003]
“O A-histórico”
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“O a-histórico” designa, primeiro, aquilo que é a-histórico — a vida —; e, segundo, em que consiste o ser-a-histórico, com sua ambiguidade: não sobrecarregado pela historiografia, de um lado, e absolutamente incapaz de historiografia, como o animal, de outro.
O A-histórico
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A determinação do a-histórico depende de dois fatores: a delimitação do histórico e da historiografia, e o modo da negação e da carência; para Nietzsche, o a-histórico é o originário, o que dá fundamento — a própria vida —, entendida como o viver ainda não restringido pela historiografia, com seu horizonte limitado partilhado pelo animal e pelo ser humano comum, e sua força formadora, sendo mais precisamente o pré-histórico.
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O histórico só advém com a ratio, o pensar e o calcular, pelo que o a-histórico fica “restringido” — isto é, ele era anteriormente a própria vida difusa e em expansão.
O A-histórico
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O a-histórico deve ser determinado a partir do histórico e, com este, a partir de seu fundamento e raiz, que é o historial; as diferentes espécies do a-histórico são os modos de limitação do histórico pelo a-histórico, o que remete ao conceito de “vida”.
História e Historiografia
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Nietzsche equipara história e historiografia, e para ele “história” só surge pelo uso que a historiografia faz do passado — a memória trazida de volta à vida de múltiplas maneiras —; o histórico relaciona-se com o passado, com o tornado e o tornando-se, e a historiografia só é suportada por personalidades fortes, pois as fracas ela extingue completamente.
Nietzsche “Historiador”
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Um historiador não lida com o que realmente aconteceu, mas apenas com os eventos supostos, pois somente estes produziram efeitos; da mesma forma, lida apenas com os heróis supostos — o que equivale a dizer que os fatos históricos são fatos fictos.
Historiografia e História
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A história, como espécie e forma “da vida”, isto é, da “natureza”, é uma espécie de laboratório da vida em que os exemplares mais elevados têm êxito e muitos fracassam; trata-se de uma luta pela intensificação do poder — o autopreservar-se e afirmar-se não como algo simplesmente dado, mas como o que se intensifica e determina a hierarquia —, sendo os “valores” condições da intensificação da vida, o que pressupõe a “vida” como realidade fundamental.
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O termo grego historein — ver, rever, assistir, perceber, testemunhar — designa o rever do que foi visto, e histos aponta para o árbitro que é capaz de perceber, distinguir e sopesar o essencial com uma “crítica” de longo alcance, conforme o fragmento 35 de Heráclito: os que têm a paixão do saber precisam ser aqueles que percebem qualitativamente muitas coisas em seu testemunho para o ente enquanto tal, e não os que acumulam conhecimentos variados.
“Historiografia”
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Historein, em oposição ao mythos, é o esclarecimento investigativo e explicativo do dado e do já subsistente — inclusive do outrora subsistente —, como modo de representação do subsistente em geral; como representação do já subsistente enquanto passado enquanto tal; como “ciência” e pesquisa; como representação cientificamente formada do passado — “formação” — e cômputo do presente em direção ao futuro; e como forma de pensamento.
História e Historiografia
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Coloca-se a questão de se a historiografia não se funda na história, mas na condição de ente enquanto ousia — cogitatum — objetualidade; e com isso abre-se a questão sobre a origem da história e a relação entre história e ser humano.
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