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Scheler

Max Scheler (1874–1928)

Filósofo, sociólogo e ensaísta alemão, Max Scheler foi uma das figuras centrais da fundação do movimento fenomenológico, ao lado de Edmund Husserl e Martin Heidegger. Conhecido pela originalidade de sua abordagem descritiva, Scheler estendeu o método fenomenológico para além dos atos teóricos e cognitivos da consciência, estabelecendo as bases de uma axiologia material (ética dos valores), de uma fenomenologia dos sentimentos e da empatia, da sociologia do conhecimento (*Wissenssoziologie*) e de uma antropologia filosófica seminal. Sua reflexão combateu vigorosamente o formalismo kantiano, o relativismo historicista e o reducionismo mecanicista, propondo uma hierarquia ontológica objetiva de valores acessível primordialmente pelo ato afetivo originário do amor (*ordo amoris*).

1. Obras Monográficas e Tratados Teóricos Fundamentais em Língua Inglesa

  • SCHELER, Max. The Nature of Sympathy. Translated by Peter Heath. With a General Introduction to Max Scheler's Work by W. Stark. London: Routledge & Kegan Paul, 1954. (Reedição: New Brunswick, NJ: Transaction Publishers, 2008).
    • Foco: Exame fenomenológico rigoroso da vida emocional; distinção conceitual precisa entre contágio emocional, unopatia, compaixão e simpatia autêntica, estabelecendo a alteridade do outro como condição irredutível do vínculo intersubjetivo e ético.
  • SCHELER, Max. On the Eternal in Man. Translated by Bernard Noble. London: SCM Press, 1960. (Reedição: New Brunswick, NJ: Transaction Publishers, 2010).
    • Foco: Tratado de fenomenologia da religião e apologética filosófica; investiga o ato religioso como intenção originária e irrevogável da consciência humana, distinguindo a experiência do sagrado das especulações metafísicas puramente teóricas.
  • SCHELER, Max. Ressentiment. Edited with an Introduction by Lewis A. Coser. Translated by William W. Holdheim. New York: Free Press of Glencoe, 1961. (Reedição: Milwaukee: Marquette University Press, 1994).
    • Foco: Reinterpretação fenomenológica e psicológica do conceito nietzschiano de ressentimento; demonstra como a repressão do rancor, da inveja e da impotência produz uma perversão axiológica que rebaixa os valores nobres e supervaloriza a utilidade medíocre.
  • SCHELER, Max. Formalism in Ethics and Non-Formal Ethics of Values: A New Attempt toward the Foundation of an Ethical Personalism. Translated by Manfred S. Frings and Roger L. Funk. Evanston, IL: Northwestern University Press, 1973.
    • Foco: Obra-prima ética e fenomenológica de Scheler; refutação sistemática do formalismo ético e do imperativo categórico de Immanuel Kant, postulando a existência de qualidades de valor materiais dadas *a priori*, objetivas e organizadas em uma escala hierárquica autônoma.
  • SCHELER, Max. Selected Philosophical Essays. Translated with an Introduction by David R. Lachterman. Evanston, IL: Northwestern University Press, 1973.
    • Foco: Coletânea seminal reunindo ensaios fundamentais sobre a fenomenologia dos ídolos do autoconhecimento, a metafísica da morte e a antropologia do modelo arquetípico do homem exemplar (*Vorbilder*).
  • SCHELER, Max. Problems of a Sociology of Knowledge. Translated by Manfred S. Frings. Edited with an Introduction by Kenneth W. Stikkers. London: Routledge & Kegan Paul, 1980.
    • Foco: Fundação teórica da sociologia do conhecimento; articulação dialética entre fatores ideais (formas espirituais de saber: salvação, metafísica, técnica) e fatores reais (interesses materiais, biológicos, econômicos e políticos que regulam a realização histórica desses saberes).
  • SCHELER, Max. The Human Place in the Cosmos. Translated with an Introduction by Manfred S. Frings. Evanston, IL: Northwestern University Press, 2009.
    • Foco: Ensaio culminante e manifesto inaugural da antropologia filosófica moderna; exame comparado entre o animal e o ser humano, definindo a especificidade humana pelo Espírito (*Geist*) — a capacidade ontológica de distanciar-se da pressão pulsional (*Drang*) e dizer “não” ao ambiente circundante.

2. Obras Teóricas e Ensaios Específicos sobre Política, Amor e Sofrimento

  • SCHELER, Max. The Meaning of Suffering. In: Centenary Essays. Edited by Manfred S. Frings. The Hague: Martinus Nijhoff, 1974. p. 121–163.
    • Foco: Investigação existencial e fenomenológica do sofrimento físico e moral; contraste entre a resignação budista, a ética estoica e a doutrina cristã da transfiguração da dor por meio da caridade espiritual.
  • SCHELER, Max. Ordo Amoris. In: Selected Philosophical Essays. Translated by David R. Lachterman. Evanston, IL: Northwestern University Press, 1973. p. 98–135.
    • Foco: Ensaio axiológico capital sobre a ordem afetiva primordial que constitui o núcleo ontológico da pessoa; postulação de que antes de ser um ser pensante ou volitivo, o homem é um ser amante (*ens amans*).
  • SCHELER, Max. The Constitution of the Human Being. Translated by John切割 / Manfred S. Frings. Milwaukee: Marquette University Press, 2008.
    • Foco: Textos póstumos e notas de trabalho em torno da estrutura integral do vivente humano, detalhando os estratos ontológicos que articulam psiquismo, pulsão e espírito.

