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estudos:braver:cura-cuidado-preocupacao-sorge-2014
CURA - CUIDADO - PREOCUPAÇÃO (2014:67-69)
BRAVER, Lee. Heidegger: thinking of being. 1. publ ed. Cambridge: Polity Press, 2014.
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Em vez de um colapso localizado de ferramentas específicas, a angústia marca o colapso da significância da mundanidade como um todo e, como crise que é também oportunidade fenomenológica, individualiza ao separar da absorção habitual em mundos e torna visível a estrutura da existência buscada desde o início, de modo que o não-estar-em-um-mundo fornece a perspectiva para ver o ser-no-mundo usual e confirma a regra de que o positivo se esclarece do lado do privativo (BP 309).
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Colapso da significância é descrito como global, não restrito a um instrumento.
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A angústia é caracterizada como oportunidade fenomenológica.
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A analogia com panes revela o antes-inconspícuo ao torná-lo tema.
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A individualização é descrita como separação da absorção em mundos.
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A estrutura da existência é descrita como aquilo que se torna visível nesse afastamento.
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O não-estar-em-um-mundo é descrito como ponto de vista para compreender o ser-no-mundo.
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A formulação “o positivo se torna particularmente claro do lado do privativo” é explicitada (BP 309).
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Após percorrer as partes do ser-no-mundo e com a angústia colocando fora dessa estrutura e drenando-a temporariamente de conteúdo para que apareça por si, torna-se possível compreendê-la de fato ao apreender seu sentido, definido como o que explica por que algo é como é e por que possui tais traços (370–1/324), e para um fenômeno holístico e complexo isso implica ver o que o torna possível e o unifica.
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As partes do ser-no-mundo são retomadas como já examinadas: ser-em, mundanidade e o si que é no mundo.
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A angústia é descrita como posicionamento fora do conjunto dessas determinações.
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A drenagem de conteúdo é descrita como condição de visibilidade da estrutura.
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Compreender é descrito como apreender o sentido.
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Sentido é definido como princípio explicativo de traços e configuração (370–1/324).
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Para o ser-no-mundo, apreender sentido é descrito como ver condição de possibilidade e unidade.
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O sentido encontrado é o cuidado, pois Sorge é a base de Besorge em relação a equipamentos e de Fürsorge em relação a outros, tornando concernência e solicitude espécies de cuidado como cuidar de afazeres e cuidar de pessoas, e os traços do ser-no-mundo se revelam como modos de importar-se consigo, sendo reexpostos em síntese nas páginas densas 236–7/191–2 e completando a primeira volta da espiral hermenêutica ao retornar de análises parciais para entendimento mais profundo do todo.
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Sorge é apresentado como termo-raiz de Besorge e Fürsorge.
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Concernência por equipamentos é descrita como forma de cuidado.
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Solicitude por outros é descrita como forma de cuidado.
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Os traços do ser-no-mundo são requalificados como modos de importar-se consigo.
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A síntese é situada nas páginas 236–7/191–2.
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A espiral hermenêutica é descrita como retorno do entendimento parcial ao aprofundamento do conjunto.
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O primeiro elemento retomado é que o ser de Dasein é questão para ele (32/12), o que exige que algo importe e seja cuidado, pois só assim há motivação para buscar modos de resolver a questão do ser, e essa tentativa de resolução ocorre por projeção em possibilidades, isto é, em para-o-que, sendo que tais possibilidades são o que se é mesmo sem plena atualização (185/145), razão pela qual a vida cotidiana se estrutura como estar sempre adiante de si e além de si, reunido sob o nome de existencialidade e esclarecido pela etimologia de ek-sistir como estar fora de si, à maneira de uma estudante que age sempre em direção à graduação (236/191).
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A tese “o ser é questão” é referida como aquisição inicial (32/12).
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A questão do ser requer importação afetiva para mover a busca de resolução.
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Indiferença radical é descrita como impossibilidade de ver o ser como algo a resolver.
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Projeção em possibilidades é identificada com para-o-que.
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As possibilidades são descritas como constitutivas mesmo sem “realização” completa (185/145).
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Ser estudante é exemplificado como cuidar de tarefas que sustentam esse modo de ser.
