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estudos:agamben:ereignis-amor-2015

EREIGNIS (2015:277-279)

AGAMBEN, Giorgio. A potência do pensamento. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2015.

  • O tema do amor como paixão manifesta sua proximidade com o Ereignis, motivo central da reflexão de Martin Heidegger a partir do final dos anos 1930, na medida em que o amor, enquanto paixão da facticidade, pode lançar luz sobre esse conceito, entendido por Heidegger a partir de eigen como “apropriação”, situado sobre o fundo da dialética entre Eigentlichkeit e Uneigentlichkeit em Sein und Zeit, mas designando uma apropriação na qual não se trata de fazer passar algo do estranho ao próprio nem de conduzi-lo da sombra à luz, e sim de colocá-lo na Lichtung como expropriação e ocultamento, pois “Das Ereignis ist ihm Selbst Enteignis, in welches Wort die fruh-griechische lethe im Sinne des Verbergens ereignishaft aufgenommen ist”, isto é, “O Ereignis é em si mesmo expropriação, palavra na qual é retomado de modo apropriador o grego primitivo lethe, no sentido de ocultamento”, de tal modo que o pensamento do Ereignis “não é um desaparecimento do esquecimento do ser, mas um ‘instalar-se’ nele e um ‘manter-se’ nele. Despertar do esquecimento do ser nesse mesmo esquecimento é um des-despertar no Ereignis”, e que “die Verbergung sich Nicht verbirgt, ihr gilt vielmehr das Aufmerken des Denkens”, ou seja, “o ocultamento já não se esconde, para ele vai antes toda a atenção do pensamento”
    • interpretação de Ereignis a partir de eigen como apropriação
    • relação com Eigentlichkeit e Uneigentlichkeit em Sein und Zeit
    • expropriação como estrutura interna do Ereignis
    • retomada de lethe como ocultamento
    • permanência no esquecimento do ser
    • atenção do pensamento voltada ao próprio ocultamento
  • As formulações sobre o Ereignis indicam que aquilo de que o ser humano deve se apropriar não é uma coisa escondida, mas o próprio fato de ser oculto, isto é, a impropriedade e a facticidade do Dasein, de modo que apropriar-se significa ser propriamente impróprio e abandonar-se ao inapropriável, permitindo que o ocultamento, a lethe, chegue ao pensamento como tal e que a facticidade se mostre em seu fechamento e opacidade, fazendo do pensamento do Ereignis, enquanto fim da história do ser, uma recuperação e realização do pensamento da facticidade que no primeiro Heidegger marcara a reformulação da Seinsfrage, agora não mais restrita às múltiplas maneiras da existência fática do Dasein, mas referida à facticidade original ou dispersão transcendental que constitui sua innere Moglichkeit, cujo Mogen não é potência nem ato, nem essência nem existência, mas impotência cuja paixão abre em liberdade o fundamento do Dasein, de tal forma que no Ereignis a facticidade original já não se retira em desvio evasivo ou destino histórico, mas é apropriada em sua própria evasividade e suportada em sua lethe, conduzindo a dialética entre próprio e impróprio ao seu termo, pois o Dasein já não tem de ser seu Da nem suas maneiras de ser, habitando-as definitivamente no modo do wohnen e da Gewohnenheit que no parágrafo 12 de Sein und Zeit caracterizam o In-Sein do Dasein
    • apropriação da impropriedade e da facticidade
    • lethe como ocultamento pensado enquanto tal
    • facticidade original como dispersão transcendental
    • Mogen como impotência libertadora
    • superação da dialética entre próprio e impróprio
    • wohnen e Gewohnenheit como modos de habitar o In-Sein
  • Na palavra Ereignis deve-se perceber o assuescere latino, o acostumar-se, pensando-se nesse termo o suus, o se que constitui seu núcleo semântico, e recordando que a origem do caráter destinal do Dasein era, segundo a nota da página 42 da edição de 1977 de Sein und Zeit, seu ter de ser, compreende-se por que o Ereignis é sem destino, geschicklos, pois o ser, isto é, o possível, esgotou suas possibilidades históricas, e o Dasein, que pode sua impotência, alcança sua maneira extrema como força imóvel do possível
    • assuescere como dimensão semântica de Ereignis
    • suus como núcleo reflexivo
    • ter de ser como origem do caráter destinal
    • geschicklos como ausência de destino
    • força imóvel do possível
  • A ausência de destino do Ereignis não implica abolição da facticidade nem anulação das e-mocoes, pois “A ausência de destino do Ereignis, a Zuwendung in Entzug, isto é, o voltar-se para, mas se retirando ao mesmo tempo, mostra-se pela primeira vez ao pensamento como o que deve ser pensado”, e o sentido da Gelassenheit, definida como “die Offenheit fur das Geheimnis”, isto é, “a abertura para o segredo”, consiste na e-mocao própria do Ereignis como abertura não epocal ao “Uralte que se esconde no nome aletheia”
    • Zuwendung in Entzug como movimento de voltar-se retirando-se
    • Gelassenheit como abertura para o segredo
    • aletheia como nome do Uralte
    • permanência da facticidade na abertura do Ereignis
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