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HERÁCLITO E A PROFUNDIDADE INCOMENSURÁVEL DA ALMA HUMANA (2024)
CAPOBIANCO, Richard. In Heidegger’s vineyard: reflections and mystical vignettes. Brooklyn, NY: Angelico Press, 2024.
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Contexto da leitura heideggeriana de Heráclito
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A análise se insere no curso de 1944 sobre Heráclito, dedicado ao Logos, no qual Heidegger busca pensar a relação entre o Logos primordial do Ser e o logos do ser humano
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O problema central não é exegético no sentido filológico restrito, mas ontológico, isto é, diz respeito ao modo como o Ser se relaciona com o humano
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A discussão do fragmento 45 ocorre no interior desse esforço de repensar a relação entre Ser e homem para além da metafísica tradicional
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Crítica à concepção metafísica tradicional da relação entre Ser e homem
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Heidegger rejeita as interpretações que concebem a relação entre Ser e homem como uma relação entre dois entes estáticos
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Essas interpretações são qualificadas como metafísicas no sentido da ontologia da substância ou do sujeito
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A objeção principal consiste em que tais concepções perdem o caráter dinâmico, fluido e originariamente enigmático da relação
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Contra isso, Heidegger sustenta que há de fato uma relação, mas que ela não pode ser pensada como dependência do Ser em relação ao homem
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O caráter peculiar da relação entre Ser e alma humana
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O Ser não depende do ser humano nem da alma humana
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Contudo, a relação entre ambos é difícil de delimitar e compreender
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A alma humana é descrita como tão profunda que não se sabe claramente onde ela termina em relação ao Ser
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Essa indeterminação não é uma deficiência cognitiva contingente, mas pertence à estrutura da própria relação
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Universalidade possível dessa estrutura relacional
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Heidegger sugere que essa relação enigmática não se limita ao ser humano
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Ela pode valer, em certo sentido, para todos os entes
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Ainda assim, a análise se concentra inicialmente no humano por ser nele que essa relação se torna tematizável
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O fragmento 45 de Heráclito como ponto de inflexão
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O fragmento é tradicionalmente traduzido como a impossibilidade de descobrir os limites da alma
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Heidegger não rejeita simplesmente essas traduções
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Seu interesse reside em mostrar que o fragmento não foi compreendido em sua radicalidade
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O fragmento testemunha contra as concepções posteriores da alma desenvolvidas na tradição filosófica
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Crítica às concepções platônicas e aristotélicas da alma
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Platão e Aristóteles, bem como seus comentadores, reduziram a alma humana ao âmbito do intelecto ou da razão
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Termos como noûs, intellectio e ratio passaram a definir o essencial da alma
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Essa redução implica um empobrecimento da compreensão originária da alma
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Perde-se de vista a abertura imensurável da alma ao Ser
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A alma como abertura que ultrapassa a razão
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Para Heidegger, seguindo Heráclito, a alma se estende muito além do intelecto
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Sua atividade fundamental não é apenas pensar racionalmente
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Ela consiste em um recolher e reunir que alcança muito além da atividade intelectual codificada pela tradição
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Esse recolher é uma abertura ao Ser enquanto totalidade ainda não esgotada
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A impossibilidade de encontrar os limites da alma
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Heidegger traduz os limites da alma como as saídas ou passagens extremas
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Essas passagens extremas não podem ser encontradas
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Isso significa que a relação do homem com o Ser nunca é plenamente delimitável
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A relação permanece estruturalmente indeterminada e, por isso, enigmática
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Consequência ontológica da indeterminação
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A impossibilidade de delimitar a alma implica que o Ser nunca é plenamente acessível
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O Ser se dá sempre com um excedente que escapa à apreensão
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A relação entre homem e Ser permanece, portanto, um acontecimento de espanto e mistério
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A noção de profundidade da alma
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Heidegger esclarece que a profundidade não é entendida em sentido quantitativo ou psicológico
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Profundidade significa extensão de abertura ao Ser
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O exemplo utilizado é o da floresta profunda, na qual se pode avançar indefinidamente
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Não há um ponto final claramente demarcável
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Profundidade como alcance no oculto
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O profundo é definido como aquilo que alcança plenamente o oculto
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Alcançar o oculto não significa eliminá-lo
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Significa reunir-se a ele de modo próprio
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A alma é a extensão que alcança o oculto do Ser e, ao fazê-lo, reúne
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A alma como expansão que recolhe o Ser
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A alma é compreendida como a expansão que se estende ao ocultamento do Ser
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Esse ocultamento não é ausência, mas modo próprio de manifestação
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A atividade da alma participa do recolhimento primordial do Ser
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Contudo, esse recolhimento nunca esgota o que recolhe
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O caráter inesgotável do oculto
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O oculto do Ser não pode ser plenamente desvelado
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A abertura humana não consegue esgotar esse ocultamento
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Sempre permanece uma reserva, um excedente não apropriável
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Isso corresponde à concepção do Ser como Aletheia, desvelamento que inclui ocultamento
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A afinidade com a ideia de que o Ser ama ocultar-se
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A leitura do fragmento 45 se articula com a interpretação do fragmento 123
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O Ser é pensado como aquilo que ama ocultar-se
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O ocultamento não é um defeito, mas um traço essencial do Ser
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A profundidade da alma corresponde à abertura para esse ocultamento essencial
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Salvaguarda do mistério do Ser
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Heidegger enfatiza a grandeza da abertura da alma humana
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Ao mesmo tempo, preserva o mistério último do Ser
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O Ser não é capturado nem dominado pela alma
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A relação permanece assimétrica e não apropriável
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Significado filosófico da leitura de Heráclito
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A leitura destaca simultaneamente a grandeza da alma humana e o limite dessa grandeza
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O humano é profundamente aberto ao Ser
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Mas essa abertura nunca se converte em posse ou domínio
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O pensamento é reconduzido a um modo de habitar o mistério, e não de resolvê-lo
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