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Resumo em tópicos
1. O princípio do fundamento (Satz vom Grund), formulado como nihil est sine ratione — nada é sem fundamento (Grund) — apresenta-se inicialmente como evidente porque o entendimento humano, sempre que se encontra em atividade, dirige-se espontaneamente ao fundamento daquilo que lhe vem ao encontro, reclamando que se indique por que algo é e por que é tal como é.
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A aparente evidência do princípio decorre da própria estrutura do entendimento, que não permanece simplesmente diante do ente (Seiendes), mas procura nele uma indicação de fundamento (Grund).
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A exigência de fundamento antecede, portanto, qualquer esforço reflexivo destinado a compreender expressamente o princípio.
2. O entendimento exige fundamentação não somente para tornar compreensíveis seus enunciados e afirmações, mas o próprio representar humano (Vorstellen) já procura fundamentos naquilo acerca do qual haverá de enunciar algo, avançando desde os fundamentos mais próximos até os mais remotos e, finalmente, até os primeiros e últimos fundamentos.
3. A aspiração ao fundamento atravessa previamente todo representar humano (Vorstellen), antes mesmo da atividade explícita de fundamentar enunciados, exigindo que aquilo que vem ao encontro seja aprofundado em direção ao seu fundamento (Grund).
4. Todo aprofundar e fundamentar já constitui um estar-a-caminho para o fundamento (Grund), de modo que, mesmo sem consciência expressa disso, permanece-se continuamente solicitado e chamado a ocupar-se dos fundamentos e do próprio fundamento.
5. O proceder e o representar humanos (Vorstellen) encontram-se como que espontaneamente a caminho do fundamento (Grund), trazendo permanentemente consigo o nihil est sine ratione, de tal maneira que o comportamento cotidiano já corresponde por toda parte àquilo que enuncia o princípio do fundamento (Satz vom Grund).
6. Quando o representar humano (Vorstellen) deixa de proceder apenas mediante o entendimento e se torna reflexivo, vai-se tornando expressamente perceptível, embora de maneira lenta e historicamente tardia, que o comportamento humano desde sempre transcorre sob a vigência daquilo que somente depois veio a ser formulado como princípio do fundamento (Satz vom Grund).
7. Quando o representar humano (Vorstellen) medita sobre o fato de que tudo é continuamente aprofundado e fundamentado, o princípio do fundamento (Satz vom Grund) começa a ressoar como motivo fundamental de seu comportamento, embora essa ressonância esteja longe de possuir a obviedade que sua formulação aparentemente simples sugere.
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Mesmo quando a reflexão sobre o próprio agir se elevou historicamente à filosofia, o princípio do fundamento não recebeu imediatamente uma formulação explícita.
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Apenas no século XVII, no horizonte das reflexões de Leibniz, alcançou-se e discutiu-se expressamente a formulação latina nihil est sine ratione.
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Entre o surgimento da filosofia ocidental, no século VI antes de Cristo, e a formulação expressa desse princípio transcorreram aproximadamente dois mil e trezentos anos, revelando a extraordinária demora histórica mediante a qual o pensamento ocidental chegou a formular aquilo que já orientava silenciosamente seu representar.
8. A estranheza reside em que um princípio tão próximo, silenciosamente determinante de todo representar (Vorstellen) e comportamento humanos, tenha necessitado de aproximadamente dois mil e trezentos anos para aparecer expressamente como princípio, sendo ainda mais estranho que essa demora quase não provoque espanto.
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Esse intervalo pode ser compreendido como um extraordinário período de incubação durante o qual o princípio do fundamento (Satz vom Grund) permaneceu, por assim dizer, adormecido e antecipadamente relacionado ao que nele continuava impensado.
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A própria capacidade de estranhar essa longa incubação ainda parece insuficientemente desperta para aquilo que nela se anuncia como questão.
9. A longa ausência de uma formulação explícita do princípio do fundamento (Satz vom Grund) parece inicialmente destituída de interesse porque, mesmo depois de sua formulação, nada parece ter-se modificado de maneira imediatamente visível no curso do pensamento, enquanto descobertas científicas, técnicas e culturais exercem muito maior poder de excitação sobre a atenção contemporânea.
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A descoberta de novos elementos, de instrumentos capazes de determinar a idade da Terra, de obras sobre antigas civilizações ou da construção de naves espaciais manifesta-se como muito mais atraente do que a história aparentemente discreta de um princípio.
