User Tools

Site Tools


Action unknown: copypageplugin__copy
obra:ga46:16-23

GA46 §§16-23

Zur Auslegung von Nietzsches. II. Unzeitgemässe Betrachtung “Vom Nutzen und Nachteil Historie für das Leben” (WS 1938-1939) [2003]

A História e “o” Ser Humano

  • “O ser humano” não designa primeiramente o indivíduo singular, mas funciona como conceito de essência que abrange a humanidade em sentido coletivo — a “humanidade” kantiana, o “ser-humano” em geral — e, dentro desse horizonte, o indivíduo, os grupos, as associações, as sociedades, as comunidades, a nação, o povo e as culturas.
  • A clarificação do conceito de “cultura” constitui o ponto de partida necessário, dado o papel central que esse conceito ocupa no pensamento de Nietzsche.

“O Ser Humano”. “Cultura”. O “Povo” e o “Gênio”

  • Os grandes indivíduos não são qualquer um que tenha escrito um livro ou pintado um quadro, mas algo da ordem de seis ou sete em alguns séculos; o “povo”, por sua vez, não precisa conhecer esse objetivo e, ao contrário, é essencial que ele se tome a si mesmo como o próprio fim.

Cultura — Incultura, Barbárie

  • A “cultura” só existe propriamente onde a humanidade se constitui como “sujeito” — característica da modernidade, embora retroprojetada historicamente para falar em “cultura grega” — e se define como modo e forma do autoconhecimento e da autofiguração; a barbárie, cujo sentido passou de “estrangeiro sem depreciação” para “rude e desprezível” após as guerras persas, representa o polo oposto.

Ser Humano e Cultura e Povo

  • A concepção corrente do ser humano superior como “homem culto” radica na compreensão moderna do ser humano como sujeito que se autoproduz, se afirma como centro do ente e desdobra sua possível completude como meta.
  • “Cultura” é o processo de trazer ao cálculo e submeter à regra toda a formação de todas as capacidades em sua pertença conjunta ao ser-humano como “vida” do animal rationale — sendo “história” e “técnica” metafisicamente o mesmo —, e cultura como “unidade” é já um conceito derivado da cultura como arte, isto é, como techné enquanto história.
  • Quanto mais ampla a configuração da vida e mais massiva a população — os seres humanos e os povos —, tanto mais indispensável se torna a cultura; quanto mais indispensável ela se torna, tanto mais ela entra no cálculo e passa a ser um “fim” em si mesma ou fundida com aquilo que deve se “unificar”: o povo; quanto mais poderosa a cultura em sua operação, tanto mais a “vida” fica confirmada em suas pretensões e tanto mais definitivo se torna o distanciamento em relação ao Ser.

O Conceito de “Cultura” em Nietzsche

  • A caracterização essencial da cultura é a unidade do estilo artístico em todas as manifestações vitais de um povo, cujo oposto é a barbárie, entendida como falta de estilo ou mistura caótica de todos os estilos.
  • A questão do fim da cultura remete à sua origem na centralidade de uma obra de arte, que unifica e confere estilo, sendo esse estilo o que verdadeiramente une; a relação entre cultura e povo coloca a pergunta se a cultura é meio ou fim, e se for meio, qual seria então seu fim.
  • O fim da cultura é a produção do gênio — aquele que sozinho pode verdadeiramente estimar e negar a vida —, sendo os grandes indivíduos o alvo do povo e não o produto da massa.

O Conceito Formal Geral de “Cultura” — “Cultura” e “Arte”

  • O latim colere — cultivar, guardar, construir, trabalhar, formar, aperfeiçoar — aponta para o caráter essencial da arte no sentido amplo de “formação” para a cultura, cuja definição permanece a mesma: unidade do estilo artístico em todas as manifestações vitais de um povo.
  • A cultura pode partir sempre apenas da significação centralizadora de uma arte ou de uma obra de arte, que reúne em torno de uma unidade de estilo; cultura é, assim, domínio da arte sobre a vida.

“O” Ser Humano e uma Cultura — um “Povo”

  • A cultura é sempre cultura “de” um povo, proveniente do povo e destinada a ele, e o povo é sempre povo enquanto povo de uma cultura; a pergunta sobre o papel da cultura — se meio ou fim — determina se seu objetivo é a realização de valores culturais ou se o próprio povo é o fim.
  • A determinação mais precisa do conceito de cultura como domínio da arte sobre a vida implica considerar o grau desse domínio, o valor da arte e a arte como “formação” — o que leva à questão sobre a essência da “formação”.

“Arte” (e Cultura)

  • Cultura como arte, isto é, como formação, coloca as questões: em que sentido a cultura constitui uma unidade; em que sentido “estilo” é aqui compreendido; o que deve ser unificado, ou seja, o que deve emergir de tal unificação — as manifestações vitais do povo (vida, pensamento, aparência, vontade): língua, costume, hábito, técnica, ciência, arte, crença.
  • Cultura como “physis aperfeiçoada” remete ao caráter já originariamente artístico da natureza, que a arte pode então melhorar, superando o informe e o caos dos meros impulsos e elevando o que é obscuro à claridade.
  • A arte em sentido mais estrito tem significação centralizadora: a cultura parte sempre da significação central de uma arte ou de uma obra de arte, que reúne na unidade de um estilo; o “estilo” não é uniformidade, mas o fundamento das oposições extremas e de sua unidade, determinando também seu próprio alcance, seus limites e o momento em que deve cessar, desaparecendo no próprio trabalho em vez de se impor como lei explícita.
  • O “povo” não pode ser determinado por meio da etnografia, da pré-história, da política ou de qualquer “cosmovisão”, pois todas essas abordagens pressupõem o conceito de povo como dado e impedem que ele seja tratado como o mais questionável; o povo é fim de si mesmo e seu conceito exige ser pensado no ato criador do pensar.
obra/ga46/16-23.txt · Last modified: by 127.0.0.1