Cassin
Barbara Cassin (1947)
O ponto de partida é uma reflexão sobre a dificuldade de traduzir filosofia. Queríamos pensar a filosofia em línguas, tratar as filosofias tal como elas se expressam e ver o que isso muda na nossa maneira de filosofar. É por isso que não elaboramos mais um Dicionário ou Enciclopédia de filosofia, tratando por si mesmos conceitos, autores, correntes e sistemas, mas um Vocabulário europeu das filosofias, que parte de palavras tiradas da diferença mensurável das línguas, pelo menos das principais línguas em que se escreveu filosofia na Europa — depois de Babel. Deste ponto de vista, o Vocabulário das instituições indo-europeias de Émile Benveniste é a obra, pluralista e comparativa, que nos serviu de modelo: para encontrar o significado de uma palavra numa língua, ele revela as redes em que ela se insere e procura compreender como uma rede funciona numa língua, relacionando-a com as redes de outras línguas. [Seu Prefácio a CASSIN, Barbara (org.). Vocabulaire européen des philosophies. Dictionnaire des intraduisibles. Paris: Seuil, 2004]
