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AUTOMAÇÃO (CH:§20)

ARENDT, H. The human condition. 2nd ed ed. Chicago: University of Chicago Press, 1998.

* As implicações históricas da tecnologia tornaram-se plenamente visíveis apenas com a automação, após um desenvolvimento iniciado com a máquina a vapor e a Revolução Industrial, cujo primeiro estágio ainda imitava processos naturais e utilizava forças como água e vento, diferenciando-se sobretudo pela exploração do carvão mineral, conforme observação de R. H. Barrow sobre a ausência de combustível barato no mundo antigo, enquanto as ferramentas-máquina intensificavam os movimentos da mão humana, situação que contrasta com a advertência de John Diebold contra a reprodução dos gestos do operador.

  • A máquina a vapor imitou processos naturais
  • A Revolução Industrial dependeu do carvão mineral
  • R. H. Barrow relaciona o atraso antigo à falta de combustível
  • Ferramentas-máquina ampliaram a força da mão humana
  • John Diebold critica a imitação mecânica dos movimentos humanos

* O estágio seguinte, marcado pelo uso da eletricidade, rompeu com as categorias do homo faber, pois deixou de apenas alterar ou imitar a natureza para desencadear processos que jamais ocorreriam sem intervenção humana, integrando forças elementares ao mundo artificial e transformando a manufatura em processo contínuo como na esteira transportadora e na linha de montagem.

  • A eletricidade caracteriza o estágio técnico atual
  • O homo faber já não fornece categorias adequadas
  • Processos naturais inéditos são provocados
  • Forças elementares são canalizadas ao artifício humano
  • A manufatura torna-se processo contínuo

* A automação constitui o estágio mais recente, iluminando a história do maquinismo conforme Friedmann e John Diebold, ao liberar não apenas a força de trabalho manual, mas também a força cerebral, eliminando o antigo artífice das fábricas e expondo a insuficiência dos “humanismos do trabalho”, criticados também por Daniel Bell e R. P. Genelli, enquanto a era atômica e a tecnologia nuclear introduzem energias cósmicas capazes de destruir a vida orgânica, como observa Gunther Anders ao afirmar que o laboratório nuclear tornou-se coextensivo com o globo.

  • A automação resulta da maquinização da linha de montagem
  • Liberação da força manual e do controle cerebral
  • O artífice já havia sido eliminado antes da automação
  • Crítica às “relações humanas” e à “alegria do trabalho”
  • Daniel Bell e R. P. Genelli denunciam ilusões do trabalho
  • Bombas atômicas evidenciam escala destrutiva inédita
  • Gunther Anders observa a extensão global dos experimentos nucleares

* A canalização de forças naturais para o mundo humano rompe o caráter propositado do artifício, pois processos naturais surgem espontaneamente sem produção deliberada, como indicam as raízes de natura em nasci e physis em phyein, enquanto na automação desaparece a distinção entre operação e produto, tornando obsoletas as categorias do homo faber, diferentemente da orientação mecanicista e utilitarista do século XVIII.

  • Processos naturais não são produzidos passo a passo
  • A semente já contém a árvore
  • Automatismo designa movimento autopropulsado
  • Operação e produto deixam de ser distintos
  • A crítica ao mecanicismo rejeita o utilitarismo clássico

* A discussão sobre tecnologia foi desviada por enfoque exclusivo no serviço ao homem, quando a instrumentalidade das ferramentas se relaciona antes ao objeto produzido do que ao conforto do animal laborans, pois o homo faber construiu ferramentas para edificar um mundo e não primordialmente para aliviar o processo vital, impondo a questão sobre se as máquinas ainda servem ao mundo ou passaram a dominá-lo e destruí-lo.

  • A instrumentalidade não é apenas antropocêntrica
  • Ferramentas visam construir um mundo
  • O animal laborans limita-se ao uso vital
  • O problema central é a dominação do mundo pelas máquinas

* O processo automático da manufatura eliminou tanto a suposição de que mãos e cérebros humanos garantem eficiência ótima quanto a premissa de que as coisas devem seguir padrões humanos de utilidade ou beleza, substituindo-os por produtos cuja forma é determinada pela operação da máquina e cujas funções básicas se vinculam ao processo vital, dependendo inteiramente da capacidade técnica disponível, como indica John Diebold.

  • Eficiência humana deixa de ser parâmetro
  • Utilidade e beleza cedem lugar à lógica operacional
  • Funções básicas referem-se ao processo vital
  • Mudanças de produto dependem da capacidade das máquinas

* Projetar objetos segundo a capacidade das máquinas inverte a categoria de meios e fins e torna obsoleto até o objetivo de liberar força humana, pois o mundo de máquinas já não pode ser descrito nesses termos, assim como não se pergunta se a natureza produz a semente para a árvore ou a árvore para a semente, sendo provável que o processo de canalização de forças naturais destrua o mundo enquanto artifício, mas continue a suprir as necessidades vitais humanas.

  • A inversão de meios e fins perde significado
  • A liberação de manpower torna-se secundária
  • A analogia com semente e árvore indica circularidade
  • O mundo pode ser destruído enquanto artifício humano
  • As necessidades vitais podem continuar a ser atendidas

* Em uma sociedade de trabalhadores, o mundo de máquinas substitui o mundo real sem oferecer estabilidade duradoura aos mortais, perdendo seu caráter mundano independente ao integrar-se cada vez mais ao processo biológico, como sugere Werner Heisenberg ao descrever a tecnologia como desdobramento biológico da humanidade que transplanta estruturas orgânicas para o ambiente humano.

  • O pseudomundo mecânico carece de permanência
  • Ferramentas iniciais possuíam maior autonomia mundana
  • Aparelhos tornam-se extensões do corpo humano
  • Werner Heisenberg interpreta a tecnologia como prolongamento biológico
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