3. Principais Estudos Críticos, Biografias e Hermenêutica em Língua Inglesa

  • FRINGS, Manfred S. Max Scheler: A Concise Introduction into the World of a Great Thinker. Pittsburgh: Duquesne University Press, 1965.
    • Foco: Primeira introdução sistemática em língua inglesa redigida pelo editor geral dos manuscritos de Scheler; visão panorâmica abrangendo ética, religião e antropologia.
  • FRINGS, Manfred S. The Mind of Max Scheler: The First Comprehensive Guide Based on the Completed Works. Milwaukee: Marquette University Press, 1997.
    • Foco: Exegese monumental e definitiva da totalidade do corpus scheleriano (as quinze obras das *Gesammelte Werke*); analisa detalhadamente a evolução do autor da fenomenologia católica inicial à metafísica panenteísta tardia.
  • BLOSSER, Philip. Scheler's Critique of Kant's Ethics. Athens: Ohio University Press, 1995.
    • Foco: Estudo analítico minucioso que avalia os argumentos de Scheler contra o apriorismo formal de Kant, defendendo a consistência epistemológica da ética axiológica material.
  • SCHNECK, Stephen Frederick. Person and Polis: Max Scheler's Personalism and Political Theory. Albany: State University of New York Press, 1987.
    • Foco: Investigação da filosofia política e do personalismo scheleriano, contrastando sua concepção comunitária orgânica (*Gesamtperson*) com o individualismo liberal e o coletivismo mecânico.
  • VACEK, Edward V. Love, Human and Divine: The Heart of Christian Ethics. Washington, DC: Georgetown University Press, 1994.
    • Foco: Aplicação e desenvolvimento da teoria do *ordo amoris* de Scheler à teologia moral contemporânea, demonstrando a primazia do amor axiológico sobre as obrigações normativas deontológicas.
  • DAVIS, Zachary; STEINBOCK, Anthony (eds.). Max Scheler. The Stanford Encyclopedia of Philosophy. Stanford: Metaphysics Research Lab, Stanford University, 2019.
    • Foco: Síntese de referência acadêmica internacional sobre o estado da arte dos estudos schelerianos, mapeando as noções de pessoa, percepção de valor, intencionalidade afetiva e metafísica do devir divino.

4. Eixos Metodológicos e Arquitetura Teórica

  • A Axiologia Material e a Intencionalidade Afetiva: Contra a premissa kantiana de que tudo o que é material é empírico e a posteriori, Scheler demonstra que os valores são fenômenos materiais (dotados de conteúdo específico e irredutível) dados a priori. A via de acesso aos valores não é o intelecto dedutivo nem a volição, mas o sentir intencional (*Fühlen*). Os valores organizam-se em uma escala hierárquica imutável: desde os valores do agradável/desagradável, passando pelos valores vitais (nobre/vulgar) e espirituais (belo/feio, justo/injusto, verdadeiro/falso), até culminar nos valores do sagrado e do profano.
  • O Ordo Amoris e o Primado do Coração: A estrutura ética da pessoa individual ou de uma época histórica é determinada pela ordem objetiva de seus afetos. O ato de amar não é posterior ao conhecimento conceitual; é o amor que atua como vanguarda desbravadora da percepção, abrindo os olhos da consciência para que os valores mais elevados possam se manifestar. O pecado ético fundamental reside na perturbação dessa ordem (*ordo amoris* corrompido), quando valores inferiores (como a utilidade ou o prazer sensível) são preferidos a valores espirituais ou ao sagrado.
  • O Dualismo Dialético: Espírito (Geist) e Impulso (Drang): Em sua antropologia filosófica e metafísica madura, Scheler concebe a existência e o próprio Absoluto como a tensão polar entre dois atributos originários: o *Geist* (dotado de lucidez, liberdade e capacidade de ideação, mas originariamente desprovido de força e energia própria) e o *Drang* (a energia cega, as pulsões da vida e os processos materiais cósmicos). O destino da civilização humana e da autorealização do próprio Ser supremo consiste no processo de “sublimação” mútua: o Espírito fornece sentido e direção ao Impulso, enquanto o Impulso confere potência, vitalidade e eficácia material às exigências ideais do Espírito.

Scheler, Max: SZ GA3 GA9 GA14 GA16 GA17 GA19 GA20 GA21 GA23 GA24: GA26 GA27 GA28 GA29-30 GA31 GA32 GA58 GA59 GA60 GA61 GA62 GA63 GA86 GA90

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