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7 Impressão
HENRY, Michel. Incarnation: une philosophie de la chair. Paris: Seuil, 2000.
7. A questão, tomada crucial, da impressão, compreendida como fundadora da realidade. O problema de seu estatuto fenomenológico. Intencionalidade e impressão.
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A impressão reclama análise mais avançada, buscando-se seu estatuto fenomenológico exato em relação à consciência, respondendo Husserl que a cor noemática, exterior, difere da cor impressional, material e invisível, pertencendo esta última à realidade da consciência ao mesmo título que a intencionalidade, sendo o elemento sensual “em si mesmo não é nada de intencional”
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Confiado o aparecer à intencionalidade, coloca-se a questão crucial do aparecer da própria impressão: desprovida de intencionalidade, estaria ela entregue à noite, devendo também ser tomada por uma intencionalidade que a visse?
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Essa interrogação atinge a própria intencionalidade, pois remeter sua autorrevelação a uma segunda intencionalidade envolveria regressão ao infinito, havendo textos raros e lacônicos de Husserl segundo os quais a própria consciência intencional seria em si mesma uma impressão, uma consciência impressional, autoimpressionando-se de modo a revelar-se a si mesma
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cita-se Husserl: “A consciência que julga um estado de coisa matemática é impressão”, e “A crença é crença atual, é impressão”, devendo-se distinguir a crença em si mesma da crença apreendida objetivamente como “meu estado, meu juízo”
Tais indicações, capazes de pôr em causa o primado do phainomenon grego, permanecem sem contexto, produzindo-se rápido deslocamento: a hylé, matéria da consciência, deixa de ser compreendida como fenomenológica em si mesma, superpondo-se o esquema segundo o qual uma matéria só é matéria para uma forma que a in-forma e lhe dá o aparecer, sendo essa forma, para Husserl, a intencionalidadeFecha-se assim o círculo do qual a fenomenologia husserliana não sairá: quanto à questão de como a intencionalidade se revela a si mesma, algumas passagens apelam à impressão, mas é à intencionalidade, atravessando-a com seu olhar, que a impressão deve agora poder mostrar-seCita-se Husserl sobre o vivido incluir tanto os momentos hiléticos quanto as apreensões que os animam, constituindo juntos “o aparecer da cor”, decompondo-se imediatamente essa totalidade em elemento que detém o poder de aparecer e elemento dele desprovido, repousando secretamente a oposição clássica forma/matéria sobre o conceito grego de phainomenonQuando o poder de aparecer passa da impressão à intencionalidade, ocorre outro deslocamento decisivo: a impressão já não se revela em si mesma mas é arrancada de seu lugar original e lançada sobre o objeto, mostrando-se como uma de suas qualidades, “uma qualidade sensível do objeto”Nasce assim a grande ilusão dupla do “mundo sensível”: primeiro, crer que a verdade impressional se encontra efetivamente no mundo como qualidade objetiva do objeto; segundo, atribuir ao aparecer do mundo a revelação original da impressão, sendo este investido sub-repticiamente de poder que não tem, enquanto se oculta a revelação própria da impressão, tendendo a apagar-se a distinção husserliana entre Empfindungsfarbe e noematische FarbePergunta-se, contudo, como conceber uma cor exibida sobre o objeto sem impressão de cor original, ou sonoridades de instrumentos que não fossem antes puras “sonoridades interiores”, sendo o objeto do mundo, incapaz de sentir a si mesmo, incapaz para sempre de portar tais impressões, exemplificando-se com a parede bege ou cinza que não é mais bege ou cinza do que poderia ser “quente” ou “dolorosa”, não podendo pedir água ao ser tomada de “onda de calor”Coloca-se o princípio do absurdo a investigar radicalmente: entregue ao aparecer do mundo como qualidade do objeto, a impressão não é apenas arrancada de seu lugar original mas simplesmente destruída, pois não há impressão possível sem que ela se toque a si em cada ponto de seu ser, autoimpressionando-se, não advindo no fora de si do aparecer do mundo, em sua exterioridade pura, nenhuma impressionalidade desse gênero, nem, por conseguinte, nenhuma impressão -
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