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Palavra a Ser

BARBARAS, Renaud. De l’être du phénomène. Grenoble: Jérôme Millon, 1991

§ 1 A inscrição da significação nos signos

  • Ao empreender a redação de La prose du monde, Merleau-Ponty concebe esse trabalho como prolongamento das pesquisas anteriores sobre comportamentos simbólicos e conhecimento, destinado a fixar definitivamente o sentido filosófico das primeiras obras, ainda que estas lhe prescrevam itinerário e método a partir do rapport inédito entre espírito e verdade revelado no plano da experiência sensível
    • A redação de La prose du monde é interrompida, e conforme indica o Préface de C. Lefort, a nova pesquisa, conduzida inicialmente nas categorias da Phénoménologie de la perception, revela por seu próprio desenvolvimento a necessidade de uma refundição, de modo que é no curso dessa redação que Merleau-Ponty descobre as insuficiências da obra anterior e nasce a perspectiva que conduzirá ao Visible et l'invisible
    • A filosofia da expressão, concebida a princípio como prolongamento da fenomenologia da percepção, libera na realidade o espaço de uma ontologia, pois o fenômeno da expressão, compreendido até o fim, abala a dualidade que ainda prende Merleau-Ponty e revela os limites de uma filosofia da consciência
  • O período que segue imediatamente a Phénoménologie de la perception é dominado pela questão da linguagem, não mais apreendida como forma de expressividade corporal fundada obscuramente numa significação emocional, mas abordada instalando-se no próprio cerne da operação expressiva
    • O risco de pensar a linguagem em termos intelectualistas é agudo porque é próprio da palavra dissimular sua operação significante, fazendo-se esquecer como ato de expressão em proveito da significação que institui, de modo que é necessário recorrer primeiro a uma descrição objetiva da linguagem tal como pratica a linguística
    • A linguística desempenha, em relação ao sujeito da expressão, o papel que a psicologia da forma desempenhava em relação ao sujeito do comportamento, conduzindo por seu próprio movimento a superar a cisão entre linguagem concebida como objeto e experiência da palavra recolhida no plano da criação literária
  • O estudo da linguagem aproxima do problema da idealidade e do idealismo, pois a palavra se esquece como operação em virtude de sua própria operação, dissimulando a camada de expressão primordial de que procede, o que conforta o idealismo em sua certeza de reencontrar nas próprias coisas significações preexistentes
    • A concepção clássica reconstrói a linguagem segundo a correspondência unívoca entre signo e significação, concebida ao mesmo tempo como transcendente e imanente aos signos, o que apresenta a mesma dificuldade que descrever o objeto percebido como relação entre matéria e forma
    • Se dizer fosse apenas colocar uma palavra sob cada pensamento, nada seria jamais dito, pois o signo se apagaria diante de um sentido já seu, de modo que é necessário reconhecer uma potência significante do signo que é sua própria obra, e que por isso o signo não se esgota na exibição de uma significação
    • A dificuldade é comparável à que Merleau-Ponty encontra em Husserl na análise da intencionalidade, quanto à realidade própria da hyle como substrato de uma apreensão que a anima, questionando se não é preciso reapreender essa apreensão ao nível da vida mesma da hyle
  • Descrito a partir da significação, o signo aparece como entidade discreta, mas compreendida a significação como obra do signo, este se constitui no próprio movimento do significar, nunca completamente determinado como signo, situando-se a operação significante aquém da oposição entre significação e signo
    • A linguística reconhece isso ao acentuar o caráter diacrítico do signo, ponto ao qual Merleau-Ponty retorna incessantemente: só há diferenças na língua, das quais nascem paralelamente signos e significações, definindo-se o sentido operante como configuração, relação lateral dos signos entre si
    • O sentido operante é implicado pelo edifício das palavras mais do que designado por elas, dimensão que não subsiste fora das variantes em que se dá, logrando-se entre elas como princípio secreto de sua variação, de modo que os signos são habitados por um princípio de equivalência sem jamais abolir sua materialidade numa significação transparente