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A fórmula “adiante de si” e “além de si” é associada à existencialidade (236/191).
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Ek-sistir é mobilizado como raiz de “estar fora de si”.
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O exemplo do atravessar o quarto ilustra antecipação prática do fim.
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A estudante é exemplificada como agir rumo a graduar-se.
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Ao mesmo tempo, há sempre já estar-em-um-mundo encontrado, desvelado por Befindlichkeit conforme ¶29, e esse mundo já vem amplamente definido por escolhas passadas, por traços de personalidade que sustentam tais escolhas e por determinações sociais como a existência de instituições, conjunto denominado facticidade.
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Estar já em um mundo é descrito como constante.
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Befindlichkeit é indicada como via de desvelamento do já-encontrar-se.
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O mundo é descrito como previamente configurado em muitos aspectos.
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Escolhas passadas são citadas como fontes de definição do mundo vivido.
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Traços de personalidade são citados como fatores que dão conta dessas escolhas.
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Determinações sociais são citadas como condições de possibilidade de certos caminhos.
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O conjunto é nomeado como facticidade.
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A interdependência profunda dessas facetas é afirmada como pertencimento mútuo e não mera justaposição, pois existir é sempre factício e a existencialidade é essencialmente determinada pela facticidade (236/192) e reciprocamente, já que a projeção só alcança possibilidades disponíveis no mundo encontrado enquanto o estar nesse ambiente também deriva de projeções anteriores organizadas e limitadas por dados de lançadura, de modo que limitação só aparece como tal onde há tentativa de superação por escolha e escolha só ocorre sobre um leque limitado para o qual já há inclinações diferenciais.
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Interdependência é descrita como condição de existência de cada faceta.
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A tese “existir é sempre factício” é citada (236/192).
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A determinação essencial da existencialidade pela facticidade é citada (236/192).
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A dependência inversa é afirmada como simétrica.
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Projeção é descrita como restrita ao disponível no mundo encontrado.
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O mundo encontrado é descrito como parcialmente resultado de projeções anteriores.
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Projeções anteriores são descritas como organizadas e limitadas por dados de lançadura.
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Limites só se manifestam como limites sob tentativa de ultrapassagem por escolhas.
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Escolhas exigem um conjunto limitado de alternativas efetivas.
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Inclinações por algumas opções e não por outras são incluídas como condição.
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Em conjunto, a existência factícia permite ser-em-um-mundo, pois fatos sobre si e opções e a própria escolha só se dão na arena pública que fornece linhas de significância instrumentais para a projeção, e sem tarefas e seus correlatos de equipamentos não haveria modos como estudante, cônjuge ou operário, sendo que proximamente e na maior parte das vezes o mundo é assumido tal como socialmente dado, o que caracteriza o estar no mundo como queda em tal mundo.
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Existência factícia é descrita como condição de ser-em-um-mundo.
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A arena pública é descrita como fornecedora de linhas de significância.
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Linhas de significância são descritas como instrumentais e orientadoras de projeções.
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Sem tarefas e equipamentos correlatos não haveria papéis praticáveis.
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Exemplos de papéis são listados: estudante, cônjuge, operário.
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A apropriação usual do mundo é descrita como tomar o mundo conforme apresentado pela sociedade.
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O modo habitual é descrito como queda no mundo assumido.
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Essa articulação expõe o cuidado como modo de importar-se consigo ao tentar resolver a questão do ser e viver uma vida, pois o cuidado é a razão pela qual há mundo, projeção e lançadura em unidade, já que um ente indiferente não poderia ter mundo nem buscar resolver seu ser por possibilidades num mundo em que foi lançado, e assim o cuidado figura como a priori do ser-no-mundo e, no sentido heideggeriano, como o sentido do ser-no-mundo.
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Cuidado é descrito como modo de importar-se consigo.
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Resolver a questão do ser é descrito como orientação do viver.
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Cuidado é descrito como razão de haver o conjunto de estruturas.
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Indiferença é descrita como incompatível com ter mundo.
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Indiferença é descrita como incompatível com buscar resolução do ser por possibilidades.
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O cuidado é descrito como a priori do ser-no-mundo.
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O cuidado é descrito como o sentido do ser-no-mundo na acepção adotada.
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