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Existencialismo
JBEH
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O existencialismo, mais conhecido do público por sua expressão romanesca ou dramática, é uma filosofia que tem por objetivo fazer uma investigação para esclarecer o enigma da existência humana, ou a condição do homem, evitando o desvio abstrato das generalidades sobre Deus, o mundo ou a natureza, para buscar a luz através de uma prova direta.
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Kierkegaard é considerado justamente o iniciador do existencialismo por sua tentativa de encontrar “uma verdade que seja uma verdade para mim”, em oposição aos sistemas filosóficos que constroem mundos onde não se vive, e por sua crítica aos filósofos que usam categorias diferentes em suas construções especulativas e em sua existência quotidiana.
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Para Jaspers, ser filósofo não é esclarecer a objetividade das coisas, mas, por um golpe de audácia, penetrar no fundamento ainda inexplorado da certeza que o homem pode ter de si mesmo, enquanto Sartre define o existencialismo como a doutrina que afirma que, no homem, a existência precede a essência.
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O existencialismo não é uma invenção do momento, mas a expressão de um pensamento filosófico com sua história, que tem um sentido agudo da subjectividade e um cuidado constante de retomar todos os problemas a partir do homem, que nenhum “sistema das coisas” pode vencer.
A angústia, frequentemente associada ao existencialismo, não é uma pose gratuita, mas a revelação do que há de trágico na vida, manifestando-se de maneiras diferentes conforme os filósofos, seja como o vértice da liberdade para Kierkegaard, seja como o espanto diante do fato bruto de “estar aí” para Heidegger.-
Para Kierkegaard, a angústia é o pathos violento da liberdade, o ponto onde todo o futuro está ainda suspenso e onde “tudo é igualmente possível”, sendo a conquista de si mesmo até sentir o “sério incompreensível da vida humana”.
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Para Heidegger, a angústia é o sentimento diante do “ser-lançado” no mundo, a percepção da facticidade de estar aí sem razão, e a morte não é um acidente exterior, mas a própria trama da vida, uma iminência que amadurece sem cessar.
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A filosofia da angústia é, portanto, uma filosofia da coragem, da audácia de olhar de frente a desilusão e a morte, sem se refugiar em abrigos trucados, abrindo uma brecha de lucidez na inconsciência universal.
O existencialismo não define um sistema de valores, mas, ao dar sentido à vida pela consciência aguda de que o homem é livre de cabo a rabo, ele pode ser o testemunho tanto da experiência cristã quanto de convicções ateias, podendo, eventualmente, reencontrar através de sua experiência um sistema de valores tradicional.-
Para Sartre, o existencialismo é fundamentalmente ateísmo: o homem deve viver sua vida de homem, em seu posto entre os homens, neste mundo que é o único mundo, sem as esperanças que as religiões lhe prodigalizam.
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Para Gabriel Marcel, ao contrário, a vida é vivida como esperança, e a morte deixa pressentir uma “misteriosa hospitalidade”, mostrando que o existencialismo é uma maneira tanto de ter fé quanto de não a ter.
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A relação com o cristianismo e com o marxismo é complexa, pois o existencialismo, ao afirmar a subjectividade como liberdade, pode entrar em conflito com o determinismo histórico do marxismo, mas também pode ser visto como uma garantia de um máximo de vigor no engajamento.
A questão das afinidades do existencialismo com o fascismo, particularmente com o nazismo, deve ser examinada com cuidado, pois houve uma tentativa de captação da filosofia de Heidegger, mas ele não pode ser considerado o filósofo oficial do partido nazista.-
A captação de Heidegger pelos nazistas é comparável à apropriação que eles fizeram de poetas como Rilke, Kleist ou Novalis, que serviam para justificar reações instintivas, mas a filosofia de Heidegger, em seus cursos, era uma crítica viva do biologismo de Rosenberg.
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Heidegger, embora inscrito no partido nazista em 1933, após aceitar ser eleito reitor sob pressão, renunciou ao cargo poucos meses depois por se recusar a ceder às exigências de Rosenberg para demitir dois professores antinazistas.
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A filosofia de Heidegger, ao proclamar que o universo espiritual de um povo não se reduz a uma cultura ou a um arsenal de conhecimentos utilitários, mas que sua dimensão espiritual lhe garante sua grandeza, opõe-se radicalmente ao pensamento oficial nazista, que via a cultura como produto de aptidões fisiológicas e raciais.
O existencialismo, como filosofia que não deve ser apressadamente encerrada, tem sua verdade feita tanto de passado quanto de futuro, e é preciso não apressar a conclusão dos sistemas, pois isso não é bom nem para o pensamento nem para a ação.-
A verdade do existencialismo pode encontrar seu proveito, e a tarefa de fazer algo de humano com seu futuro é uma responsabilidade coletiva, que não deve ser precipitada.
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O existencialismo é um movimento filosófico que, embora não defina uma moral, ao dar sentido à vida pela consciência aguda da liberdade humana, pode se reconciliar com sistemas de valores tradicionais, e sua relação com a política é complexa, exigindo análise histórica e filosófica.
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