    • Ao nível da palavra viva descobre-se que o sentido do sentido é jamais estar presente em pessoa, implicado nela como horizonte que a anima à distância e solicita retomada indefinida, pois a palavra joga sempre sobre fundo de palavra, sendo apenas uma prega no imenso tecido do falar
  • Nesse estágio a reflexão ainda aborda a linguagem a partir das categorias da percepção, descrevendo o movimento da significação segundo a relação entre perfis e coisa, à maneira das Ideen kantianas de Husserl, mas os resultados da linguística contêm em germe a mutação das modalidades segundo as quais a percepção é abordada
    • As Abschattungen da significação não são tematicamente dadas, de modo que não se pode conferir ao sentido a menor positividade, sendo os signos ao mesmo tempo mais próximos do sentido, por já estarem implicados nele, e mais distantes, por não poderem mais ser distinguidos dele nem determinados como polo infinito
    • A não presença do sentido é de princípio, sinônimo da quase-materialidade do signo, revelando o ser da linguagem um modo de infinidade que não admite a clausura da Ideia kantiana e exige superar a oposição entre matéria e forma, descoberta da historicidade infinita do sentido que determinará a pensée do mundo como transcendência pura
    • Uma nota do término da segunda parte de La prose du monde antecipa já Le visible et l'invisible ao pensar o estilo como generalidade pré-conceitual, pivô pré-objetivo que faz a realidade do mundo, coisa não frontal mas que morde sobre mim e sobre a qual eu mordo por meu corpo, dada em preensão indireta e lateral
  • Essa descrição conclui a uma opacidade essencial da linguagem, selado o sentido nos signos como dimensão de sua diferenciação ativa, sempre iminente, de modo que a visada própria da palavra deve ser definida como nada qualificado, vazio determinado, e a expressão não pode por princípio ser completa
    • A significação se dá no modo da falta, não como entidade positiva a restaurar mas por seu próprio modo de ser consistir em escapar à ordem da presença, o que permite comparar a linguagem à pintura e reconhecer no sentido um silêncio insuperável, confundindo-se em seu estado nascente com o radiar mudo da pintura
    • Com a presença do sentido põe-se em questão a presença a si pela qual a consciência se define, pois se a significação advém na expressão apenas de maneira diferida, o sujeito deve ser concebido como o que se conquista e se realiza na expressão mesma, e não como portador de unidades de sentido já constituídas

§ 2 Sincronia e diacronia

  • O segundo eixo da análise instala-se não mais no ato singular de expressão, mas no rapport entre língua e palavra, pois a linguística parte de tratar a linguagem como objeto submetido a leis, fazendo da sincronia um corte sobre a diacronia
    • Se estivéssemos encerrados nas significações inconciliáveis que as palavras herdam de sua história, a própria vontade de expressão se esvairia, de modo que a linguística não pode dispensar o ponto de vista do sujeito que, a cada instante, fala essa língua e supera de fato os acidentes nela incorporados pela história
    • O ponto de vista subjetivo envolve o ponto de vista objetivo, a sincronia envolve a diacronia, pois os acidentes históricos só têm perenidade e se integram à língua na medida em que são retomados por uma única vontade de expressão, o que implica que a lógica interna da língua transcenda também o presente e desenhe uma unidade além de cada fase sincrônica
    • Saussure inaugura assim, ao lado de uma linguística da língua como caos de eventos, uma linguística da palavra que evidencia, em cada período, uma unidade sem a qual comunicação e comunidade linguística seriam impossíveis, tarefa que caberá a seus sucessores mediar, como faz Guillaume com a noção de esquema sublinguístico
    • Essa unidade não é distinta de seus modos de advento, dos atos de retomada que anima e orienta, havendo aí opacidade fundamental da expressão, pois se a sincronia envolve a diacronia sem absorvê-la, é preciso dizer igualmente que, sob outro aspecto, a diacronia envolve a sincronia
