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obra:ga25:ga25-3
GA25: §3
§ 3. A fundamentação da metafísica como ciência enquanto Crítica da razão pura
a) A interpretação kantiana do conhecimento ontológico
α) Conhecimento a priori
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A fundamentação kantiana da metafísica como ciência, sob o título Crítica da razão pura, tem por problema a razão teórica humana, isto é, não uma consciência indefinida em geral, mas a possibilidade da ciência enquanto conhecimento teórico próprio da razão humana.
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A razão, ou entendimento, designa em Kant o poder de pensar por conceitos, embora o termo seja usado de modo múltiplo e por vezes identificado ao entendimento como faculdade superior de conhecimento oposta ao empírico.
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O conceito, por conter algo universal, funciona como regra para a determinação pensante dos casos particulares que caem sob ele, razão pela qual a razão ou entendimento também pode ser compreendida como faculdade das regras.
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Como toda regra possui um fundamento ou princípio segundo o qual regula, a razão é determinada como faculdade dos princípios das regras e, nesse sentido, como faculdade que fornece os princípios do conhecimento a priori.
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O conhecimento a priori significa provisoriamente o conhecimento por conceitos que o eu pensante realiza de antemão, a partir de si mesmo e sem auxílio da experiência, de modo que tudo aquilo acessível pelo pensamento enquanto tal recebe o nome de a priori.
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A razão pura significa uma razão cuja cognição não se mistura com experiência ou sensação, de modo que o a priori em sentido estrito designa um conhecimento por conceitos absolutamente livre da experiência, e a razão pura aparece como faculdade humana de julgar segundo princípios a priori.
β) As condições da possibilidade de uma ciência do ente em geral
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A fundamentação da metafísica como ciência, enquanto Crítica da razão pura, tematiza a razão pura como faculdade dos princípios, fundamentos e regras do conhecimento puro a priori, exigindo a pergunta radical pelos princípios que tornam possível uma ciência ôntica, isto é, uma ciência do ente.
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A ciência matemática da natureza exerce papel exemplar na problemática kantiana porque, desde a Antiguidade até Kant, o ente foi primariamente compreendido como natureza e como presente-subsistente, embora essa identificação tradicional introduza uma restrição essencial na formulação kantiana do problema.
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A pergunta pelo fundamento de uma ciência do ente remete à pergunta pelo que pertence ao conhecimento científico enquanto tal, e Kant não parte do fato dado da ciência matemática da natureza, mas busca desenvolver a possibilidade da ciência a partir da própria razão pura como faculdade originária do conhecimento.
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A ciência matemática da natureza forneceu a Kant a indicação decisiva de que toda ciência do ente, especialmente da natureza, deve previamente determinar esse ente em sua constituição de ser para poder tomá-lo como tema.
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A formulação kantiana do procedimento de Galileu, Torricelli e Stahl mostra que a razão deve levar princípios e experimentos à natureza para obrigá-la a responder a perguntas previamente projetadas, pois a ciência não nasce de observações casuais, mas de um plano racional que torna possível a conexão necessária das leis.
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A apresentação kantiana do vínculo entre compreensão pré-ontológica do ser, objetivação e tematização do ente conserva uma concepção específica do problema, mas retoma com clareza o problema platônico segundo o qual o ente possui princípios de seu ser.
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O exemplo da ciência matemática da natureza mostra que toda ciência do ente contém razão, isto é, contém determinações a priori pelas quais algo é fixado sobre os objetos antes de sua doação empírica, possibilitando que eles sejam dados como aquilo que são.
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As determinações a priori ampliam o conhecimento dos objetos porque afirmam algo necessário e universal sobre a natureza, como os princípios da permanência da substância e da causalidade, os quais não procedem da experiência, mas enunciam aquilo que pertence antecipadamente à natureza enquanto natureza.
γ) Juízos analíticos e sintéticos
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A interpretação kantiana de conhecimentos ontológicos como o princípio da causalidade parte da tese de que conhecer é julgar, e a explicitação do conteúdo de um conceito por análise constitui um juízo analítico, no qual se retira do conceito do sujeito aquilo que nele já está pensado.
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A verdade dos juízos analíticos funda-se no conteúdo conceitual do sujeito e na ausência de contradição entre sujeito e predicado, de modo que esses juízos são a priori por dependerem apenas da forma lógica do juízo e não da relação com o ente visado.
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O juízo sintético acrescenta ao conceito do sujeito um predicado que não está contido nele, exigindo experiência ou intuição do ente para justificar essa atribuição, como no caso de afirmar que um corpo é pesado ou que uma mesa é preta.
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A objeção segundo a qual a diferença entre juízos analíticos a priori e juízos sintéticos a posteriori seria fluida não atinge o ponto decisivo da distinção kantiana, pois esta não se refere ao modo factual de adquirir o juízo, mas ao tipo de fundamento que justifica a conexão entre sujeito e predicado.
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O princípio da causalidade é sintético porque amplia o conhecimento da natureza ao determinar seu ser quanto às mudanças e às causas, mas é também a priori porque não é fundado na experiência, e sim pressuposto por toda experiência do ente natural.
