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estudos:garcia:2021:start

Gadamer

Gadamer. Comprender la verdad de la experiencia.

Prefácio

Hans-Georg Gadamer, testemunha do século XX

  • A Universidade de Marburgo e a crise dos anos 20
    • Martin Heidegger
  • O magistério de Martin Heidegger
    • Um choque elétrico
  • Verdade e Método
  • A hermenêutica filosófica, reflexo de uma vida

As chaves de Verdade e Método: aproximação à hermenêutica filosófica

  • O problema das «ciências do espírito»
    • Condicionamento histórico
  • O desafio da consciência histórica
  • A ideia de hermenêutica
    • Experiência de verdade e verificação
  • A experiência hermenêutica e a metodologia da ciência

A verdade da arte

  • A tradição humanista
  • A originalidade da arte
    • O conceito de apresentação
  • O jogo como modelo ontológico
  • A essência da obra de arte
  • A imagem e as artes plásticas

Somos seres históricos

  • A historicidade da compreensão
    • Uma ideia provocativa
  • Reabilitação da ideia de preconceito
  • A função da tradição
  • Pertencimento e mobilidade
    • O círculo hermenêutico
  • Consciência histórica e consciência hermenêutica
  • Interpelação, pretensão de verdade, aplicação
  • A mobilidade histórica do compreender
  • A hermenêutica e a questão crítica
  • O diálogo, forma do pensamento hermenêutico

E no fundo, a linguagem

  • O conceito de linguisticidade
  • A conversação hermenêutica
    • A virada linguística
  • Texto e diálogo
    • Interpretação
  • «Todo compreender é interpretar»
  • A concepção hermenêutica da linguagem
  • «O ser que pode ser compreendido é linguagem»

A hermenêutica em discussão

  • Gadamer no pós-modernismo
  • Confrontação e crítica: Jürgen Habermas e a Escola de Frankfurt
  • Hermenêutica e desconstrutivismo

Prefácio

  • 1. Não é aventurado considerar o século XX um século de ouro da filosofia, um de seus momentos estelares, no qual a riqueza, a variedade e a força criadora do pensamento atingiram elevadíssimos patamares, exigindo de um filósofo, para nele destacar-se e gravar seu nome além de êxitos momentâneos e modas passageiras, a capacidade de tocar os problemas de fundo de seu tempo, enfrentá-los de modo inovador e alcançar força expressiva suficiente para fazer pensar o leitor, tarefa que, felizmente, cumpre a história, e não o marketing, encarnando-a magnificamente a obra de Hans-Georg Gadamer (1900-2002), cuja hermenêutica filosófica se afirmou como uma das correntes que melhor definem a filosofia do século XX, resistindo sem dificuldade à voragem pós-moderna do fim de século e aos novos campos da sociedade da informação.
  • 2. Este livro constitui uma introdução ao pensamento de Gadamer, desejando sê-lo tal como um livro de filosofia sempre deve pretender: dando o que pensar ao leitor, ajudando-o a transformar o que lê em pensamento próprio — o que não significa pensamento original, privilégio de poucos —, não se entrando num pensamento filosófico ao limitar-se a aprender o que ele diz ou a atribuir uma teoria a um autor ou corrente, mas ao compreenderem-se os problemas subjacentes às teorias e as razões e argumentos elaborados para sustentá-las, único modo pelo qual uma filosofia incita o leitor a pensar, a posicionar-se sobre o que ela diz e a apoiar-se nela para melhor compreender seu próprio mundo.
    • Trata-se, com essa pretensão talvez excessiva, de fazer com que adentrar o pensamento de Gadamer seja, ao mesmo tempo, pensar por si mesmo, atendo-se fielmente ao sentido de sua hermenêutica, pois se algo Gadamer tentou em toda sua obra foi desvendar a fundo o significado efetivo da palavra compreender, mostrando-se assim seu pensamento como demonstração de que Kant tinha razão ao assinalar que não se pode aprender filosofia, mas apenas aprender a filosofar.
  • 3. A estrutura do livro responde à ideia central de fazer o leitor apropriar-se dos problemas, por vezes implícitos, que movem Gadamer: o primeiro capítulo expõe dados biográficos em estreita relação com o ambiente político e cultural do século, vivido integralmente pelo filósofo de Heidelberg como testemunha excepcional; o segundo situa o pensamento gadameriano no contexto da tradição alemã das ciências do espírito, evidenciando os problemas que ela comporta e de onde arranca sua reflexão, fornecendo as chaves de acesso à sua obra.
  • 4. Os três capítulos seguintes expõem o nervo central da hermenêutica filosófica gadameriana, suas teses fundamentais, seguindo sua disposição a ordem expansiva do pensamento hermenêutico: análise da experiência da arte da qual se extrai forma de compreensão e verdade que reclama lugar próprio frente à ciência (capítulo terceiro); extensão e confirmação dessa forma de verdade na compreensão do passado histórico e na relação com a tradição (capítulo quarto); e exposição do papel da linguagem no conjunto da experiência do mundo, mostrando em que medida e dentro de que limites a hermenêutica constitui filosofia linguística (capítulo quinto), ocupando-se o capítulo final da recepção do pensamento de Gadamer em outras filosofias e das importantes discussões a que deu lugar.
  • 5. Procurou-se, em todos os capítulos, fazer da clareza expositiva o meio de todo o desenvolvimento do livro, dando prioridade às razões e argumentos que conduzem o pensamento de Gadamer sobre sua mera exposição, por tratar-se, antes de tudo, de tornar inteligível e verossímil o que Gadamer diz, única forma de compreendê-lo verdadeiramente e assimilá-lo, esperando-se ter alcançado tal propósito.
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