  • Considerada segundo corte longitudinal, a linguagem comporta acasos, exigindo que o sistema sincrônico comporte a cada momento fissuras onde o evento bruto possa se inserir, retornando a exterioridade entre os atos de palavra no cerne de cada palavra
    • Os fatos só têm incidência e perenidade se retomados por uma intenção de significar, mas essa intenção é ela mesma portada pelos fatos, sem realidade fora das contingências que transforma em acontecimentos, aparecendo a língua como equilíbrio em movimento, toda acaso e toda razão, conforme afirma Merleau-Ponty
    • Não se trata de estabelecer relação dialética entre sincronia e diacronia mas de mostrar seu ultrapassamento efetivo, o que confirmam as análises de Vendryes sobre as exigências contrárias de expressividade e comunicação que atravessam a língua, de modo que a expressão não utiliza a história mas se faz história
  • Essa análise aprofunda a do ato de expressão: a opacidade do sentido não corresponde a um fracasso mas é inerente à obra mesma da expressão, pois a intenção significante que anima os atos, sincrônica e diacronicamente, não subsiste ao lado dos atos onde se realiza
    • A coexistência dos atos de expressão não se funda em transcendência do sentido, que é rigorosamente apenas a tarefa que liga entre si as tentativas, de modo que reconhecer que passado e futuro envolvem o presente não situa essa visada no eterno, pois ela só se sustenta por ser reativada em cada presente
    • Apreendida através do sentido expressivo, a razão não se dá como sobrepairando a história mas como confundindo-se com a historicidade mesma, razão na contingência, eternidade existencial, modo de ser que Merleau-Ponty designa, tomando de empréstimo a Husserl, como Stiftung, fundação que exige um futuro que a reative como exigência
    • O estudo da expressão revela assim a dimensão da historicidade: a intimidade de toda expressão com toda expressão, sua pertença comum a uma ordem instituída pelo primeiro ato de expressão, realiza a junção do individual e do universal, sendo esse o verdadeiro sentido do conceito de história a ser formado sobre o exemplo das artes e da linguagem

§ 3 O solo da expressão

  • Essas conclusões exigem uma refundição das categorias da Phénoménologie de la perception, cuja démarche era finalmente progressiva, partindo do corpo e do ser-no-mundo para reapreender os níveis de expressão como modalidades superiores deste, o que não podia realizar-se satisfatoriamente pois o corpo permanecia abordado segundo a dualidade implícita de consciência e objeto
    • A filosofia da expressão suscita ao contrário uma démarche regressiva que, partindo da cultura e da linguagem, interroga seu solo originário, sendo essa a direção que se esboça em La prose du monde, que se percebe na ordem dos cursos no Collège de France, da palavra e expressão à história e enfim à natureza
    • A ontologia de Merleau-Ponty nasce desse movimento regressivo, buscando compreender a natureza em que se enraíza a cultura cuja significação acaba de ser explicitada, movimento em que a expressão passa a informar a percepção e se constitui a interrogação ontológica
  • O intelectualismo pressupõe realizada a obra da expressão em vez de tentar pensá-la, ignorando por sua ingenuidade quanto à linguagem o fato do mundo, ao passo que a descoberta da expressão, da ausência de clausura e da infinidade do sentido implicam o desvelamento do mundo em sua figura autêntica e originária
    • Ao fazer retorno ao mundo a partir do fenômeno da expressão, apreendendo o sentido no ato mesmo de seu nascimento em vez de o referir de antemão a um fundo perceptivo, Merleau-Ponty atinge a figura verdadeira do mundo como solo ou fonte da expressão, correspondendo à infinidade do telos a infinidade de uma arché
    • Porque nenhuma expressão se apaga atrás de um sentido em estado puro, o mundo só se dará como retraimento, presença que, por sua obscuridade, suscita a expressão sem jamais se reabsorver no exprimido, de modo que a fenomenologia da percepção, tornada filosofia da expressão, se realiza como ontologia
