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estudos:davis:fenomenologia-vontade-de-poder-2007

FENOMENOLOGIA DA VONTADE DE PODER (2007)

DAVIS, Bret W. Heidegger and the will: on the way to Gelassenheit. Evanston, Ill: Northwestern Univ. Press, 2007.

  • A análise precedente sobre a apropriação e a crítica heideggeriana da vontade de poder de Nietzsche é retomada e sintetizada, caracterizando a essência da vontade como vontade de vontade, poder-preservação/poder-aumento, ou incorporação extático-inclusiva.
    • A vontade distingue-se de um mero esforço e do egoísmo estático de um eu solipsista isolado do mundo.
    • O sujeito da vontade existe para além de si mesmo, sendo um modo específico de ser-no-mundo.
    • Esse modo é descrito por Heidegger como querer-ser-senhor.
    • O modo de existência de quem quer é o ser-senhor-para-além-de-si-mesmo.
    • Na vontade, o sujeito excede-se a si mesmo e incorpora esse excesso de volta à sua subjetividade.
    • A ekstasis da vontade é sempre reintegrada na economia do eu.
    • A superação de si na vontade ocorre em nome da expansão do eu, do aumento de seu território e poder.
    • A vontade é essencialmente esse alcançar para além de si no comandar.
  • Heidegger compreende a noção nietzschiana de vontade de poder como uma relação de identidade dinâmica entre vontade e poder, na qual os termos dizem o mesmo, embora a expressão não seja redundante, pois a essência do poder é vontade de poder e a essência do querer é vontade de poder, de modo que a vontade de poder é, em última instância, vontade de vontade, um querer que já tem o que quer e que se quer a si mesmo, repetindo-se na mesmidade apesar de seu caráter extático.
    • Vontade e poder dizem o mesmo.
    • A vontade de poder é vontade de vontade.
    • O querer é um autopoder.
    • O que a vontade quer, ela já tem; a vontade quer sua vontade.
    • A vontade quer-se a si mesma.
    • Há uma repetitiva mesmidade na vontade de poder.
    • A vontade alcança o mundo apenas para reduzi-lo a mais do mesmo.
  • A dinâmica da vontade de poder não se reduz a uma redundância estática, pois o querer é essencialmente um querer-ser-mais, e o aumento e a elevação são implicados na vontade, a qual, para querer o aumento, deve primeiro querer preservar o domínio de poder estabelecido, e a mera pausa no aumento já é o início do declínio do poder, de modo que poder só pode empoderar-se a si mesmo para um sobrepoder ao comandar tanto o aumento quanto a preservação, momentos que se possibilitam mutuamente, embora o que é aumentado seja, em sentido fundamental, o mesmo que o que é preservado, e a vontade de poder, apesar de seu dinamismo, mova-se num círculo em expansão, porém fechado, da vontade de vontade.
    • Na vontade, aumento e elevação são essencialmente implicados.
    • A vontade de poder implica a vontade de aumento de poder.
    • Para querer o aumento, a vontade deve primeiro querer preservar seu domínio de poder.
    • A pausa no aumento já é o começo do declínio do poder.
    • A preservação do poder exige um aumento incessante.
    • O poder empodera-se a si mesmo comandando tanto aumento quanto preservação.
    • Aumento e preservação possibilitam-se mutuamente.
    • O que é aumentado é fundamentalmente o mesmo que o que é preservado.
    • A vontade de poder move-se num círculo expansivo mas fechado da vontade de vontade.
  • A vontade de vontade, pensada dinamicamente, repete sempre o mesmo e, apesar do caráter extático, constitui uma espécie de encapsulamento do eu, não no sentido de exclusão do mundo, mas de expansão agressiva do território do eu para incluir o mundo no seu campo de poder, de modo que o querer quer aquele que quer e põe o querido como tal, alcançando o mundo como algo que ele põe como meio para o movimento de poder-aumento e poder-preservação.
    • A vontade de vontade deve ser pensada dinamicamente.
    • Dinamicamente, ela repete mais do mesmo.
    • A vontade é o insaciável, sempre expansivo, porém sempre o mesmo, vontade de vontade.
    • A vontade retorna continuamente sobre si mesma como o idêntico.
    • A vontade é um encapsulamento do eu.
    • O encapsulamento não é exclusão do mundo, mas expansão agressiva do eu.
    • O território do eu inclui o mundo no seu campo de poder.
    • O querer quer aquele que quer.
    • O querer põe o querido como tal.
    • O mundo é algo posto como meio para poder-aumento e poder-preservação.
  • Essa interpretação fenomenológica crítica da vontade de poder nietzschiana serve de base para a crítica heideggeriana a Nietzsche e, por ser considerada a culminação da metafísica ocidental e a introdutora da época atual da técnica, atua como contraponto para o pensamento tardio de Heidegger, no qual o caráter de posição e posicionamento da vontade, que representa seus objetos como meios para a própria segurança e aumento de poder, está no cerne do que Heidegger problematiza como Ge-stell da técnica.
    • A interpretação da vontade de poder serve de base à crítica heideggeriana de Nietzsche.
    • O pensamento de Nietzsche é visto como a culminação da metafísica ocidental.
    • Esse pensamento anuncia a época atual da técnica.
    • A interpretação atua como contraponto ao pensamento tardio de Heidegger.
    • O caráter de posição e posicionamento da vontade é central no Ge-stell.
    • A vontade representa seus objetos como meios para a segurança e aumento de poder.
  • Heidegger estabelece uma conexão explícita entre o momento de poder-preservação da vontade de poder e a redução tecnológica do mundo a fundo de reserva, pois a preservação do nível de poder alcançado consiste em o cercar-se de uma esfera circundante do que pode ser fiavelmente apreendido como algo por detrás de si, a fim de contender pela própria segurança, e essa esfera circundante delimita o fundo de reserva do que presença como imediatamente à disposição da vontade.
    • O momento de poder-preservação da vontade de poder conecta-se à redução tecnológica do mundo.
    • A preservação do poder consiste em cercar-se de uma esfera circundante.
    • Essa esfera é composta do que pode ser fiavelmente apreendido como algo por detrás de si.
    • A apreensão visa contender pela própria segurança.
    • A esfera circundante delimita o fundo de reserva do que presença.
    • O fundo de reserva está imediatamente à disposição da vontade.
  • Heidegger afirma que o domínio incondicional da razão calculadora na época da técnica pertence à vontade de poder, conectando assim a vontade de poder nietzschiana como vontade de vontade ao modo de desocultação dos entes denominado essência da técnica, e, diferentemente da crítica da técnica, que é uma preocupação central do Heidegger tardio, as teses de que o pensamento de Nietzsche é a culminação da metafísica e a forma última do niilismo atacam a autocompreensão do próprio Nietzsche.
    • O domínio incondicional da razão calculadora pertence à vontade de poder.
    • A vontade de poder como vontade de vontade conecta-se à essência da técnica.
    • A essência da técnica é um modo de desocultação dos entes.
    • A crítica da técnica é uma preocupação central do Heidegger tardio.
    • A tese da culminação da metafísica em Nietzsche ataca a autocompreensão nietzschiana.
    • A tese do niilismo como forma última ataca a autocompreensão nietzschiana.
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