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estudos:backman:unidade-e-multiplicidade

Unidade e multiplicidade

(JB2015)

[…] não há fundamentos “lógicos” para essa primazia da unidade sobre a multiplicidade. Pelo contrário, o pensamento lógico já pressupõe a estrutura do logos destacada por Heráclito: a unidade na diferença, a formação discursiva de totalidades significativas articuladas internamente. O logos, enquanto discursividade, é uma rede de significância que tanto diferencia quanto unifica. Quando um ser é discursivamente articulado como ele mesmo — ou seja, como o que ele é —, ele é simultaneamente distinguido de todos os outros seres, diferenciado de tudo o que ele não é. Ao mesmo tempo, o logos unifica todos os seres diferenciados e articulados em um discurso comum e universal — nesse sentido, é a estrutura unificadora do ser1 como presença, que, como tal, não tem nenhum “outro” do qual se diferenciar e é, portanto, “indiferente”. Como mostra a deusa de Parmênides no fragmento B 4, a ausência, no sentido de não estar lá, e a presença, no sentido de estar lá, fazem sentido como modificações do “estar lá” em si; instâncias particulares de presença ou ausência são meras modificações particulares do ser1 como presença pura, “estar lá” inteligível. A presença, enquanto tal, é o contexto unificador absoluto sem um exterior, uma unidade além das diferenças. É a co-pertença de todas as articulações e oposições relativas dentro de uma identidade que não difere de nada.

No entanto, quando os limites estabelecidos na primeira concepção são transgredidos após a conclusão da metafísica, a unidade simples da presença deixa de deter esse privilégio autoevidente. O que agora emerge é precisamente o outro, anteriormente desconsiderado, do ser1 como presença, ou seja, o contexto de fundo da não-presença (ser2) que libera a presença para o primeiro plano da acessibilidade imediata ao se retirar. A unidade, como característica do presente auto-idêntico, é incorporada a uma pertença mútua mais ampla, à interação das dimensões de fundo que permitem que o presente esteja significativamente presente. Em outras palavras, a “decisão mais extraordinária” (Entscheidung) subjacente à primazia inicial da presença — a krisis de Parmênides, o corte e a exclusão de qualquer “Não há” do puro “Há” (ser1) — é agora revelada. Dentro de um quadro temporal, a presença — o presente — não é mais uma identidade própria pura e simplesmente autossuficiente, mas torna-se, ao contrário, um evento situacional e instantâneo, e, portanto, singular e historicamente contextual, de “presenciação” (ser3), do qual o presente é apenas um aspecto, inseparavelmente redobrado em seu contexto de fundo (ser2).

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