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Luta de classes

Henry, Michel. Marx. vol. I. Una filosofía de la realidad. - 1a ed. - Buenos Aires : Ediciones La Cebra, 2011. / Marx. vol. II. Una filosofía de la economía. - 1a ed. - Buenos Aires : Ediciones La Cebra, 2018.

5. Nenhum filósofo teve maior influência que Marx, nem foi pior compreendido, sendo o marxismo o conjunto dos contrassensos produzidos sobre Marx e a divergência entre seu pensamento próprio e os postulados teóricos e práticos dos marxismos algo consubstancial a esse mesmo marxismo, orientado essencialmente para a ação política.

  • O marxismo reteve da obra original apenas o que podia estimular a ação política, substituindo o conteúdo de uma filosofia por um resumo sumário a serviço da práxis revolucionária.
  • No prefácio de 1883 à reedição alemã do Manifesto Comunista, Engels atribui a Marx o pensamento fundamental de que a produção econômica e a organização social dela derivada formam a base da história política e intelectual de cada época, e de que toda a história é história da luta de classes, luta que atingiu um grau em que o proletariado só pode libertar-se libertando toda a sociedade da exploração e da opressão.

6. O resumo de Engels reduz o pensamento fundamental de Marx a uma formulação simplificada e enganosa, extraída de um texto político cujo gênero — o dos textos histórico-políticos como o Manifesto do partido comunista, O 18 Brumário de Luís Bonaparte, A luta de classes e A guerra civil na França — não contém em si mesmo seu princípio de inteligibilidade, pois os conceitos que neles aparecem não são conceitos fundadores.

  • A produção econômica não é, para Marx, a produção real, e por isso não pode constituir a base da história política e intelectual, ao contrário do que sugere o resumo de Engels.
  • As considerações sobre a história nesse resumo levam a crer que a luta de classes constitui o próprio ser da história, sua potência motriz e sua explicação, silenciando a origem das classes, que remetem a um naturante cuja elucidação é uma das conquistas da filosofia de Marx.
  • A interpretação clássica da história como história da luta de classes constitui um erro, uma vez que o conceito de classe em Marx é estranho à teoria fundamental da história, restando aos conceitos dos textos políticos apenas uma significação limitada à função que neles cumprem, remetendo filosoficamente à teoria formulada explicitamente por Marx nos textos filosóficos.
  • Numa carta a Kugelmann de 9 de novembro de 1866, a propósito do Congresso de Genebra, Marx indica o limite extremo da significação dos escritos políticos ao explicar que redigiu o programa dos delegados de Londres limitando-o intencionalmente aos pontos que permitiam acordo imediato e ação concreta dos trabalhadores.

7. Os textos políticos, dirigidos a um público amplo, fazem de Marx um escritor em que floresce novamente a retórica hegeliana, tanto mais livre quanto mais rapidamente esses textos — como O 18 Brumário de Luís Bonaparte, redigido para um jornal norte-americano — foram escritos.

  • A reaparição dos conceitos hegelianos nesses textos não é acidental, pois, tratando-se de história e não de teoria da história, as formações sociais e os conceitos que as formulam pertencem filosoficamente a uma ontologia do universal, gerando uma analogia entre os escritos políticos e os textos de juventude.
  • Essa analogia explica que, após o declínio do positivismo cientificista, certo marxismo tenha buscado se estabelecer sobre ambos os tipos de texto, numa filiação incontestável a Hegel marcada pelo primado do universal, do geral, da essência política ou social, da dialética, da negação, da revolução e do movimento interno do ser ou da sociedade como essência única.
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