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ERKLÄRUNG - ERLÄUTERUNG - ERÖRTERUNG (2000:129-131)
ZARADER, Marlène. A Dívida Impensada. Heidegger e a Herança Hebraica. Lisboa: Instituto Piaget, 2000.
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A definição dos modos de pensamento em Heidegger é balizada por três termos alemães fundamentais, cujas relações e definições são estabelecidas por intérpretes como O. Pöggeler e G. Vattimo, com ressalvas e distanciamentos em relação à análise destes últimos.
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Os três vocábulos-chave são die Erklärung (explicação), die Erläuterung (elucidação ou esclarecimento) e die Erörterung (situação).
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A perspectiva de Heidegger em relação à Erklärung, a explicação metafísica, é menos claramente cumprida por ele, sendo devida a O. Pöggeler uma análise clássica das relações entre os três termos, que é retomada por G. Vattimo, embora haja distanciamento em relação à análise dos dois últimos vocábulos.
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A Erklärung, como modo de pensamento dominado pelo princípio da razão e plenamente desenvolvido na ciência moderna, reina secretamente na metafísica em sua busca ôntica pelo fundamento, mas, por visar dar conta de tudo, falha necessariamente em apreender aquilo que escapa a qualquer fundamento.
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A metafísica, enquanto onto-teo-logia, funda o ente no ser e o ser num ente supremo, fazendo de toda a procura metafísica do fundamento uma técnica de explicação das causas supremas, assente na explicação ôntica.
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A explicação, ao pretender dar conta e razão de tudo, não pode alcançar o que essencialmente se revela e que escapa a qualquer fundamento.
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Ao pensamento explicativo da metafísica, Heidegger opõe um outro pensamento que não busca dominar a coisa pela cadeia de causas, mas sim recebê-la e deixá-la vir, apresentando-se como uma escuta hermenêutica designada pelos termos Erläuterung e Erörterung.
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Esse outro pensamento não pretende dominar a coisa, mas sim recebê-la e deixá-la vir, estendendo-se sob a forma de escuta.
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Por se apresentar como uma hermenêutica, esse pensamento é designado pelos dois termos, Erläuterung e Erörterung.
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A distinção entre Erläuterung e Erörterung decorre do fato de a linguagem oferecer simultaneamente o que diz e o que não diz, cabendo à primeira o esclarecimento do formulado em sua diversidade e à segunda a tarefa de situar o não formulado em sua unidade, sendo ambas complementares e interdependentes.
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A Erläuterung é a interpretação que tenta esclarecer o formulado na sua diversidade.
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A Erörterung é a interpretação que pretende situar o não formulado na sua unidade, que está sempre protegida pela diversidade do dito.
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Os dois modos de interpretação não são sucessivos, mas complementares, como as duas faces de uma medalha, supondo-se mutuamente na relação entre o dito e o não dito, o pensado e o impensável.
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As relações entre Erörterung e Erläuterung são explicitadas por Heidegger no contexto de sua conferência sobre o poeta Trakl, onde se distingue entre os poemas especiais em sua diversidade e o Poema único não formulado, que constitui o local (Ort) para o qual a situação (Erörterung) tende a partir do esclarecimento (Erläuterung) dos poemas.
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Na conferência sobre Trakl, Heidegger distingue entre os poemas especiais, em sua rica diversidade, e o Poema único, que permanece por formular e é a origem da qual aqueles emergem.
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Esse não formulado, uma vez recolhido, constitui o local (Ort) para o qual a Erörterung tende, sendo que o Erläuterung permite esclarecer os poemas especiais e a Erörterung questiona a unidade secreta neles reservada.
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O intérprete realiza um movimento de vai e vem entre a elucidação dos poemas especiais e a situação do Poema, pois uma boa elucidação pressupõe a situação, enquanto a situação do Poema necessita de um percurso precursor pela elucidação, sendo nesse jogo de trocas entre Erläuterung e Erörterung que reside o essencial do diálogo entre pensamento e poesia.
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O local do Poema é anterior aos lugares que concede aos poemas na sua diversidade, mas o intérprete não pode poupar um movimento de vai e vem entre ambos.
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O essencial do diálogo entre pensamento e poesia reside nesse jogo de trocas, com o pensamento reconduzindo o dito do poeta ao não dito que é o seu local e que só ele pode situar.
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Embora Erläuterung e Erörterung sejam indissociáveis por direito, o esforço de Heidegger recai sobre o segundo modo de interpretação, na medida em que seu pensamento busca destacar o não dito e esclarecer o impensável, fazendo da Erörterung a última palavra da interpretação.
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O acento e o esforço de Heidegger recaem sobre a Erörterung, pois seu pensamento procura sempre mais destacar o não dito e esclarecer o impensável.
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Nesse sentido, a Erörterung pode aparecer como sendo a última palavra da interpretação.
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