    • O universal não está mais do lado do sentido mas do lado do mundo, aquilo que nutre toda expressão faltando sempre ao que o revela, o mundo sendo o que resta a dizer no seio do que o exprime, conforme a fórmula de Merleau-Ponty sobre o mundo como mais que toda pintura, toda palavra, toda atitude
  • Não se deve, porém, confundir essa transcendência com um retorno a um fundo inacessível ou a um em-si, pois se o mundo, como arché infinita, corresponde ao inacabamento do dizer, ele pode ser expresso, sendo exatamente o lugar de enraizamento do dizer em sua dupla dimensão de conquista e incompletude
    • Enquanto exprimível, o mundo pertence à ordem do sentido, mas como a significação só nasce na expressão como sua própria iminência, esse sentido permanece cativo nesse mundo, que é de certo modo a própria catividade do sentido, de modo que situar o mundo na dimensão da expressão é reconhecer sua transcendência, não dissolvê-lo na idealidade
    • O Ser é o que exige de nós criação para que dele tenhamos experiência, acrescentando-se que dele só temos experiência como daquilo que sempre nos transcende, sendo a ontologia apenas a consideração do que impõe uma filosofia da expressão levada até o fim
  • O campo da linguagem, que a princípio constituía apenas o lugar privilegiado do estudo da expressão, tende a se generalizar, pois reconhecido o sentido operante sob o sentido constituído, não há mais motivo para distinguir a linguagem propriamente dita de uma camada da qual procederia
    • O mundo já está na linguagem, ou antes já é linguagem, expressão primordial, fonte originária que exige a expressão e no entanto a retém em sua opacidade, sendo o silêncio do mundo já palavra porque a linguagem, por mais realizada que seja, é ainda silêncio
    • Linguagem e percepção, cuja diferença dominava a Phénoménologie de la perception, aparecem agora como dois momentos de uma realidade mais fundamental, distinguindo-se apenas como um logos proferido de um logos do mundo estético, e o vivido como vivido-falado cuja linguagem é o mais válido testemunho do Ser
    • O problema da origem da linguagem, que pressupunha sua identificação à ordem da idealidade, perde todo sentido, pois reapreendido com todas as suas raízes a linguagem é a origem, situando-se o ser do mundo além da oposição entre facticidade e essencialidade, oposição cuja crítica explícita inaugurará Le visible et l'invisible
  • Com a noção de mundo transforma-se a noção de consciência, que respondia à determinação do sentido como clausura e positividade, sendo o recurso a ela na Phénoménologie de la perception, e à distinção de matéria e forma, o que impedia atingir o terreno do mundo, sempre reapreendido como objeto de uma apresentação, como natureza
    • A atenção à expressão provoca o estilhaçamento do quadro de uma filosofia da consciência e dos polos empírico e transcendental entre os quais oscilava, dando-nos acesso ao lugar mesmo de sua articulação, designando tanto a potência transcendental do empírico quanto a efetividade do empírico como retraimento do transcendental
    • O curso sobre A instituição na história pessoal e pública atesta a necessidade dessa mutação, reconhecendo Merleau-Ponty que uma filosofia da consciência é sempre uma filosofia da constituição, portanto idealista, incapaz de dar conta de outrem e da coexistência, sendo preciso substituir a noção de sujeito constituinte pela de sujeito instituinte
    • Compreendido como instituinte, o sujeito é destinado a ser reapreendido numa perspectiva ontológica, como instituído por sua própria instituição, outro nome do mundo como instituição originária, de modo que ao face a face da posse intelectual é preciso substituir uma teleologia, e o Ser e o sujeito têm destinos paralelos, pois não somos nós que percebemos, é a coisa que se percebe lá, não somos nós que falamos, é a verdade que se fala no fundo da palavra
  • À medida que o sujeito se apaga em proveito da teleologia, o corpo perde suas conotações naturalistas e comportamentais, pois ao abandonar sua função constituinte o sujeito libera o corpo de sua dimensão constituída, o que se torna sensível em Le langage indirect et les voix du silence