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A descoberta fundamental de Kant consiste em reconhecer que o entendimento pré-ontológico do ser do ente e todo conhecimento ontológico são conhecimentos que ampliam o conhecimento do ente sem depender da experiência, isto é, são juízos sintéticos a priori.
δ) O problema da possibilidade dos juízos sintéticos a priori ou de uma compreensão ontológica do ser
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A fundamentação dos juízos analíticos a priori e dos juízos sintéticos a posteriori se compreende respectivamente pelo princípio de contradição e pela experiência, mas permanece problemática a legitimidade de um juízo que é ao mesmo tempo sintético e a priori, pois nele se afirma algo material e necessário sobre a natureza sem recorrer à experiência.
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A questão pode ser formulada como a pergunta pela possibilidade da compreensão pré-ontológica ou explicitamente ontológica do ser do ente, sobre a qual repousa toda objetivação científica e toda ontologia regional de um domínio de ser.
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A tarefa própria da razão pura consiste em responder como são possíveis os juízos sintéticos a priori, pois dessa resposta depende a permanência ou queda da metafísica como ciência.
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O problema kantiano deve ser esclarecido a partir de seu primeiro estágio de formulação, anterior à Crítica da razão pura, quando a questão já aparece no plano da obra futura sobre os limites da sensibilidade e da razão.
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A pergunta decisiva do período inicial de Kant interroga o fundamento da relação entre aquilo que se chama representação em nós e o objeto, isto é, o fundamento da possibilidade de que conceitos puros do entendimento possam determinar necessariamente algo sobre os objetos.
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A dificuldade do problema reside em que as representações empíricas podem ser explicadas pelo efeito do objeto sobre os sentidos, e o conhecimento divino pode ser explicado como produção dos objetos pelo próprio pensamento, mas o entendimento humano finito não recebe seus conceitos puros dos objetos nem produz por si mesmo os objetos pensados.
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A insuficiência da explicação negativa das representações intelectuais exige saber de onde provém a concordância entre conceitos puros do entendimento e objetos que não são produzidos pelo pensamento humano nem derivados da experiência.
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A questão decisiva é como o entendimento pode projetar princípios reais sobre a possibilidade das coisas, ou seja, como o sujeito pode possuir de antemão uma compreensão da constituição de ser do ente que torna possível o acesso ao próprio ente.
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A virada copernicana de Kant significa que os objetos devem regular-se pelo conhecimento entendido como conhecimento ontológico a priori da constituição de ser do ente, e não que o ente real seja dissolvido em mera representação subjetiva.
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A virada copernicana esclarece que todo conhecimento ôntico do ente deve orientar-se previamente por um conhecimento ontológico, de modo que as determinações empíricas dos objetos só são possíveis com base em princípios puros do entendimento.
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As obscuridades kantianas favorecem mal-entendidos, mas a tese central não afirma que o objeto percebido se ajusta arbitrariamente a representações subjetivas; afirma antes que toda adequação empírica ao ente repousa numa cognição a priori que torna possível tal adequação.
b) A diferença entre filosofia transcendental ou metafísica e fundamentação da metafísica como Crítica da razão pura
α) Ontologia como sistema. A Crítica como fundamentação do sistema da filosofia transcendental
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O problema fundamental de Kant consiste em explicar como conhecimentos sintéticos e ao mesmo tempo a priori são possíveis, isto é, onde se encontra o fundamento pelo qual conceitos e princípios puros do entendimento podem determinar algo sobre as coisas sem serem extraídos da experiência.
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A investigação transcendental não se dirige aos objetos mesmos, mas à possibilidade a priori da relação do entendimento puro com os objetos, e por isso se ocupa do modo de conhecimento dos objetos enquanto esse modo deve ser possível a priori.
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A pergunta transcendental busca as condições de possibilidade da síntese a priori, e a filosofia transcendental expõe o nexo interno entre categorias e princípios enquanto estes determinam os objetos a priori.
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A tarefa da filosofia transcendental corresponde à elaboração das determinações ontológicas dos domínios do ente, isto é, à elaboração das ontologias regionais, razão pela qual filosofia transcendental e ontologia designam o mesmo campo problemático.
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A Crítica da razão pura não é o sistema já desenvolvido da filosofia transcendental, mas o projeto arquitetônico de seus princípios e o tratado do método pelo qual o conhecimento ontológico se torna possível, se realiza e se aplica ao campo inteiro da filosofia transcendental.
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A Crítica da razão pura pode ser resumida como fundamentação transcendental da ontologia em geral, pois fundamenta a metafísica como ciência do ente ao fundamentar a possibilidade da síntese a priori e da relação a priori com os objetos.
β) A fundamentação da metafísica como crítica da razão pura e sua posição no todo da metafísica
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A fundamentação da metafísica recebe o nome de crítica porque precisa julgar a razão pura, acompanhar os passos da metafísica e determinar os limites dentro dos quais a razão pode legitimamente produzir conhecimento a priori.
