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estudos:schurmann:eon-1982
ÉON (1982:205-207)
SCHÜRMANN, Reiner. Le principe d’anarchie. Heidegger et la question de l’agir. Paris: Seuil, 1982.
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O “palavra fundamental” por excelência da tradição metafísica é “ser”, cuja formulação parmenídica como eon, singulare tantum, introduz uma diferença inscrita na própria forma participial que articula simultaneamente dimensão verbal e nominal, tornando explícita a dualidade entre “ente” e “ser”.
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Parmênides como primeiro a opor eon à multiplicidade móvel.
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Particípio presente indicando diferença gramatical.
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Participação simultânea na forma verbal e nominal.
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Artigo e infinitivo explicitando a dualidade.
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A justaposição parmenídica entre o particípio nominal e o infinitivo do verbo ser exprime uma motilidade intrínseca do eon que não se confunde com o movimento das coisas, mas indica chegada à presença e possibilidade de retirada, designadas por pareinai e apeinai, anwesen e abwesen.
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Eon contendo motilidade própria.
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Chegada à presença e retirada possível.
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Saída do velamento e permanência no desvelamento.
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Plenitude nominal da presença como rotondité.
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Dualidade “ente-ser” como Zwiefalt.
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Nem o termo nominal “ente” nem o verbal “ser” evocam originariamente fundamento ou razão suprema, pois a dualidade designa antes desvelamento e emergência a partir do velamento, mantendo sombra e claridade sem referência a hierarquia de evidência ou poder.
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Dualidade como desvelamento.
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Emergência preservando traço de velamento.
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Ausência de referência a fundamento máximo.
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Clareza nunca total no não-velamento.
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A reapropriação posterior da dualidade do eon desloca o sentido diferencial para um sentido fundacional, passando da diferença entre ente dado e auto-doação para a diferença entre ente e causa de doação, configurando a separação entre mundo supra-sensível e sensível e o deslizamento categorial que conduz a on e ousia, ens e entitas, Seiendheit.
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Transformação da diferença em fundamento.
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Passagem de auto-doação a causa de doação.
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Separação entre supra-sensível e sensível.
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Glissement do sentido diferencial.
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Ti to on aristotélico como marco.
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As categorias progressivas conservam traços da presença originária — desvelamento, chegada, retorno, aproximação, recuo, permanência, reunião, mostrance, repouso e ausência possível — mas o eon permanece categoria diretora por exprimir motilidade e temporalidade do oriri, tornando-se espaço oculto da filosofia até Ser e Tempo.
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Traços comuns das categorias da presença.
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Eon como categoria diretora da motilidade.
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Temporalidade inscrita no particípio.
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Esquecimento da motilidade e temporalidade na metafísica.
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Ser e Tempo como reativação do espaço esquecido.
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