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Essa diferença de interesse já indica a dificuldade de perceber a significação daquilo que, precisamente por estar demasiado próximo, permanece despercebido.
10. A incapacidade de se deixar afetar pelo fato de que uma formulação tão simples e próxima tenha permanecido durante tantos séculos sem ser encontrada decorre da insensibilidade adquirida perante o próximo, pois justamente o caminho até aquilo que está mais próximo é para o ser humano o mais distante e, por isso, o mais difícil.
11. A extrema proximidade daquilo que o princípio do fundamento (Satz vom Grund) enuncia quase não pode ser pressentida, razão pela qual também sua singular história permanece incapaz de provocar o espanto que corresponderia à sua verdadeira proximidade.
12. A aparência de vazio do princípio do fundamento (Satz vom Grund), no qual nada se oferece imediatamente à visão, ao tato ou à compreensão como um conteúdo particular, encobre a possibilidade de que ele seja precisamente um dos mais enigmáticos de todos os princípios, exigindo por isso uma escuta mais cuidadosa tanto daquilo que ele diz quanto do modo como profere o seu dito (Gesagtes).
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A impressão de já se estar esclarecido tão logo se ouve “nada é sem fundamento” pode constituir justamente o impedimento para perceber seu caráter enigmático.
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A tarefa decisiva consiste em escutar não somente o conteúdo proposicional, mas também o modo do dizer no qual o princípio se apresenta.
13. A formulação nihil est sine ratione contém a dupla negação nihil — sine, “nada — sem”, cuja estrutura negativa equivale à afirmação de que tudo aquilo que de algum modo é como ente (Seiendes) possui fundamento (Grund), podendo por isso ser vertida positivamente como omne ens habet rationem — todo ente tem um fundamento.
14. Embora normalmente se prefira a formulação afirmativa de um princípio à negativa, tanto por razões linguísticas quanto por seu conteúdo aparentemente mais direto, no princípio do fundamento (Satz vom Grund) a forma negativa revela-se dotada de uma função própria que precisa ser determinada.
15. A formulação afirmativa “cada ente (Seiendes) tem seu fundamento (Grund)” parece possuir o caráter de uma simples constatação, mas sua verificação integral seria impossível porque exigiria examinar todos os entes passados, presentes e futuros, bem como tudo aquilo que, embora não seja efetivamente real, pertence ao ente enquanto possível.
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O conhecimento humano alcança apenas setores limitados das diferentes regiões do ente, considerados sempre segundo perspectivas, estratos e níveis igualmente limitados.
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Nenhuma experiência poderia, portanto, fornecer a confirmação empírica de que absolutamente todo ente possui um fundamento.
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Mesmo uma impossível inspeção de todos os entes efetivamente reais deixaria ainda aberta a totalidade do possível, pois também aquilo que pode ser possui um fundamento de sua possibilidade.
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A universalidade da afirmação excede, assim, radicalmente aquilo que uma constatação obtida mediante observação poderia justificar.
16. O princípio do fundamento (Satz vom Grund), entendido como “cada ente tem um fundamento”, não pode ser reduzido a uma constatação verificável, pois, se tivesse apenas esse caráter, deveria limitar sua pretensão àquilo que até agora tivesse sido observado, dizendo apenas que cada ente conhecido até o presente mostrou possuir um fundamento.
17. Tampouco o princípio do fundamento (Satz vom Grund) pode ser compreendido como simples regra geral, porque toda regra admite em princípio exceções, ao passo que o princípio afirma sem exceção que todo ente (Seiendes) possui fundamento (Grund), estabelecendo essa relação como necessária mediante a dupla negação “nada… sem”.
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A validade de uma regra universal não seria mais fácil de verificar do que a exatidão de uma constatação universal.
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O princípio não formula apenas que os entes normalmente possuem algum fundamento para serem e serem tal como são.
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Sua formulação negativa exclui absolutamente a possibilidade de um ente sem fundamento, conferindo ao enunciado o caráter de necessidade.
18. A forma negativa “nada é sem fundamento” exprime com maior rigor a necessidade própria ao princípio do fundamento (Satz vom Grund), mas essa necessidade suscita imediatamente a questão de saber em que ela própria se funda e, consequentemente, qual é o fundamento (Grund) do próprio princípio.
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A simples alegação de que o princípio seria imediatamente evidente apenas encobre o caráter enigmático da questão.
