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GA13 Caminhos para o Diálogo

Aus der Erfahrung Denkens (1910-1976) [1983]

Caminhos para o Diálogo

  • A dificuldade persistente de entendimento entre franceses e alemães — dois povos vizinhos que mais contribuíram para a formação histórico-espiritual do Ocidente — pode ter sua raiz no fato de que tanto a surpresa quanto a resignação diante dessa dificuldade revelam pouca clareza sobre o que um entendimento genuíno entre povos deve significar.
  • O entendimento autêntico entre povos começa e se realiza em uma reflexão criadora sobre o que lhes foi historicamente dado e imposto como tarefa: nessa reflexão, cada povo se recolhe ao que lhe é próprio e, com maior clareza e decisão, se afirma nesse fundamento, crescendo assim em direção à sua missão histórica.
  • A missão dos povos ocidentais formadores da história, no momento presente, é a salvação do Ocidente — não como mera conservação do que ainda existe, mas como justificação originalmente criadora de sua história passada e futura, o que exige que cada povo reconheça essa tarefa como sua própria.
  • O entendimento no sentido autêntico é a coragem superior de reconhecer o que é próprio ao outro a partir de uma necessidade que os ultrapassa; trata-se de entendimento historicamente criador, que pressupõe o verdadeiro orgulho dos povos — diferente da vaidade, é a decidida firmeza de manter-se no próprio e essencial.
  • O entendimento inautêntico, ao contrário, não passa de um acordo temporário pelo equilíbrio de interesses e prestações vigentes, permanecendo superficial e cheio de reservas; pode ser necessário em certas situações, mas lhe falta a força histórico-criadora do entendimento genuíno, que transforma mutuamente os que se compreendem.
  • O entendimento verdadeiro não produz apaziguamento que degenera em indiferença mútua, mas é em si a inquietação do recíproco pôr-em-questão, movida pela preocupação com as tarefas históricas comuns; deve realizar-se em todos os domínios do criar dos povos, do cotidiano mais simples às disposições fundamentais que ganham forma na poesia, nas artes e no pensamento filosófico.
  • A objeção de que o entendimento filosófico é praticamente inútil repousa sobre uma concepção errônea da filosofia: o pensamento comum a superestima ao esperar dela efeitos imediatos, e a subestima ao ver em seus conceitos apenas abstrações do que já era conhecido.
  • O saber filosófico autêntico não é um apêndice tardio de representações gerais sobre o ente já conhecido, mas o saber que antecipa e abre novos domínios e perspectivas de questionamento sobre a essência sempre renovadamente velada das coisas; por isso nunca é imediatamente utilizável, agindo apenas de modo mediato ao fornecer novas perspectivas e parâmetros para todo comportamento e decisão.
  • A filosofia é o saber imediatamente inútil mas soberano sobre a essência das coisas; e precisamente porque as ciências avançam rumo à tecnização e organização crescentes e se apresentam publicamente como o único saber, opera-se nelas e por elas o mais agudo estranhamento em relação à filosofia e a suposta prova de sua dispensabilidade.
  • Quando um entendimento genuíno nas posições filosóficas fundamentais se realiza, o saber soberano se eleva a uma nova altura e clareza, preparando uma transformação dos povos que, a princípio, permanece invisível; os dois domínios do ente — a natureza e a história — precisam ser pensados em conjunto a partir de questões mais originárias, o que implica necessariamente uma confrontação com o início da filosofia moderna francesa e com o saber metafísico inaugurado pelo idealismo alemão.
  • Jovens forças na França que reconhecem a necessidade de liberação do quadro cartesiano se voltam para Hegel, Schelling e Hölderlin, o que evidencia que a reflexão sobre a essência da natureza e da história não está encerrada e precisa ser retomada a partir de interrogações mais originárias, única via para compreender a essência metafísica da técnica.
  • O entendimento filosófico entre os povos não pode contentar-se com constatações e delimitações externas das diferenças entre o pensamento francês e o alemão, nem pode limitar-se à troca de resultados como nas ciências; o entendimento é aqui, antes de tudo, um combate de recíproco pôr-em-questão, pois só a confrontação coloca cada povo em seu que mais lhe é próprio.
  • A forma fundamental da confrontação é o diálogo real entre os criadores, em um encontro de vizinhança; somente uma literatura que enraíza nesse diálogo pode desenvolver o entendimento e conferir-lhe uma marca duradoura.
  • Os gregos não se tornaram o que são pelo enclausuramento em seu próprio espaço, mas pela confrontação mais aguda e criadora com o que lhes era mais estranho e difícil — o elemento asiático; tal exemplo histórico ilumina as duas condições fundamentais do entendimento genuíno: a longa vontade de escutar o outro e a contida coragem da própria determinação, pois só quem é certo de si mesmo pode abrir-se verdadeiramente ao outro.
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