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estudos:levinas:o-que-existe-e-a-propria-existencia-1963

QUE EXISTE E A PRÓPRIA EXISTÊNCIA (1963:15-18)

LÉVINAS, Emmanuel. De l’existence à l’existant. 2e éd. augm ed. Paris: J. Vrin, 1990.

O pensamento desliza insensivelmente da noção do ser como ser, daquilo por que um existente existe, à ideia de causa da existência, de um “ente em geral”, de um Deus, cuja essência, a rigor, apenas conterá a existência — mas nem por isso deixará de ser um “ente” e não o fato ou a ação, ou o evento puro ou a obra de ser.

  • A distinção entre os entes designados por substantivos — indivíduo, gênero, coletividade, Deus — e o ato ou evento de sua existência impõe-se à reflexão filosófica e ao mesmo tempo se apaga com facilidade, pois o pensamento experimenta uma vertigem ao tentar apreender o vazio do verbo existir, deslizando do ser enquanto ser para a ideia de causa da existência ou de um “ente em geral”, confundindo assim a obra pura de ser com o ente.
    • Distinção entre o que existe e o existir enquanto tal.
    • Vertigem diante do verbo existir separado do existente.
    • Deslizamento da noção de ser para a causa da existência.
    • Transformação do ser em “ente em geral” ou Deus concebido como ente.
    • Confusão entre o evento puro de ser e o “ente”.
  • A dificuldade de separar ser e ente decorre da tendência de situar o instante como átomo do tempo para além do evento, de modo que o ente já está comprometido com o ser e o domina como o sujeito domina o atributo, exercendo essa dominação no instante fenomenologicamente indecomponível.
    • Relação entre ente e ser não como termos independentes.
    • Ente já em contrato com o ser.
    • Analogia com a dominação do sujeito sobre o atributo.
    • Instante como unidade indecomponível na análise fenomenológica.
  • A adesão do ente ao ser pode não ser simplesmente dada no instante, mas realizada pela própria stasis do instante enquanto polarização do ser em geral que faz surgir um ente, sendo o começo ou nascimento o lugar onde essa dialética se torna sensível, pois mesmo a criação ex nihilo implica no instante um ato de apropriação e domínio do sujeito sobre seu ser, revelando que o instante é articulado e distinto da simplicidade eterna.
    • Instante como evento que põe um ente no ser.
    • Polarização do ser em geral no instante.
    • Nascimento como exemplo da dialética do começo.
    • Necessidade de explicar o que acolhe a existência no ente que começa.
    • Criação ex nihilo ainda implicando ato no surgimento.
    • Domínio do sujeito sobre o atributo no instante.
    • Instante articulado em contraste com o eterno simples.
  • Separado do ente que o domina, o evento impessoal do ser em geral não se confunde com a generalidade de um gênero nem com a forma pura de objeto, embora esta já ultrapasse o gênero à maneira dos transcendentais medievais, pois o ser recusa toda especificação, não é qualidade nem suporte nem ato subjetivo, e sua pertença ao ente como atributo manifesta o caráter impessoal do ser que só se torna ser de um ente pela inversão operada pelo presente, suscitando a questão de como abordar esse ser que se esquiva à forma pessoal.
    • Generalidade do ser distinta da generalidade do gênero.
    • Referência à noção medieval de transcendentais.
    • Ser não como qualidade, suporte ou ato de sujeito.
    • Fórmula “isto é” mostrando o ser como atributo que nada acrescenta.
    • Impessoalidade do ser em geral.
    • Presente como evento que faz do ser o ser de um ente.
    • Questão do acesso ao ser que se recusa à forma pessoal.
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