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estudos:backman:unidade-do-ser

Unidade do ser

(JB2015)

A experiência da unidade do ser1 domina o surgimento inicial do pensamento filosófico ocidental, encontrando uma expressão notável no Poema de Parmênides. A unidade determina os limites implícitos estabelecidos nesse surgimento e orienta a tradição metafísica subsequente, que se move dentro desses limites. De Platão a Hegel, a lógica filosófica e a dialética têm tentado constantemente remeter todos os conceitos, noções ou significados individuais de volta a um conceito absoluto ou ponto de referência. Como vimos no Capítulo 1, a Ideia platônica é o elemento comum (koinon) de identidade e permanência nos muitos particulares, o “um sobre muitos”, o conceito universal que unifica as instâncias individuais; assim, na República, a unidade fundamental do ser como tal é descoberta na comunidade mútua (koinōnia) das Ideias ou conceitos, alcançável por meio de um processo dialético. 1) Essa busca dialética da metafísica é a busca por uma unidade unificadora, pela unidade do múltiplo — ou seja, uma busca pela unidade que parte das muitas coisas que existem, a busca pelo ser1 como uma característica universal comum a todos os seres em sua manifestação.

A ideia é aquilo a que as muitas coisas, em alternância, se referem; o Um unificador e, portanto, o ser (seiend) = unificador. Como consequência, a ideia é o koinon [comum] no que diz respeito à sua multiplicidade (hekasta [particulares]) […] desde o início, o ser, enquanto esseralidade, é experimentado e pensado apenas em termos de “seres” — em termos dos chamados seres [gleichsam Seienden], ou seja, em termos do múltiplo e com referência ao múltiplo. (GA65, 209/CPFE, 146/CPOE, 163, 164; trad. mod.)

1)
Platão, República VII.531c9–d3.
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