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BANALIDADE DO MAL (LM:3-5)

ARENDT, Hannah. A Vida do Espírito. Tr. Antônio Abranches e Cesar Augusto R. de Almeida e Helena Martins. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2000 [ARENDTVE] / The Life of the Mind: the Groundbreaking Investigation on How We Think. Boston: Houghton Mifflin Harcourt, 1981 [LM]

* A preocupação com as atividades espirituais nasce, de um lado, da experiência do julgamento de Eichmann em Jerusalém e da formulação da expressão “banalidade do mal”, que se opõe à tradição literária, teológica e filosófica que concebe o mal como demoníaco, e, de outro, do espanto diante da superficialidade factual de Eichmann, cuja irreflexão banal, marcada por clichês e ausência de pensamento, contrastava com a monstruosidade de seus atos.

  • A tradição associa o mal a Satã, Lúcifer e à superbia
  • Referências literárias incluem Ricardo III, Caim, Macbeth, lago e Billy Budd de Melville
  • A cobiça é evocada como radix omnium malorum cupiditas
  • Eichmann não apresentava convicções ideológicas firmes nem motivações especificamente más
  • A característica notória era a irreflexão, não a estupidez
  • Clichês e fórmulas padronizadas funcionam como proteção contra a exigência de pensar
  • A ausência de resposta à exigência do pensamento distinguia Eichmann do comum

* A ausência de pensamento, fenômeno comum na vida cotidiana, suscita a indagação sobre a possibilidade de fazer o mal sem motivos torpes ou estímulos específicos, levantando a hipótese de uma conexão entre a faculdade de pensar e a capacidade de distinguir o bem do mal, sem reduzir o pensamento à produção de virtude ensinável, já que moral e ética remetem a mores e ethos, isto é, costumes e hábitos facilmente desaprendidos, e a irreflexão observada não provinha de esquecimento de normas, estupidez ou insanidade moral.

  • Questiona-se a necessidade da maldade como condição do fazer-o-mal
  • O pensamento não é concebido como ensino de virtude
  • Moral deriva de mores e ética de ethos
  • Costumes podem ser desaprendidos com rapidez
  • A ausência de pensamento aparece também fora de decisões éticas

* A questão central torna-se saber se a atividade do pensamento como exame independente de resultados pode constituir condição de abstenção do mal ou mesmo condicionar contra ele, hipótese reforçada pelo significado de consciência como saber consigo mesmo e pela constatação de que boa consciência é frequentemente atributo de pessoas más enquanto pessoas boas experimentam má-consciência, impondo-se assim a quaestio juris quanto ao direito de empregar o conceito de banalidade do mal.

  • Pensamento entendido como hábito de examinar acontecimentos
  • Consciência significa saber comigo e por mim mesmo
  • Boa consciência associa-se paradoxalmente a criminosos
  • Má-consciência é própria de pessoas consideradas boas
  • A formulação do conceito exige questionamento de seu fundamento
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