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estudos:grondin:temporalizacao-1987

TEMPORALIDADE E TEMPORALIZAÇÃO (1987:60-62)

GRONDIN, J. Le Tournant dans la pensée de Martin Heidegger. Paris: PUF, 1987

  • O conceito de maturação temporal implica um desdobramento espontâneo descrito através de locuções que indicam o caráter extático do tempo como um estar fora de si nas direções do futuro, passado e presente.
    • Definição do futuro como um advenir em direção a si mesmo.
    • Caracterização do ter-sido como um retorno sobre o já ocorrido.
    • Descrição do presente como um deter-se junto às coisas.
    • Determinação da temporalidade pela estrutura de saída de si ou êxtase.
  • A temporalização manifesta-se como uma tensão contínua e uma irradiação simultânea nas três dimensões temporais, constituindo uma narratividade do autodesdobramento existencial anterior a qualquer medição cronológica.
    • Comparação com a filosofia da natureza de Hegel sobre o tempo estar junto de si ao estar fora de si.
    • Foco na experiência vivida e no suspense do ter-que-ser.
    • Fundamentação fenomenológica da tensão interna da temporalidade.
    • Adoção do termo êxtase para simbolizar os momentos do tempo.
  • A estrutura extática da temporalidade fundamenta a ex-sistência do Dasein, permitindo que o ser humano transcenda os entes e aceda à consciência de sua finitude e abertura ao ser.
    • Definição de ex-sistência como o manter-se fora dos entes e exposto ao ser.
    • Papel do transporte para o futuro na tomada de consciência da própria existência.
    • Distinção entre o humano e o animal baseada na consciência da morte e do ser.
  • A estrutura do cuidado recebe seu sentido e tensão da temporalidade extática, correlacionando as definições prepositivas de ser-à-frente-de-si, já-em e ser-junto-a com as três dimensões temporais.
    • Dependência do poder-ser em relação ao transporte extático para o futuro.
    • Conexão entre a definição preliminar do cuidado e sua interpretação temporal posterior em Ser e Tempo.
    • Identificação do futuro com o estar à frente de si e do passado com o já estar no mundo.
  • A identificação ontológica entre o Dasein e o tempo originário visa superar a incapacidade da filosofia moderna de determinar positivamente o modo de ser da subjetividade para além da categoria de substância ou coisa pensante.
    • Crítica à concepção kantiana do sujeito transcendental.
    • Reconhecimento das intuições de Immanuel Kant na Dedução Transcendental sobre o tempo como fundamento.
    • Tarefa da ontologia fundamental de determinar o ser do sujeito sobre o fundo da temporalidade.
  • A tese heideggeriana de que a temporalidade constitui a estrutura transcendental originária do Dasein suscita questionamentos sobre a possível transformação do tempo em um sujeito anônimo anterior à própria existência humana.
    • Concordância parcial com a crítica de Martin Heidegger ao sujeito kantiano.
    • Dificuldade de aceitação da identidade entre Dasein e tempo.
  • A proposição que iguala o Dasein ao tempo permanece vaga enquanto não se esclarece o sentido ontológico da cópula verbal, violando provisoriamente o princípio da significância filosófica.
    • Problematização da afirmação “o Dasein é o tempo”.
    • Referência à filosofia analítica e à própria introdução de Ser e Tempo.
  • A postulação da temporalidade como estrutura a priori cognoscível pressupõe uma capacidade de acesso direto questionável para um ser finito, assemelhando-se à fé racionalista na transparência das estruturas transcendentais.
    • Indagação sobre as condições de possibilidade do conhecimento da estrutura originária.
    • Contraste entre a finitude do filósofo e a pretensão de descobrir a estrutura universal.
  • A oscilação terminológica na obra de Martin Heidegger, que ora identifica o Dasein ao tempo e ora apresenta a temporalidade como condição ou isolamento, sinaliza as aporias de um projeto transcendental enraizado na facticidade hermenêutica.
    • Variação nas definições da relação entre Dasein e tempo.
    • Emergência da concepção do tempo como fator de isolamento em 1930.
    • Conflito entre a ambição transcendental e a radicalização da finitude existencial.
    • Questionamento sobre a capacidade do Dasein de superar sua facticidade para alcançar suas condições de possibilidade.
  • A consciência de Martin Heidegger sobre o caráter arriscado de suas investigações temporais reflete-se na retomada das perplexidades de Agostinho e Immanuel Kant diante da obscuridade e insaisissabilidade do fenômeno do tempo.
    • Citação frequente das dificuldades de definição do tempo e do esquematismo.
    • Contraste entre a segurança habitual do pensamento heideggeriano e a hesitação no tratamento do tempo.
    • Caracterização do tempo como enigma refratário à apreensão conceitual.
  • A recapitulação do percurso investigativo expõe a tentativa de romper o círculo ontocronológico da metafísica através da analítica do Dasein, restando a questão de como a temporalidade existencial conduz à temporalidade do próprio ser.
    • Crítica à redução do ser do tempo ao instante na metafísica.
    • Função da decomposição da estrutura do cuidado.
    • Indagação sobre a ponte entre a temporalidade humana e o caráter temporal do ser.
  • A distinção terminológica entre Temporalität e Zeitlichkeit justifica-se pela intenção de evocar, através do latim, a tradição medieval dos transcendentais e sugerir a autonomia ontológica da temporalidade do próprio ser.
    • Escolha deliberada de termo latino para a nova problemática.
    • Associação do latim com a ontologia medieval e a doutrina dos transcendentais.
    • Fascínio de Martin Heidegger pela ideia de existência autônoma do ser.
    • Tradução proposta de Temporalität por temporalitas.
  • A tarefa fundamental da ontologia de interpretar o ser a partir do tempo exige a elaboração da temporalitas do ser, distinta da temporalidade existencial, como resposta concreta à questão do sentido do ser.
    • Diferenciação semântica estabelecida no parágrafo 5 de Ser e Tempo.
    • Definição de determinação temporal como a determinação originária do sentido do ser.
  • A ausência da temática da temporalitas nas seções publicadas de Ser e Tempo indica que sua exposição estava reservada para a terceira seção inédita, intitulada Tempo e Ser, conforme o plano original da obra.
    • Localização da problemática na arquitetura planejada do livro.
    • Divisão do tratado em duas tarefas fundamentais.
    • Limitação do texto publicado à interpretação do Dasein.
  • A reconstrução do conteúdo da seção perdida de Ser e Tempo torna-se viável através da análise do curso de 1927 sobre os problemas fundamentais da fenomenologia, explicitamente identificado por Martin Heidegger como uma nova elaboração daquela temática.
    • Perda do manuscrito original da terceira seção.
    • Importância do curso de 1927 na edição completa das obras.
    • Notas marginais e remissões do autor que vinculam o curso ao projeto original.
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