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Nem mesmo a filosofia pode recorrer sem exame ao supostamente evidente, pois uma evidência somente pode iluminar quando há uma luz sob a qual aquilo que se afirma efetivamente aparece.
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Perguntar pelo fundamento do princípio conduz, portanto, à questão das condições sob as quais sua necessidade pode tornar-se manifesta.
19. O brilho da luz sob a qual o princípio do fundamento (Satz vom Grund) pode tornar-se evidente constitui a condição decisiva para que aquilo que nele se enuncia efetivamente ilumine e alcance o pensamento.
20. A questão acerca da evidência do princípio do fundamento (Satz vom Grund) transforma-se na pergunta pela luz na qual ele pode brilhar como princípio evidente, sendo necessário, para aproximar-se dessa luz, esclarecer primeiramente a que espécie de princípios ele pertence.
21. A distinção entre as formulações negativa e afirmativa do princípio do fundamento (Satz vom Grund) não constitui uma preocupação meramente gramatical ou lógica que pudesse ser abandonada em favor de seu conteúdo, porque o próprio caráter de princípio exige examinar cuidadosamente o modo pelo qual aquilo que se diz é posto no enunciado.
22. A separação entre forma e conteúdo é legítima nas afirmações correntes das reflexões, dos planos, das negociações, dos cálculos e das ciências, pois nelas o enunciado permanece diretamente referido ao campo objetivo em questão, inclusive quando a ciência reflete metodicamente sobre sua própria relação com o objeto.
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Mesmo nas ciências em que a relação entre sujeito cognoscente e objeto sofre alterações profundas, essa relação continua em geral pressuposta como algo imediatamente dado.
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A Física Atômica moderna já anuncia uma transformação substancial da relação com os objetos.
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Essa transformação, prolongada pela técnica moderna, prepara uma alteração abrangente do modo humano de representar (Vorstellen).
23. Mesmo o modo de representar (Vorstellen) transformado pela ciência e pela técnica permanece separado por um abismo da sabedoria própria ao dizer encerrado no princípio do fundamento (Satz vom Grund), cujo caráter de princípio não pode ser reduzido ao nível das proposições correntes ou científicas, apesar de sua aparência gramatical inicialmente semelhante.
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“Cada ente tem necessariamente um fundamento”, “cada árvore tem sua raiz”, “5 e 7 são 12”, “Goethe morreu em 1832” e “as aves migratórias voam para o sul no outono” apresentam exteriormente uma estrutura proposicional comparável.
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Essa semelhança formal não autoriza, contudo, que o princípio do fundamento seja compreendido segundo o mesmo modo de dizer das proposições ordinárias.
24. Enquanto se considerar exclusivamente a construção gramatical das proposições, todas aparecerão como simples afirmações, e o princípio do fundamento (Satz vom Grund) permanecerá inevitavelmente incluído no mesmo círculo das frases comuns, sem que sua propriedade específica possa emergir.
25. Aquilo que o princípio do fundamento (Satz vom Grund) põe e o modo como o põe não admitem comparação rigorosa com proposições ordinárias, pois nele se profere algo necessário, incondicional e fundamental, o que permite levantar a hipótese de que não se trate sequer de uma frase no sentido meramente gramatical, mas de um dizer capaz de conduzir a outro modo de pensamento.
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O princípio não constitui simples constatação e tampouco regra sujeita a exceções, mas afirma que todo ente (Seiendes), sem exceção, possui necessariamente um fundamento (Grund).
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Aquilo que nele se enuncia apresenta-se como algo de que não se pode simplesmente desvencilhar o pensamento.
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O caráter incondicional dessa afirmação permite compreender o princípio do fundamento como um princípio fundamental.
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A possibilidade de considerá-lo o princípio fundamental de todos os princípios fundamentais introduz discretamente o pensamento no domínio misterioso daquilo que nele propriamente se diz.
26. Considerar o princípio do fundamento (Satz vom Grund) como o princípio fundamental por excelência significa atribuir-lhe precedência entre os princípios reguladores de todo representar humano (Vorstellen), embora a tradição filosófica costume reservar essa supremacia ao princípio da identidade.
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Entre os primeiros princípios tradicionalmente reconhecidos encontram-se os princípios da identidade, da diferença, da contradição e do terceiro excluído, aos quais, desde Leibniz, se acrescenta expressamente o princípio do fundamento.
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Nem mesmo Leibniz reconhece o princípio do fundamento como o princípio supremo de todos os princípios fundamentais.