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A metafísica tradicional apresentou-se como conhecimento teórico do suprassensível, isto é, de Deus, liberdade e imortalidade, objetos que concentram o interesse humano e que se subordinam finalmente ao interesse moral da razão.
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As três questões fundamentais da razão, acerca do que se pode saber, do que se deve fazer e do que se pode esperar, enraízam a metafísica na natureza da razão humana comum e fazem dela uma disposição natural.
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A disposição natural para a metafísica não basta, pois as proposições metafísicas tradicionais conduziram a contradições; por isso, torna-se necessário perguntar se há, no campo suprassensível, a compreensão de ser e a síntese a priori que toda ciência exige.
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A análise transcendental mostra que as condições da metafísica teórica do suprassensível não podem ser satisfeitas, de modo que a metafísica como ciência ôntica teórica do ente suprassensível é impossível e a razão pura deve ser limitada em seu alcance cognoscitivo.
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O resultado negativo da fundamentação mostra que nenhum fundamento teórico a priori pode ser obtido para os objetos suprassensíveis, mas essa limitação possui função positiva porque abre caminho para uma metafísica não teórico-dogmática, e sim prático-dogmática.
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A Crítica da razão pura, entendida como fundamentação da ontologia e tratado do método da metafísica, permite situá-la no conjunto da metafísica ou filosofia pura segundo a arquitetônica kantiana.
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A filosofia da razão pura divide-se em crítica e metafísica: a crítica é a propedêutica que investiga a possibilidade do conhecimento a priori e o que pode ser conhecido desse modo, enquanto a metafísica expõe sistematicamente o conjunto possível da cognição pura a priori.
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A metafísica como sistema possui uma parte especulativa ou teórica e uma parte prática, reunindo a totalidade da cognição pura a priori em unidade sistemática.
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A parte teórica da metafísica tem por tema tudo enquanto é, isto é, o presente-subsistente, e por isso recebe o nome de metafísica da natureza ou metafísica em sentido mais estrito.
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A parte prática da metafísica considera o ente enquanto deve ser.
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A metafísica da natureza, enquanto ciência do ente como ente, é escalonada em duas disciplinas, e essa gradação é exigida pela própria coisa investigada.
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A primeira disciplina investiga a constituição de ser do ente em geral, ainda antes de qualquer região empírica determinada, e corresponde à filosofia transcendental ou ontologia da natureza em sentido formal.
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A ontologia kantiana refere-se aos objetos em geral enquanto entes encontráveis na experiência possível, e não ao mero algo formal em sentido husserliano, pois Kant não conhece uma ontologia formal do algo em geral.
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A disciplina fundada sobre a filosofia transcendental trata da natureza em sentido material, isto é, do conjunto das coisas enquanto objetos dos sentidos, abrangendo tanto a natureza corporal externa quanto a natureza pensante interna.
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A fisiologia racional kantiana, em sentido antigo, é a ontologia da natureza material e se divide em física racional e psicologia racional, bem como em uma fisiologia transcendente que abrange cosmologia racional e teologia racional.
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A divisão kantiana da metafísica deixa transparecer a tradição, na qual a filosofia transcendental corresponde aproximadamente à metafísica geral e a fisiologia, cosmologia e teologia correspondem à metafísica especial.
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A metafísica dos costumes permanece fora desse conjunto como parte prática da metafísica.
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A Crítica não é uma teoria do conhecimento das ciências naturais, mas a fundamentação da disciplina fundamental da metafísica, isto é, da filosofia transcendental ou ontologia da constituição de ser do ente em geral, da natureza em sentido formal.
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A interpretação da Crítica como teoria do conhecimento da ciência matemática da natureza falha duplamente, porque não vê que se trata de ontologia e não de teoria do conhecimento, e porque confunde a ontologia da natureza em sentido formal com uma ontologia da natureza material.
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As tentativas recentes de reconhecer em Kant motivos metafísicos e ontológicos corrigem parcialmente a leitura unilateralmente gnosiológica, mas ainda não alcançam a novidade radical da problemática kantiana, que não é simplesmente teoria do conhecimento nem metafísica antiga.
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A leitura de Cohen e Natorp como teoria do conhecimento da ciência matemática da natureza possui uma razão interna, pois Kant, ao buscar uma ontologia do presente-subsistente em geral, frequentemente toma como fundamento explícito a natureza físico-corporal.
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Kant reconhece a dificuldade de que a metafísica geral, sempre que necessita de exemplos ou intuições para dar significado aos conceitos puros do entendimento, recorre à doutrina geral dos corpos e à intuição externa, deixando em aberto um enigma que alcança o núcleo da existência humana.
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A fundamentação da metafísica como ontologia e sua forma crítica em Kant ficam provisoriamente esclarecidas, preparando a passagem à interpretação fenomenológica da Crítica da razão pura.
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A interpretação fenomenológica da Crítica da razão pura requer esclarecer inicialmente o horizonte geral da questão, o campo da investigação e o plano de construção da obra como um todo.
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