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Marcuse
Herbert Marcuse (1898-1979)
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Maturação lenta como condição de possibilidade da obra filosófica e política
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A ação filosófica e política de Marcuse é apresentada como resultado de um processo prolongado de elaboração teórica
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A temporalidade tardia das obras decisivas indica uma formação paciente, atravessada por experiências históricas e deslocamentos conceituais
A publicação de Eros e civilização ocorre apenas aos cinquenta e oito anos-
O livro aparece como a primeira obra propriamente marcusiana, isto é, como cristalização de uma posição teórica singular
O Homem Unidimensional surge aos sessenta e seis anos-
A obra assume explicitamente a função de manifesto da teoria crítica
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Ela condensa uma orientação filosófica já plenamente constituída
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Formação histórico-política e ruptura com o reformismo
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O horizonte inicial de formação é marcado pela Primeira Guerra Mundial e pela Revolução Bolchevique
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Esses acontecimentos configuram o pano de fundo traumático e decisivo da consciência política de Marcuse
A filiação inicial ao partido social-democrata expressa uma adesão precoce ao campo do socialismo-
A ruptura subsequente, após o assassinato de Rosa Luxemburg, manifesta uma recusa radical do compromisso com formas institucionais traidoras da emancipação
Essa ruptura funda um traço durável de sua atitude intelectual-
A desconfiança em relação aos aparelhos partidários acompanha toda a sua trajetória
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Formação filosófica e aquisição de instrumentos conceituais
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A formação universitária ocorre sob a orientação de Husserl e de Heidegger
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O contato com a fenomenologia e com a ontologia fundamental fornece rigor metodológico e densidade conceitual
A preparação da tese sobre a ontologia de Hegel e o fundamento de uma teoria da história articula filosofia e historicidade-
A reflexão hegeliana é desde o início abordada a partir de suas implicações histórico-políticas
Essa formação confere a Marcuse uma técnica de articulação das questões filosóficas-
Ela lhe assegura igualmente uma posição intelectual a partir da qual sua voz pode adquirir autoridade e alcance
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Ethos profissional e figura do professor
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Marcuse permanece sempre um profissional do pensamento
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A exigência do trabalho bem feito estrutura sua prática teórica
Essa postura profissional convive com um paradoxo-
O filósofo é procurado pelas multidões, mas as teme e evita
A identidade docente permanece central-
A figura do último professor alemão designa a fidelidade a uma tradição acadêmica rigorosa
Essa função docente não se separa da vida socio-política-
O marxismo torna-se orientação duradoura, sem adesão orgânica ao Partido Comunista
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Entrada na Escola de Frankfurt e início do exílio
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A integração ao Instituto de Pesquisas Sociais ocorre apenas em 1932
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O Instituto, fundado em 1923 e dirigido por Max Horkheimer desde 1931, constitui o núcleo da futura Escola de Frankfurt
A tomada do poder pelo nazismo impõe o exílio imediato-
A saída da Alemanha conduz Marcuse a Genebra, depois a Paris e finalmente a Nova York
O exílio estrutura uma experiência intelectual coletiva-
O ensino nas universidades de Columbia, Harvard e Brandeis reforça os laços entre os membros exilados do Instituto
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Colaborações e fidelidade intelectual
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A colaboração com Adorno se concretiza em trabalhos conjuntos
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Os Estudos sobre autoridade e família inauguram uma crítica das estruturas sociais de dominação
A última obra, A dimensão estética, permanece profundamente marcada pela interlocução adornianaA fidelidade intelectual aparece como traço constitutivo da trajetória de Marcuse-
Ele reconhece explicitamente sua dívida para com Horkheimer e seus colaboradores
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Essa dívida é ao mesmo tempo filosófica, política e pessoal
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A Escola de Frankfurt como lugar de resistência
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O Instituto se define como espaço de resistência intelectual
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Inicialmente contra o fascismo nazista
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Posteriormente contra o totalitarismo capitalista
A resistência assume a forma de uma análise rigorosa da tecnocracia cultural emergente-
Diferentemente da perspectiva heideggeriana, a crítica frankfurtiana concentra-se nas formas sociais e históricas da dominação tecnológica
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Colapso das promessas modernas e ética da crítica
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A Primeira Guerra Mundial destrói o mito da ciência como produtora de progresso
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O socialismo soviético se transforma em totalitarismo
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A classe operária alemã fracassa diante do fascismo, seja por colapso, seja por adesão
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A tecnocracia capitalista norte-americana revela-se igualmente alienante
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Diante desse quadro, resta apenas a coragem de pensar
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A ética intelectual nasce da ausência de garantias históricas
O dever torna-se o de manter a crítica viva-
Sustentar o pensamento entre as ruínas das esperanças políticas do período anterior
Afirma-se a convicção de que os fatos não produzem direito-
A lucidez mantém aberto o desafio de outro possível, mesmo quando nenhuma alternativa é visível
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Elaboração da pensamento crítico
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Sobre essa base histórica e ética, Marcuse elabora sua pensamento crítico
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O primeiro movimento consiste na crítica do legado político e sociológico de Hegel
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Razão e revolução analisa a transformação da razão dialética em racionalidade conservadora
O segundo movimento dirige-se à construção soviética do socialismo-
O marxismo soviético desvela sua pseudo-racionalidade burocrática
O hegelianismo e o marxismo institucionalizado aparecem como sistemas invertidos em formas totalitárias-
O tempo opera negativamente, traindo e revertendo as elaborações teóricas
A história revela-se incapaz de oferecer um modelo global de sociedade-
A impossibilidade de uma utopia positiva é afirmada explicitamente
A pensamento crítico se define, assim, por sua negatividade-
Ela não propõe uma imagem acabada do futuro
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Ela persiste como vigilância e recusa diante das formas históricas da dominação
[Encyclopaedia Universalis, Dictionnaire des Philosophes]
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