    • Após descrever longamente a expressão muda da pintura, Merleau-Ponty é levado a perguntar como a expressividade pictórica se enraíza no corpo, pois se os gestos do pintor são possíveis é porque os gestos naturais já estilizam, e se o mundo pode ser pintado é porque nele se recolhe um sentido esparso que já contém tudo o que pintura e linguagem desdobrarão
    • Toda percepção, toda ação, todo uso humano do corpo é já expressão primordial, operação primeira que constitui os signos em signos e implanta um sentido onde não havia nenhum, inaugurando uma ordem e fundando uma instituição ou tradição, tendo o corpo em si, antes de toda iniciação à arte, a primeira experiência do corpo impalpável da história, conforme nota La prose du monde
    • Superadas as equívocas da Phénoménologie de la perception, a filosofia da expressão libera uma noção do corpo adequada ao que já se entrevia, confundindo-se a ontologia com a explicitação desse corpo como expressão primordial, corpo da história, isto é, como carne
  • Todos os eixos da ontologia de Merleau-Ponty aparecem como realização de uma filosofia da expressão consequente, ordenada à vontade de superar as equívocas das primeiras obras, ao generalizar-se para não mais correr o risco de ser interpretada como aparência ou anedota psicológica
    • Não se trata de retornar a uma origem velada nem de coincidir com um mundo virgem, pois o mundo bruto ou selvagem não é de modo algum o sítio do irracional, cabendo à reflexão tomar a medida da impossibilidade dessa coincidência, correlata da ausência de origem assinalável, o originário estourando e a filosofia devendo acompanhar esse estilhaçamento
    • A expressão não é véu posto sobre o mundo mas, sendo o próprio devir do mundo, o que pode nos abrir a ele, cabendo à filosofia encontrar uma palavra que se una ao mundo como expressão muda, papel capital que cabe à reflexão sobre a pintura em Le langage indirect et les voix du silence
    • Para compreender a linguagem em sua operação de origem é preciso fingir nunca ter falado, submetê-la a uma redução, olhá-la como os surdos olham os que falam, comparar a arte da linguagem às outras artes de expressão, é através da pintura que se poderá liberar o significar originário da linguagem antes que ela o transmude em idealidade
    • A pintura, expressão muda de nosso contato com o mundo, reconduz ao silêncio de seu significar primeiro, desempenhando o papel de uma redução fenomenológica que, ao contrário da linguagem, faz aparecer uma camada primordial, um significar que ainda não é significação, substituindo a lógica alusiva do mundo percebido ao objeto tal como uma pincelada substitui a reconstituição completa das aparências
    • Com a pintura pode realizar-se uma redução verdadeira, não mais no sentido idealista de retorno à subjetividade transcendental, mas no sentido ontológico de desvelamento do mundo primordial, contribuindo Le langage indirect et les voix du silence e sobretudo L'œil et l'esprit a liberar o espaço da ontologia cujas categorias são amplamente tomadas de empréstimo à descrição da expressão pictórica
  • O caminho percorrido de La structure du comportement ao Visible et l'invisible pode ser descrito segundo o ritmo de uma tripla referência, correspondendo a cada etapa do pensar a consideração de um campo original que determina e é determinado pelas características e limites dessa fase
    • A psicologia do comportamento permite a redução do idealismo apenas em proveito de uma forma de naturalismo, pois a análise do corpo permanece atravessada pela dualidade de sujeito e objeto e o corpo, reapreendido como ser-no-mundo vivo, acaba relançado do lado da natureza
    • A linguística libera o campo da expressão e, para além da linguagem, o da historicidade fundamental, superando por movimento de retorno a dualidade de sujeito e objeto em proveito de uma corporeidade sinônima de teleologia, movimento que só se realiza plenamente quando o pensamento da expressão se volta para o sentido operante que precede sua expressão propriamente linguística
    • É somente quando esse pensamento se faz fenomenologia da pintura que ela consegue compreender a inserção da expressão no mundo e, com isso, apreender o ser do mundo como velamento do sentido, logos selvagem
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