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A tradição concede essa posição ao princípio da identidade, frequentemente expresso como A = A, embora igualdade e identidade não sejam propriamente a mesma coisa.
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A identidade pode significar que algo é o mesmo consigo mesmo, sendo impreciso defini-la simplesmente como igualdade consigo próprio, porque a igualdade pressupõe uma multiplicidade entre termos comparáveis, ao passo que cada ente somente pode ser ele próprio consigo mesmo.
27. Uma compreensão alternativa da identidade a determina como co-pertencimento de vários no mesmo, ou como co-pertencimento fundado no mesmo, fazendo assim aparecer no próprio conceito de identidade o caráter do fundamento (Grund) enquanto aquilo sobre o qual e no qual se apoia esse co-pertencimento.
28. Se a própria identidade somente pode ser pensada mediante o fundamento (Grund), torna-se possível considerar que o princípio da identidade se funda no princípio do fundamento (Satz vom Grund), de modo que este, e não aquele, ocuparia a posição de princípio supremo entre os primeiros princípios fundamentais.
29. Ainda permanece possível que o princípio do fundamento (Satz vom Grund) seja apenas primus inter pares, primeiro entre princípios fundamentais de igual dignidade, mas a hipótese de sua supremacia já abala a doutrina tradicional, cuja aparente clareza pode resultar mais de uma longa habituação do representar (Vorstellen) do que de um pensamento capaz de permanecer junto ao digno-de-ser-questionado (Fragwürdige).
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A tradição dos princípios fundamentais não pode ser considerada assegurada apenas porque suas determinações se tornaram familiares ao longo dos séculos.
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Pensar exige deter-se precisamente naquilo que permanece digno-de-ser-questionado (Fragwürdige), sem pressupor que somente regiões remotas ou extraordinárias sejam dignas de interrogação.
30. A questão acerca da hierarquia entre os princípios fundamentais permanece indeterminada enquanto não se esclarecer o que significa propriamente um princípio fundamental, o que exige compreender previamente tanto o fundamento (Grund) quanto o princípio, embora o próprio princípio do fundamento pressuponha, sem esclarecê-la, a essência do fundamento (Wesen des Grundes).
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O princípio afirma que todo ente (Seiendes) possui necessariamente um fundamento, mas não explica o que seja o próprio fundamento enquanto fundamento.
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Desse modo, aquilo que deveria fornecer acesso ao fundamento já depende de uma compreensão prévia do que significa fundamento.
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Surge então a dificuldade de considerar supremo um princípio que pressupõe justamente aquilo cuja essência permanece não esclarecida.
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Sem esclarecer a essência do fundamento (Wesen des Grundes), a discussão permaneceria presa a uma representação vaga tanto do fundamento quanto do princípio fundamental.
31. Também a essência da própria proposição ou oração de princípio somente pode ser esclarecida a partir do fundamento (Grund), pois a estrutura gramatical de sujeito e predicado remete no próprio termo “sujeito”, proveniente do latino subiectum e do grego hypokeimenon, àquilo que subjaz ou subsiste (Vorliegen) como base sobre a qual um enunciado pode ser feito.
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A determinação tradicional da proposição como ligação entre sujeito e predicado já contém, portanto, uma referência implícita ao caráter de fundamento.
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Consequentemente, compreender o que seja uma proposição fundamental pressupõe novamente esclarecer em que consiste a essência do fundamento (Wesen des Grundes).
32. Tanto a essência de um princípio fundamental quanto a determinação do princípio do fundamento (Satz vom Grund) como princípio supremo permanecem obscuras e dignas-de-ser-questionadas (fragwürdig), exigindo que se abandone a familiaridade superficial com aquilo que a tradição reuniu sob a denominação de “princípios fundamentais”.
33. A investigação do princípio do fundamento (Satz vom Grund) ingressa desde os primeiros passos na obscuridade, mas essa obscuridade pertence positivamente à própria possibilidade de esclarecimento, pois luz e clareza somente podem manifestar-se em relação com sombra e obscuridade.
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A sentença de Johann Georg Hamann segundo a qual “a clareza é uma distribuição pertinente de luz e de sombra” exprime a necessidade de não eliminar precipitadamente a obscuridade daquilo que deve ser pensado.
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A breve advertência de Goethe — “Hamann — ouçam!” — reforça a exigência de uma escuta capaz de acolher conjuntamente luz e sombra no esforço de elucidação.
